“Fui linchada em praça pública”, diz Maju sobre ofensas racistas

A jornalista da Globo Maria Júlia Coutinho, conhecida como Maju, relembrou os ataques racistas que sofreu em julho. A apresentadora da previsão do tempo do "Jornal Nacional" disse em entrevista que sofreu com as ofensas pela internet e que foi "linchada em praça pública".

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A jornalista da Globo Maria Júlia Coutinho, conhecida como Maju, relembrou os ataques racistas que sofreu em julho. A apresentadora da previsão do tempo do “Jornal Nacional” disse em entrevista que sofreu com as ofensas pela internet e que foi “linchada em praça pública”.

“Não passei por isso sem dor. Fui linchada em praça pública. Virtual, mas pública. Fiquei esgotada, sem energia”, relembrou Maju em entrevista à revista Cláudia de dezembro.

Capa da publicação deste mês, Maju contou que ficou preocupada e ligou para a mãe logo após os ataques racistas. A jornalista também revelou que se trancou no quarto e chorou com seu marido.

“Ela (mãe de Maju) se abalou, ficou mal. E eu fechei a porta do quarto e chorei abraçada com o meu marido [o publicitário Agostinho Paulo Moura]. Um choro por me sentir também acariciada por milhares de pessoas que se solidarizam”, afirmou.

Na entrevista, Maju relembrou o primeiro caso de preconceito que sofreu, quando tinha apenas seis anos: “Uma garota me encarou para dizer: ‘Você tem tudo preto na vida. Seu cabelo, seu carro, sua casa’. E, olhando para outras crianças, determinou: ‘Não brinquem com ela, porque tudo nela é preto'”.

Relembre o caso

Na noite de 2 de julho, o “Jornal Nacional” publicou em sua página no Facebook uma imagem de Maria Júlia Coutinho falando sobre a previsão do tempo, que foi alvo de comentários com conteúdo pejorativo e racista. “Só conseguiu emprego no ‘Jornal Nacional’ por causa das cotas. Preta imunda”, dizia um dos comentários. “Não tenho TV colorida para ficar olhando essa preta não”, escreveu outro internauta.

Revoltados, outros usuários da rede social saíram em defesa de Maju e publicaram comentários de repúdio. “País mais miscigenado do mundo e ainda temos que ficar lendo esses comentários racistas. Lamentável. A moça é linda, inteligente e ganha bem mais do que vocês”, defendeu um seguidor. Nas redes sociais, o público escreveu #SomosTodosMaju em apoio à jornalista. O Ministério Público investigou os responsáveis pelas ofensas.

No dia seguinte, Maju se pronunciou sobre os ataques racistas dentro do “JN”: “Estava todo mundo preocupado. Muita gente imaginou que eu estaria chorando pelos corredores. Mas a verdade é o seguinte, gente. Eu já lido com a questão do preconceito desde que eu me entendo por gente. Claro que eu fico muito indignada, triste com isso, mas eu não esmoreço, não perco o ânimo”, disse ela durante o ‘JN’. “Eu cresci em uma família muito consciente, os meus pais sempre me orientaram. Acho importante que medidas legais sejam tomadas, para evitar ataques a mim e a outras pessoas”.

A jornalista também agradeceu a repercussão e a manifestação de carinho dos colegas e do público. “Também quero manifestar aqui, porque fiquei muito feliz com o carinho, recebi milhares de e-mails, de mensagens. Mas o mais importante é que a militância que faço é com o meu trabalho, sempre bem feito, com muito carinho, com muita dedicação, com muita competência, que é o mais importante. Os preconceituosos ladram, mas a caravana passa”, finalizou.

Em seguida, William Bonner se solidarizou com Maju. “Eu e a Renata [Vasconcellos] falamos em nome de todos os colegas da Globo, que, é claro, também repudiaram as agressões absurdas. #SomosTodosMaju, né, Renata?”, disse Bonner. “Hoje e sempre”, completou Vasconcellos. No fim do telejornal, a redação aplaudiu Maju de pé.

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