“Futuro da animação está nos celulares”, diz diretor de “Príncipe do Egito”

“Não existe trabalho melhor do que o meu”, repete algumas vezes Steve Hickner, que dirigiu “O Príncipe do Egito” (1998), “Bee Movie: A História de uma Abelha” (2007), além de ter trabalhado como animador em “Uma Cilada para Roger Rabbit” (1988), “Shrek para Sempre” (2010) e “O Caminho para El Dorado” (2000), além de séries de TV como “He-Man e os Defensores do Universo” e mais diversas outras produções.

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“Não existe trabalho melhor do que o meu”, repete algumas vezes Steve Hickner, que dirigiu “O Príncipe do Egito” (1998), “Bee Movie: A História de uma Abelha” (2007), além de ter trabalhado como animador em “Uma Cilada para Roger Rabbit” (1988), “Shrek para Sempre” (2010) e “O Caminho para El Dorado” (2000), além de séries de TV como “He-Man e os Defensores do Universo” e mais diversas outras produções.

“Eu vou completar 36 anos de animação e posso dizer que nunca, no caminho de casa para o escritório, parei e pensei: ‘Como meu trabalho é chato'”, completa o norte-americano, que está no Brasil para participar do festival Anima Mundi, que aconteceu até esta quarta (15) no Rio de Janeiro e ocorre de 17 a 22 de julho em São Paulo. “A maior atração do meu trabalho é poder conhecer gente interessante o tempo todo”, comenta.

Hickner é um dos convidados principais do evento que reúne profissionais, aspirantes e fãs do cinema de animação. Em sua 23ª edição e com cerca de 450 filmes de 40 países, além de palestras, fóruns de discussão e atrativos variados, o Anima Mundi pretende apresentar um panorama do que é –e o que pode ser– o mercado das animações.

E, para Hickner, esse gênero se encontra diante de um momento importante. "O futuro da animação não está no cinema, mas nos celulares", diz. "Os dispositivos móveis não têm limites. Não dá nem para imaginar o que podemos fazer com aparelhos desses em nossas mãos."

Reprodução/Dodge College

"Futuro da animação está nos celulares", diz diretor de "Príncipe do Egito"

"Futuro da animação está nos celulares", diz diretor de "Príncipe do Egito"

Tecnologia

Acostumado com outro tipo de indústria, o ex-funcionário dos estúdios DreamWorks, Disney e Hanna-Barbera lembra que "nos anos 90, todo o mundo pensava em aumentar a qualidade do produto para aumentar a audiência. Mas aí surgiram novos formatos mobile, e a indústria percebeu que as pessoas estavam dispostas a aceitar algo menos perfeito desde que pudessem levá-lo para qualquer lugar. Vivemos a mesma coisa hoje", explica.

"Grande parte das pessoas, principalmente os jovens, já consomem quase tudo via celular, smartphone, tablet”, continua o americano. “Então é um passo natural que nós, do meio, comecemos a fazer animação não só pensando nesse formato, mas também usando esses dispositivos", explica.

De acordo com Hickner, o mercado de animação está "em constante transformação" e existe nesse processo uma "lacuna" a ser preenchida pela nova geração de animadores. "E sem dúvida os curtas-metragens são a maior chance de mudança", completa.

"Os longas são geralmente feitos com animação gráfica, como nos EUA, ou animação baseada no desenho tradicional, como na Europa", explica Hickner. "Os curtas, por outro lado, podem misturar tudo isso e muito mais. A tecnologia tornou possível que todos os filmes feitos em qualquer lugar do mundo fiquem muito parecidos em termos técnicos, então o que acaba se sobressaindo são os conteúdos regionais, os contextos locais", diz. "E os curtas são ótimos para dar essa liberdade aos cineastas", conclui.

Futuro

Apesar de trabalhar nos Estados Unidos, Hickner acompanha as produções comerciais e independentes que surgem pelo mundo. Sua aposta é que as diferenças regionais farão cada vez mais diferença nesse processo.

"Como um conselho aos cineastas iniciantes, eu diria que é preciso aprender sobre a história da animação, conhecer os grandes mestres e saber o que eles fizeram", ensina Hickner. "A partir daí, estudar o que é o mercado hoje. Conhecendo o meio é mais fácil encontrar as oportunidades e preenchê-las com sua capacidade e sua paixão."

O animador indica um possível caminho. "Uma das grandes questões agora é saber como monetizar essa mudança, como fazer com que a animação continue acessível e com que os artistas responsáveis tenham um retorno justo por suas criações. Quem pensar nisso já estará largando na frente", conclui.