Em “ano teatral”, Marcos Breda faz “vaquinha virtual” para lançar livro

Bruno Poletti/FolhapressO ator Marcos Breda irá lançar livro sobre relação entre capoeira e preparação de atores

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    Em "ano teatral", Marcos Breda faz "vaquinha virtual" para lançar livro

    O ator Marcos Breda irá lançar livro sobre relação entre capoeira e preparação de atores

Afastado das novelas desde 2011, o ator Marcos Breda tem se dedicado bastante ao teatro em 2015 – até o fim do ano, serão quatro peças – e a um novo projeto: o livro “A Capoeira e o Ator”, que deve ser lançado ainda neste ano caso seja atingida a meta de R$ 17.500 em um site de crowdfunding, espécie de “vaquinha” virtual.

A ideia nasceu nos anos 1990, quando Marcos – que se formou em Letras depois de fazer quatro anos de engenharia – cursava mestrado em teatro e, ao perceber como a capoeira podia beneficiar o trabalho dos atores, decidiu explorar o assunto na sua tese. Na época, o ator já praticava o esporte há quase o mesmo tempo em que atuava: ele começou a trabalhar como ator em 1981, e a jogar capoeira, em 1984.

“No jogo de improvisação, você não pode dizer não para a sugestão de um colega, você ouve e cria algo a partir daquilo. No jogo de capoeira, é a mesma coisa, você não bloqueia o movimento do colega, você acolhe e cria o seu movimento, improvisadamente. Basicamente, a capoeira treina o ator para o jogo de improvisação”, explicou Breda em entrevista ao Popzone.  

Reprodução

Em "ano teatral", Marcos Breda faz "vaquinha virtual" para lançar livro

Marcos Breda pratica capoeira desde os anos 1980

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Mas muitas outras habilidades ligadas ao trabalho dos atores podem ser treinadas na capoeira, segundo o ator. “Ela trabalha também com a limpeza do gesto, com equilíbrio, com a capacidade de você explorar o espaço atrás do seu olhar – o jogo de capoeira é 360, então você aprende a ter o foco difuso. Você esta contracenando com seu colega, mas você observa tudo ao redor: a roda, quem entra e sai”.

A intenção de Breda era aprofundar a tese em um doutorado, mas a vida profissional movimentada e a chegada de seus dois filhos, Jonas e Daniel, o fez adiar o projeto. “Vários amigos perguntavam ‘Mas por que você não transforma em livro?’, e depois de muitos anos resolvi fazer isso”, contou o ator. O motor do projeto foi o contato da Bookstart, plataforma de financiamento coletivo voltada ao mercado editorial – e que também atua como editora.

Até agora, a vaquinha foi apoiada por 32 pessoas e arrecadou R$ 1.1140 dos R$ 17.200 pretendidos. As contribuições começam nos R$ 15 e vão aos R$ 2.800, com recompensas como nome nos agradecimentos do livro, uma aula de capoeira e até um dia ao lado de Marcos Breda. “Essas recompensas foram junto com o pessoal da editora. Fomos criando isso juntos”. É possível colaborar até o dia 8 de setembro.

Ano teatral
“Esse ano tem sido o ano mais teatral da minha vida”, definiu Breda, que atuou em 28 peças os seus 35 anos de carreira. Em janeiro e fevereiro, esteve em cartaz com a peça “Garagem” – e em junho, com “Oleanna”. Nesta sexta-feira (31), ele estreia no Rio de Janeiro a peça “O Beijo No Asfalto”, montagem da obra de Nelson Rodrigues. Em setembro, a peça vem para São Paulo, e o ator começa a ensaiar sua quarta peça do ano, “Irmãozinho Querido”, que estreia em novembro. 

Ele ainda está produzido seu primeiro longa de cinema. “É uma adaptação do romance ‘Tambores Silenciosos’, do Josué Guimarães, e isso é pra ser rodado em 2017. Vou produzir e protagonizar”, contou.

Longe das novelas desde “Amor e Revolução” (2011), o ator consideraria voltar a uma trama do gênero. “Sem problemas, eu sempre gostei. E sempre consegui conciliar as duas ou três atividades sem nenhum problema. Gosto de trabalhar, são 35 anos direto ralando”. Sua última aparição na TV foi em “Sexo e as Negas”, como o pai de família Alaor – e ele irá voltar á telinha no seriado “República do Peru”, da TV Brasil.

Mas apesar da agenda apertada, o ator tem ainda mais projetos em vista. “Tenho milhões de projetos. Tenho um projeto de uma peça com o Ary Fontoura, um outro com o Ney Latorraca. São pessoas amigas, atores que admiro. Admiro muita gente, muitos personagens e peças que eu gostaria de fazer, o que não faltam são ideias e parceiros legais para trabalhar.”

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