Após galã na TV, Renato Góes passou despercebido nas ruas como Marcelo D2

Dan Behr/DivulgaçãoRenato Góes é Marcelo D2 no filme "Anjos da Lapa", sobre história do Planet Hemp

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    Após galã na TV, Renato Góes passou despercebido nas ruas como Marcelo D2
    Renato Góes é Marcelo D2 no filme “Anjos da Lapa”, sobre história do Planet Hemp

Marcelo D2 não tem nada de Santo. Nem Renato Góes. Um telespectador mais desatento da novela “Velho Chico”, da Globo, pode nem associar o rosto do pernambucano de 29 anos, que há pouco ocupou o posto de galã mais cobiçado da TV, ao sujeito que raspou a cabeça e deixou crescer um bigode para viver o vocalista do Planet Hemp no filme “Anjos da Lapa”. E ele acha é bom.

“As pessoas me reconhecem muito pouco, só uma pessoa ou outra que está muito ligada, que sabe que estou com visual diferente. Mas é raro, tenho sido parado muito pouco na rua, o que ajuda muito o personagem. No filme, a gente retrata essa fase em que ele [Marcelo D2] trabalhava como camelô, era um cara que passava um pouco despercebido, era à margem. Então é bom essa coisa de passar um pouco às cegas. Se eu estivesse com a barba e o cabelo do Santo seria bem diferente”, reconhece o ator.

Globo/Caiuá Franco

Após galã na TV, Renato Góes passou despercebido nas ruas como Marcelo D2
Renato Góes como Santo em “Velho Chico”

O próprio D2 já declarou em entrevistas que Renato era muito bonito para o papel, mas o intérprete ri, meio sem jeito. “É brincadeira dele. Ele está querendo que alguém fale: ‘Mentira, você é mais bonito’ (risos). Santo foi meu primeiro papel com esse perfil, a maioria dos personagens que fiz nunca tinham esse arquétipo do herói, do galã. Sempre faço coisas bem diferentes. Depois da novela estreou um filme que também tinha temática do Nordeste, mas era completamente diferente. Em ‘Por Trás do Céu’, do Caio Soh (filme exibido no Cine PE), interpreto um sertanejo avesso do que era o Santo. Ali foi só um momento”, diz.

E foi esse outro sertanejo que trouxe “Anjos da Lapa” –previsto para estrear em 2017– à vida de Renato. Amigo de Caio, o cineasta Johnny Araújo, que divide a direção com Gustavo Bonafé, fez uma primeira abordagem no Carnaval do ano passado com a proposta. “Achei louco. Mas ele acreditou em mim, eu acreditei nele, e a gente foi nessa batalha tão linda”, conta ele, ainda sob a emoção do último dia de filmagens, no Rio de Janeiro.

“É até forte. Foi tão pesado, a preparação física, psicológica, eu me dediquei tanto durante tanto tempo. Passei oito meses no estúdio, tocando músicas do Planet, pesquisando. Vivi a vida do cara, li livros, fui abraçado pela família dele. É uma alegria, junto com um peso que sai das costas. A sensação é de realização, de dever cumprido”, diz.

Sob os olhos de D2

Presente desde as primeiras leituras do longa, D2 também acompanhou algumas cenas no set e participou intensamente da preparação dos protagonistas. Além de ensaiar em estúdio com uma banda por oito meses, Renato gravou as demos do filme junto com o músico.

                                                                                                                                                 Reprodução/Instagram/renatogoes

Após galã na TV, Renato Góes passou despercebido nas ruas como Marcelo D2
Marcelo D2 (segundo à esquerda) no set de “Anjos da Lapa”, com os diretores Johnny Araújo e Gustavo Bonafé, e Renato Góes

“Ele me passou umas brincadeiras que ele gosta de fazer com a voz. Eu me apeguei ao cara que existe, aos toques que ele me deu, mas também coloquei a minha cara. Ele falou: ‘Você tem que colocar seu suingue, sua forma de falar e cantar’. Tive uma liberdade grande”, lembra o ator, que chegou a morar por alguns meses próximo à família do cantor, na Zona Sul do Rio. “Todos receberam a gente muito bem. A mãe dele, Paulete, sempre me chamava para comer com ela”, conta.

Na juventude, graças a um amigo carioca que foi morar em Recife, Renato teve seu primeiro contato com o Planet Hemp. Hoje, diz que o Marcelo do filme, o que conhece Skunk (Ícaro Silva) e leva adiante o sonho de viver de música, não é exatamente o D2 que todo mundo conhece. O que diminui, em parte, a responsabilidade de viver um personagem que está vivo, ativo e muito presente na memória do público.

“É o Marcelo do filme, mais jovem, sem casca, sem a experiência que ele tem hoje, mas que tem o sonho, a vontade. Espero que as pessoas comprem a ideia e achem um Marcelo justo”, torce Renato.

 

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