Mulheres que chutam bundas: novas heroínas são celebradas na CCXP

Mulher-Aranha, Batgirl, Viúva Negra, Mulher Maravilha… Os quadrinhos estão cheios de super-heroínas tão ou mais poderosas do que seus colegas do sexo masculino. E Hollywood finalmente está se dando conta disso. Enquanto aguardamos os filmes da Mulher Maravilha e da Capitã Marvel, só neste ano já estrearam três séries que trazem mulheres dos quadrinhos como protagonistas: “Agent Carter”, “Supergirl” e “Jessica Jones”.

A mudança é mais do que bem-vinda entre as fãs de cultura pop, participantes de painéis e produtoras de quadrinhos que circularam na segunda edição da Comic Con Experience (CCXP), que terminou neste domingo (6) em São Paulo, e foram consultadas pela reportagem do Popzone.
Lucas Lima/Popzone

Comic Con Experience

Cosplay de Vampira, Lilian elogiou abordagem realista de “Jessica Jones”

Comic Con Experience Fazendo cosplay da Vampira, dos X-Men, a paulistana Lilian, aprovou tanto as séries quanto o tom mais adulto que as heroínas têm recebido nos quadrinhos. “Elas estão ficando mais humanas, mais fortes e independentes. Você já tinha personagens com personalidade muito marcante e agora eles realmente estão trazendo isso pro real”, disse ela, que ainda elogiou a abordagem realista de “Jessica Jones” em relação ao estupro e ao abuso. “Começa a trazer aquele problema que as mulheres passam, e trazendo isso muitas mulheres começam a se influenciar, ver uma oportunidade de, de repente, como no caso dela, tentar evitar que isso aconteça, ou ver que cada um tem a sua força”.

Com o elenco presente na CCXP, “Jessica Jones” também foi lembrada como exemplo no painel Furiosas: Mulheres Que Chutam Bundas, que reuniu uma turma de blogueiras, youtubers e gamers para debater a onda de heroínas na cultura pop.
“Nunca tivemos tanto feedback no nosso blog como agora depois que publicamos textos sobre ‘Jessica Jones’. As mulheres se sentem mais seguras de compartilhar suas histórias. Acho que todo mundo já teve ou conheceu um Kilgrave [vilão que controla a mente de Jessica na série] na vida”, afirmou Rebeca Puig, do blog Collant Sem Decote.
Fã da série “Gotham”, da DC, a carioca Larissa já colocou “Supergirl” em sua lista de séries para ver nas férias. Vestida como a heroína, ela ressaltou que até séries protagonizadas por homens estão começando a ter personagens femininas fortes. “Até em ‘Gotham’ teve a Fish, uma personagem feminina muito forte, tem a Mulher Gato, que ainda é criança, mas também é muito forte, acho isso bacana. Tem que ter espaço, porque o público não é só masculino, o público feminino está curtindo muito”.
Ansiosa pelo filme da Mulher-Maravilha, a adolescente Diana também vê um maior destaque das personagens femininas no geral. “Estou gostando bastante porque agora estão dando mais atenção para todos os personagens. Alguns que eram secundários eles não davam tanta atenção”, disse.
Beatriz Amendola/Popzone

Comic Con Experience

Ana Luiza Koehler escreveu HQ com protagonista negra em Porto Alegre

Comic Con Experience Mais mulheres produzindo

Para Juliana, uma das mulheres que disputou os ingressos para a sessão de autógrafos surpresa de “Jessica Jones”, as séries de heróis vêm acompanhadas de uma maior representatividade nas séries em geral: “Eles estão abordando não só a mulher como heroína em séries de super-heróis. A gente tem séries que abordam as mulheres de outras formas como heroínas, como ‘Scandal”, criada por Shonda Rhymes, autora que tem no currículo outras duas séries protagonizadas por mulheres poderosas: “Grey’s Anatomy” e “How To Get Away With Murder”.
Esta última rendeu para Viola Davis o Emmy de Melhor Atriz de Série este ano, pela primeira vez entregue a uma mulher negra. Em seu discurso, a intérprete disse que o prêmio só foi possível porque uma autora negra “ousou” escrever uma protagonista que a representasse.
Integrante de uma mesa de mulheres no Artist’s Alley, local reservado para produtores exporem suas HQs no evento, a quadrinista Ana Luiza Koehler concorda com Viola e diz que, quanto mais mulheres produzirem conteúdo, mais diversificada vai ser a representação das heroínas.
“Nos meus quadrinhos, eu coloco mulheres negras como heroínas, mulheres que fogem do padrão de modelo, mulheres não necessariamente bonitinhas. Procuro dizer que essas mulheres também merecem ter suas histórias contadas”, afirmou a autora de “O Beco do Rosário”, HQ que conta a história da modernização de Porto Alegre no século 20 pela ótica de uma protagonista negra.
Uma das palestrantes do painel Diversidade na Cultura Pop, a escritora Aline Valek acredita que houve avanços, mas ainda há problemas na relação entre heroínas e suas produções, como o fato de o filme de “Capitã Marvel” ter sido adiado para 2019. “Ao mesmo tempo que dá para comemorar que tem coisa boa saindo, tem o tratamento que essas heroínas recebem: ou que recebem comentários machistas, ou que a mídia faz uma cobertura machista, ou no cinema a gente sempre é deixada por último”.
Para Kelly Cristina Nascimento, do blog Minas Nerds, o modo como as mulheres são retratadas na cultura pop só tem a evoluir. “Tenho uma filha de três anos e fico feliz que ela vai crescer numa cultura pop que não tem só princesas para se inspirar. O problema não são as princesas, o problema é só ter princesa”, disse.
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