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Música

Disco a Disco: David Bowie Parte 1

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Relembre a incrível trajetória deste grande visionário da música pop

David Bowie

Do começo: conhecer ao menos os discos mais laureados da obra de David Bowie, morto neste 10 de janeiro, é fundamental para qualquer pessoa com interesse pela cultura da segunda metade do século 20. O fato é que só a discografia dos Beatles pode fazer frente no quesito “tanto em tão pouco tempo” quanto os álbuns por ele gravados entre 1969 e 1980.

Isso não significa que depois ele nunca mais fez nada de interesse. Longe disso. Na verdade entre “Scary Monsters” (de 1980) e seus aclamados derradeiros álbuns (2013 e (2016) existe bastante coisa que merece ser revista ou mesmo conhecida.

Para quem só agora está tomando contato com o universo de Bowie, é mais interessante começar pelos discos mais clássicos, para se ter uma ideia de como ele conseguia mudar radicalmente a cada trabalho e, dessa forma, influenciar os artistas das mais diversas tendências que surgiram depois. Aos fãs mais antigos fica o convite para ouvirem seus discos mais obscuros ou ignorados. É incrível como em qualquer um deles é possível achar ao menos uma grande canção que lhe havia passado despercebida.

Esse disco a disco será dividido em duas partes. A segunda entra no ar amanhã.

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David Bowie – 1967

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David Bowie
David Bowie

É difícil acreditar que esse álbum, composto basicamente por canções pop das mais inofensivas, foi feito pelo homem que revolucionaria o mundo do rock alguns anos depois.

Gravado quando ele tinha apenas 20 anos, quase nada aqui, com a notável exceção de “Silly Boy Blue“, é digno de nota. O que não significa que em seus primeiros anos ele não gravou nada digno de nota. Alguns de seus compactos são bem divertidos – “Can’t Help Thinking About Me” (1966), que não faria feio em um disco do Who, sendo um bom exemplo.


David Bowie (Space Oddity) – 1969

David Bowie
David Bowie (Space Oddity)

O fracasso do primeiro disco quase que enterrou a carreira de Bowie. Apenas dois anos depois ele conseguiu lançar outro disco. Inicialmente também levando apenas o nome do cantor, que ostentava um visual hippie na capa, já melhorava bastante, com várias provas de que havia ali um cantor e compositor de voz única, ainda que um tanto sem rumo.

Felizmente ele tinha escrito uma canção irretocável que fez toda a diferença. “Space Oddity” foi usada pela BBC durante a transmissão da chegada do homem à lua e tornou-se o seu primeiro sucesso.


The Man Who Sold The World – 1970

David Bowie
The Man Who Sold The World

“Man…” ainda não pode ser chamado de perfeito, mas avança bem em relação aos seus predecessores. O disco marca a chegada do guitarrista Mick Ronson e do baterista Mick Woodmansey que o ajudariam a atingir o superestrelato no Reino Unido em muito breve.

“Man who sold…” é o mais perto que Bowie chegou do hard rock típico do início dos anos 70. Liricamente ele também é um trabalho pesado com letras inspiradas em Aleister Crowley e Nietzsche. A faixa título rendeu duas grandes covers, uma feita por Lulu em 1974 e, claro, a do Nirvana gravada em 1993.


Hunky Dory – 1971

David Bowie
Hunky Dory

A primeira obra-prima indiscutível, e o álbum que está se tornando o favorito dos críticos britânicos – nas listas de “melhores discos de todos os tempos” feitas recentemente pela Uncut e pelo NME ele foi o disco do artista mais bem colocado.

Aqui temos um pouco de tudo: uma canção pop perfeita que ainda serve de carta de intenções (“Changes“), uma balada intocável (“Life On Mars?“) e muito mais. Quem é fã já deve ter ouvido muito. Se esse não é o seu caso, pode começar a se embrenhar na obra dele por aqui que o tiro é certeiro.


Ziggy Stardust – 1972

David Bowie
Ziggy Stardust

Outro clássico indiscutível, foi com esse trabalho, um disco conceitual sobre um extraterrestre que chega à Terra cinco anos antes de seu fim, que a “Bowiemania” se instaurou no Reino Unido.

“Ziggy Stardust” é o retrato perfeito para se entender o rock do início da década de 70 e é outra impressionante coleção de rocks e baladas. Ele pode não ser um dos dez melhores discos já feitos ou mesmo o melhor de Bowie. Mas se sua coleção só tem espaço para dez discos de rock, “Ziggy” certamente deveria ser um deles.


Alladin Sane – 1973

David Bowie
Alladin Sane

Gravado durante os intervalos de uma daquelas turnês com dezenas e dezenas de shows, “Alladin Sane” (um trocadilho com “A Lad Insane” – ou “um cara maluco”) tinha tudo para ser um disco sem brilho para ser rapidamente esquecido.

Mas Bowie estava tão inspirado nessa época que até um disco feito na correria, acabou se mostrando outro grande clássico. Entre vários clássicos, vale destacar a dramática “Time” e a pesada “Panic In Detroit“. Quanto à capa, não é preciso falar nada. Icônica é pouco para descrevê-la


Pin Ups – 1973

David Bowie
Pin Ups

“Pin Ups” foi lançado pouco depois de Bowie ter posto um fim nos Spiders From Mars – a banda que esteve ao seu lado quando o sucesso chegou. Ainda assim o clima “Ziggy” é mantido já que Mick Ronson e o baixista Trevor Bolder tocaram nesse curioso álbum de covers de bandas britânicas (além de “Friday On My Mind” dos australianos do Easybeats) que fizeram a cabeça dele nos anos 60.

Entre os homenageados estão The Who, Kinks, Yardbirds e o Pink Floyd. Planos para uma sequência com covers de artistas americanos, foram feitos, mas a ideia nunca se concretizou.


Diamond Dogs – 1974

David Bowie
Diamond Dogs

Apesar de Bowie aparecer com o visual Ziggy na capa, “Diamond Dogs” é um trabalho bem diferente dos antecessores.

À princípio ele queria ter feito um musical baseado em “1984” de George Orwell, mas a família do autor não o autorizou. Ainda assim o disco não esconde suas origens – vide canções como “Big Brother” e a própria “1984“.

Musicalmente o álbum é variado. A faixa título e o single luminoso “Rebel Rebel” são os destaques, mas vale prestar atenção em seus momentos mais introspectivos e experimentais.


Young Americans – 1975

David Bowie
Young Americans

Em 1975 Bowie estava radicado nos EUA e cada vez mais fissurado na música negra que era feita no país. Dessa paixão nasceu esse disco de, em suas palavras, “soul plástico”, que mesmo não sendo perfeito também insere-se entre os seus clássicos.

Daqui saíram “Fame“, seu primeiro single a chegar ao número 1 nos EUA, escrita em parceria com John Lennon e a brilhante faixa-título. “Americans” também é marcado pela chegada do guitarrista Carlos Alomar que, entre idas e vindas, tocou com ele até 2003


Station To Station – 1976

David Bowie
Station To Station

Um disco onde paranoia é a palavra chave e, para muitos, o seu melhor trabalho. “Station” marca a chegada de uma nova persona – o “magro duque branco” e foi feito numa época em que o cantor estava mergulhado na cocaína e, dizem, se alimentando apenas de leite e pimentas. Um interesse não muito saudável pro magia negra e ocultismo também ajudaram a dar o clima assustador que permeia o disco.

“Station” marca o início do interesse de Bowie pela música eletrônica alemã e tem momentos de leveza, seja na dançante “Golden Years” ou na linda balada “Word On A Wing“.


Low – 1977

David Bowie
Low

O primeiro álbum da (erroneamente) chamada “trilogia de Berlim”, gravada com a colaboração de Brian Eno. Sentindo que precisava sair de Los Angeles se não quisesse morrer, Bowie chamou Iggy Pop – que também estava em situação crítica – e rumaram para a Alemanha.

Lá eles entraram (mais ou menos) nos eixos e gravaram uma série de álbuns antológicos. “Low” é dividido em duas metades. O lado A é um pouco mais tradicional, ainda que longe do pop mais comercial. Já o B é todo tomado por faixas instrumentais com os sintetizadores tomando a frente.


“Heroes” – 1977

David Bowie
“Heroes”

“”Heroes'” é um pouco menos radical que “Low”, ainda que o clima claustrofóbico e a instrumentação eletrônica seja mantida, assim como alguns instrumentais.

Outro disco dele que sempre aparece nas listas de “melhores discos de todos os tempos”, esse tem “Sons Of The Silent Age“, “Blackout” e outros clássicos. Mas, principalmente, traz outra música que para sempre definirá esse artista genial. Falamos da faixa título é claro, outra canção dele fundamental na história da música contemporânea.


Lodger – 1979

David Bowie
Lodger

O último disco da trilogia é o menos celebrado deles, algo até um pouco injusto, ainda que ele seja certamente inferior aos dois antecessores.

“Lodger” tem pelo menos três singles antológicos – “D.J.“, “Boys Keep Swinging” e “Look Back In Anger” e também merece ser lembrado por seu pioneirismo no uso da “música do mundo” em um contexto pop – vide “African Night Flight“.

“Lodger” é um disco que vale a pena ser redescoberto, especialmente pelos fãs que têm o disco mas não o escutam com frequência.


Scary Monsters (And Super Creeps) – 1980

David Bowie
Scary Monsters (And Super Creeps)

Por um bom tempo, esse álbum foi referido como “o último disco irretocável de David Bowie. Ainda que, com o tempo, outros de seus trabalhos tenham sido elogiados, ou passaram por reavaliação, é certo afirmar que só em 2013 ele fez algo tão bom quanto “Scary Monsters”, o trabalho que, como disse a revista Mojo recentemente, “inventou os anos 80”.

Exageros (ou não) à parte, ele de fato é muito bom, e ainda tem “Fashion e “Ashes To Ashes“. É nessa música onde sabemos do triste destino do Major Tom de “Space Oddity“.

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