Documentário empodera gays e viraliza ao tirar o estigma da palavra “bicha”

Reprodução/YouTube"Bichas", documentário do pernambucano Marlon Parente disponível no YouTube

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    Documentário empodera gays e viraliza ao tirar o estigma da palavra "bicha"“Bichas”, documentário do pernambucano Marlon Parente disponível no YouTube

Com formato simples e mensagem direta, o documentário “Bichas” tem feito barulho nas redes sociais. Disponibilizado gratuitamente no YouTube desde o último sábado (20), o vídeo de 39 minutos já contabiliza mais de 100 mil visualizações. O filme foi idealizado e editado por Marlon Parente, um publicitário pernambucano de 23 anos.

Em “Bichas”, seis personagens reais contam suas histórias desde a saída do armário até a aceitação do termo “bicha” como um elogio e não mais uma ofensa. Eles começam contando como foi a recepção da família, as primeiras experiências homoafetivas, as ofensas desde a infância e a violência que ainda sofrem.

Peu Carneiro, Bruno Delgado, João Pedro Simões, Igor Ferreira, Italo Amorim e Orlando Dantas são os personagens do documentário. Todos na faixa dos 20 e poucos anos e orgulhosamente bichas.

Uma das histórias mais marcantes é a de Bruno Delgado, que chegou a tentar o suícidio para fugir da sociedade que o oprimia. Ele conta que foi levado para uma terapia aos 8 anos de idade e forçado a imitar comportamentos considerados masculinos para ser aceito pela própria família. Por um ano, a criança teve de adequar seu tom de voz e até mesmo a maneira de andar.

Aos 16 anos, Bruno conheceu seu primeiro namorado – “foi uma explosão de vida” – e decidiu conversar com a mãe sobre ser gay. Para sua surpresa, duas semanas depois desta conversa a mãe também resolveu sair do armário. Foi ali que ele percebeu que tudo o que passou desde a infância era porque a mãe tinha medo que ele sofresse como ela. “Ela precisava de mim mais do que eu precisava dela naquele momento”.

Em comum entre os entrevistados, a repressão da família e dos colegas desde a infância e o uso da palavra “bicha” e “veado” como uma ofensa constante desde a infância.

Entre os diversos depoimentos, os garotos explicam que a apropriação do termo bicha pela própria comunidade gay veio como uma forma de defesa entre eles, que acabam transformando a ofensa em termo carinhoso. “Ressignificando a palavra a gente muda a nossa perspectiva”, explica João Pedro Simões, o único negro do grupo.

João Pedro vai além e também aborda questões de racismo dentro do próprio mundo gay. “Ser bicha é maravilhoso, mas a bicha preta periférica está tentando sobreviver todos os dias”, fala ao abordar seu duplo ativismo.

A mensagem final de “Bichas” é a aceitação do termo principalmente entre os jovens que estão no momento de se assumir perante a família e a sociedade. “A cara do movimento gay é a bicha afeminada. A gente levantar uma bandeira é a gente proteger um ao outro”, conclui Italo Amorim.

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