Produtores tiveram de criar “personagens-HD” para Dory virar protagonista

Quando um filme faz tanto sucesso quanto “Procurando Nemo” fez 13 anos atrás, é natural que o público crie expectativas sobre uma sequência. A apresentadora Ellen DeGeneres, que dava voz à personagem Dory, uma das mais carismáticas da animação, foi uma das que fez campanha por uma continuação durante anos em seu programa vespertino.

O que ela não esperava era que Dory virasse, desta vez, a personagem principal. E quando a Pixar resolveu que o novo longa se chamaria “Procurando Dory”, criou-se um problema para o diretor Andrew Stanton e para a produtora Lindsay Collins: encontrar rumo para ela como protagonista. Afinal, a principal característica de Dory é esquecer o que acabou de acontecer.

“Ela foi um personagem muito difícil de transformar em protagonista por causa da sua perda de memória recente. Eu não a via como protagonista por causa disso. Quanto mais eu escrevia, mais eu a via como uma personagem sem destino, que não ia a lugar nenhum, boba e que ia ser sempre engraçada e passiva”, disse Stanton durante uma entrevista de lançamento da produção no aquário da Baía de Monterrey, na Califórnia, que serviu de inspiração para a principal locação do filme.

Segundo ele, o desafio era grande porque todo herói passa por uma transformação no curso de sua história. “Um personagem principal precisa de um meio de refletir sobre sua vida. E por causa de sua perda de memória ela não conseguia lembrar onde ela estava nos últimos cinco minutos. Quando localizamos esse problema, no entanto, conseguimos pensar em vários meios de solucioná-lo.”

Um deles, segundo o diretor, foi fazer com que os personagens coadjuvantes funcionassem como uma memória auxiliar de Dory. Como se ela fosse um computador que necessitasse o tempo todo estar conectado a um HD externo.

O principal deles é Hank, um polvo com apenas sete tentáculos que acaba se tornando companheiro de aventura de Dory. Personagens do passado também funcionam no filme dando pistas à protagonista, assim como as paisagens que ela frequenta durante sua trajetória em busca de sua família. “Basicamente ela é um computador sem HD”, brincou o diretor.

Mas, para a produtora, outro compromisso era essencial no que diz respeito a Dory.

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Quando um filme faz tanto sucesso quanto “Procurando Nemo” fez 13 anos atrás, é natural que o público crie expectativas sobre uma sequência. A apresentadora Ellen DeGeneres, que dava voz à personagem Dory, uma das mais carismáticas da animação, foi uma das que fez campanha por uma continuação durante anos em seu programa vespertino.

O que ela não esperava era que Dory virasse, desta vez, a personagem principal. E quando a Pixar resolveu que o novo longa se chamaria “Procurando Dory”, criou-se um problema para o diretor Andrew Stanton e para a produtora Lindsay Collins: encontrar rumo para ela como protagonista. Afinal, a principal característica de Dory é esquecer o que acabou de acontecer.

“Ela foi um personagem muito difícil de transformar em protagonista por causa da sua perda de memória recente. Eu não a via como protagonista por causa disso. Quanto mais eu escrevia, mais eu a via como uma personagem sem destino, que não ia a lugar nenhum, boba e que ia ser sempre engraçada e passiva”, disse Stanton durante uma entrevista de lançamento da produção no aquário da Baía de Monterrey, na Califórnia, que serviu de inspiração para a principal locação do filme.

Segundo ele, o desafio era grande porque todo herói passa por uma transformação no curso de sua história. “Um personagem principal precisa de um meio de refletir sobre sua vida. E por causa de sua perda de memória ela não conseguia lembrar onde ela estava nos últimos cinco minutos. Quando localizamos esse problema, no entanto, conseguimos pensar em vários meios de solucioná-lo.”

Um deles, segundo o diretor, foi fazer com que os personagens coadjuvantes funcionassem como uma memória auxiliar de Dory. Como se ela fosse um computador que necessitasse o tempo todo estar conectado a um HD externo.

O principal deles é Hank, um polvo com apenas sete tentáculos que acaba se tornando companheiro de aventura de Dory. Personagens do passado também funcionam no filme dando pistas à protagonista, assim como as paisagens que ela frequenta durante sua trajetória em busca de sua família. “Basicamente ela é um computador sem HD”, brincou o diretor.

Mas, para a produtora, outro compromisso era essencial no que diz respeito a Dory.

“Como muita gente se identifica com ela, era essencial que a gente não tentasse ‘consertá-la’. Se você pudesse encontrá-la com depois desse filme e perguntasse como ela se sente em relação a seu problema de memória, ela provavelmente diria: ‘Me sinto bem. É assim que eu sou…'”

Dory, assim como Nemo e sua mini nadadeira, não são os únicos que têm obstáculos a superar nesta produção que já estreou no topo das bilheterias americanas duas semanas atrás. Destiny, a tubarão baleia que em determinado momento também cruza com a peixinha esquecida, é míope. Outro dos novos amigos de Dory, Bailey, uma baleia beluga, bateu a cabeça e está com problema em seu sonar.

“Quisemos fazer um grupo de personagens que, como todo mundo, tivessem alguma coisa que os deixasse inseguros. Ninguém é perfeito”, respondeu a produtora.

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Produtores tiveram de criar "personagens-HD" para Dory virar protagonista
Cena da animação “Procurando Dory” traz suposto casal de lésbicas

Produtores tiveram de criar "personagens-HD" para Dory virar protagonista

Lésbicas?

Mesmo com tanta diversidade, o filme não ficou longe da controvérsia. Tudo por causa de uma cena de poucos segundos em que duas mulheres aparentam estar passeando pelo aquário do filme junto de uma criança. Houve quem visse naquilo a representação de um casal gay.

E houve quem visse nisso um motivo para boicotar o filme. Meses depois do encontro no aquário de Monterrey, o elenco de dubladores falou com a imprensa sobre o filme, desta vez em um hotel de Beverly Hills.

Na ocasião, a questão da sexualidade daquelas duas mulheres foi levada a Ellen DeGeneres pela reportagem do UOL. DeGeneres, lésbica assumida há anos e uma das apresentadoras preferidas do público nas tardes na TV americana, fez graça.

“Eu só fiquei sabendo disso quando as li as notícias na internet. Assisti ao filme e fiquei procurando. Procurando lésbicas! Posso dizer com 100% de certeza de que não tem nenhum casal de lésbicas ali. O que vi foi apenas uma mulher de cabelo muito feio. Isso é ruim para a reputação das lésbicas. Não é porque você é lésbica que você terá um corte de cabelo feio. No entanto, durante o filme, em várias cenas aparecem um peixes de fundo que eu tenho certeza de que são gays”, completou arrancando gargalhadas da plateia.

Andrew Stanton e Lindsay Collins, os criadores da história, saíram pela tangente e disseram que não perguntaram às personagens se elas eram mesmo lésbicas.

Polêmicas à parte, o fato é que “Procurando Dory” conserva a essência de “Procurando Nemo”: é um filme sobre a busca por aqueles que amamos, mesmo quando tudo parece estar perdido. A diferença é que Dory, desta vez, parece mais trágica do que antes. Mesmo assim, ela nunca perde o otimismo, talvez até mesmo por aquilo que deveria ser seu maior defeito: esquecer as coisas.

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