De volta à TV, Cranston vive presidente americano em momento de polarização

Divulgação/HBOTelefilme "Até o Fim" mostra articulação do presidente Lyndon Johnson com Martin Luther King para aprovar a Lei dos Direitos Civis de 1964

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    De volta à TV, Cranston vive presidente americano em momento de polarizaçãoTelefilme “Até o Fim” mostra articulação do presidente Lyndon Johnson com Martin Luther King para aprovar a Lei dos Direitos Civis de 1964

Um país polarizado, com debates intensos sobre a questão racial, protestos e questões antigas sobre direitos humanos: o cenário poderia se referir aos Estados Unidos de 2016, mas é o pano de fundo do telefilme “Até o Fim”, da HBO, que traz Bryan Cranston como Lyndon B. Johnson, o presidente norte-americano que aprovou a histórica Lei dos Direitos Civis de 1964, que estabelecia o fim de práticas de segregação racial.

Adaptação da premiada peça homônima da Broadway, também com Cranston no papel principal, a peça chamou a atenção da HBO ainda pelo paralelo com o momento político vivenciado pelos Estados Unidos – que além de lidar com tensões raciais, vive um período de eleições conturbado, polarizado entre as figuras de dois presidenciáveis: a democrata Hillary Clinton e o megaempresário republicano Donald Trump.

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De volta à TV, Cranston vive presidente americano em momento de polarização
Bryan Cranston interpreta Lyndon B. Johnson no filme “Até o Fim”

“[A peça] mostra um país muito polarizado, mostra racismo institucional, mostra a necessidade de ter diferentes tipos de liderança, que espalhem ideias positivas, e a quantidade de trabalho necessário, emocional e pragmaticamente, para passar esse tipo de leis”, afirmou Len Amato, presidente da HBO Films, . “Nós vimos que isso, claro, refletia muito não só o nosso país, mas o nosso mundo. E, no momento, você vê versões desse tipo de polarização refletido na campanha presidencial dos Estados Unidos”.

De volta à TV em seu primeiro papel de destaque após o fim de “Breaking Bad”, em 2013, Cranston entrega uma interpretação intensa do presidente ambicioso que assumiu após o assassinato de John F. Kennedy, 1963. Não à toa, ele levou um prêmio Tony em 2014 pelo papel e chamou atenção da própria HBO e de Steven Spielberg, que viria a se tornar o produtor executivo da adaptação ao lado do próprio Cranston e de Robert Schenkkan, o autor da peça.

Na telinha, é bem explorada também a figura de Martin Luther King (interpretado por Anthony Mackie), que trabalhou em conjunto com Johnson para a aprovação da Lei dos Direitos Civis, em uma relação atribulada – fica evidente na produção o receio de que os democratas tinham de que o movimento negro fosse visto como mais poderoso do que o partido.

“Há dois grandes líderes, mas [o filme] mostra o esforço para um confiar no outro, para elogiar um ao outro, e evidencia os diferentes tipos de liderança que cada uma dessas figuras icônicas escolheu”, avaliou Amato. “Martin Luther King teve uma dissidência dentro de seu próprio grupo, enfrentou uma desconfiança vinda de Lyndon Johnson e também teve de descobrir o real desafio de trabalhar com o presidente. E o presidente Johnson teve a tarefa difícil de lidar com os democratas, que em grande parte eram responsáveis pelo sucesso politico dele, que começou no Texas. Mostra a posição muito corajosa que ele tomou, de se libertar das velhas ideias e trazer o partido democrata para uma posição progressista, uma posição única em favor da legislação dos direitos civis”.

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