Eficiente no terror, “Invocação do Mal 2” inova misturando romance e medo

Filmes de terror funcionam para muita gente como uma montanha russa: quando você está lá pelo quinto susto você se pergunta: "que diabos eu estou fazendo aqui?", "por que mesmo eu estou pagando pra passar medo?"

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Filmes de terror funcionam para muita gente como uma montanha russa: quando você está lá pelo quinto susto você se pergunta: “que diabos eu estou fazendo aqui?”, “por que mesmo eu estou pagando pra passar medo?”

Talvez por isso, o diretor de “Invocação do Mal 2”, James Wan resolveu dar alguns alívios entre um susto e outro em seu novo longa, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (9).

Primeiro que ele investe com sensibilidade e sem melodrama na história de amor entre o casal Lorraine e Ed Warren (Vera Farmiga e Patrick Wilson, respectivamente), com direito até a uma cena em que Wilson dá um show de interpretação fazendo um cover de Elvis Presley.

“Foi a primeira cena que escrevi”, diz o diretor, que afirma ter pensado em deixá-la de fora, mas acabou mudando de ideia. “Fiquei pensando no que poderia fazer para que esse filme fosse diferente dos outros filmes de terror. Não vejo esse tipo de cena em filmes de terror. Dá um alívio para a plateia. Além do mais, as pessoas sempre me elogiam por meus sustos, pelos meus fantasmas, mas já fiz isso à exaustão.”

Vera Farmiga e Patrick Wilson inclusive fizeram uma brincadeira sobre isso durante as entrevistas de divulgação do filme. “Tem uma razão no filme que faz com que o romance tenha que ser uma parte forte da história. Não tivemos escolha. Fomos contratados para que parecêssemos terrivelmente apaixonados”, disse ela, ao que ele completou: “Contratados para isso, que fique bem claro! (risos)”

Na verdade, disse Wan, sua intenção com essas cenas — e outras de humor, com diálogos bastante sarcásticos — é fazer de “Invocação do Mal 2” um filme mais próximo ao drama.

“É muito diferente dos outros filmes de terror que eu vejo. Quis retratar toda atmosfera cultural de Londres, os Beatles, os punks. Dá uma dimensão maior de realidade”, complementa.

Realidade com ficção

O compromisso com o realismo se deve ao fato de que a história de possessão demoníaca retratada no filme ocorreu, com algumas variações, em 1978 em uma casa em Enfield, subúrbio de Londres. É um dos casos de eventos sobrenaturais mais documentados do mundo, embora, na vida real, o casal Warren não tenha tido um papel de destaque como o filme mostra.

A família Hodgson que habitava a casa, no entanto, chegou a visitar o set de filmagem. Como todos os casos do tipo, muita gente põe em dúvida a veracidade dos fatos relatados, inclusive as gravações que mostram a menina Janet Hodgson falando como se estivesse possuída por um homem que morrera naquela casa anos antes.

Tanto Vera quanto Patrick afirmar nunca terem presenciado qualquer evento do gênero e, embora se mantenham céticos, afirmam acreditar que a família realmente viveu uma experiência bastante traumática.

“Para mim, o mais chocante foi saber que a Janet Hodgson admitiu ter fingido pelo menos 2% de tudo o que aconteceu lá”, conta Vera Farmiga.

“Eu conheci Janet e Margareth e percebi, durante sua visita ao set, que aquilo era muito difícil para elas. Elas pareciam traumatizadas. Não acho que trouxe boas memórias. Senti que definitivamente há uma parte deles que ainda está profundamente afetada pelos eventos ocorridos”, analisa a atriz Madison Wolf, que interpreta Janet no filme.

Para Frances O’Conner, que interpreta a mãe da família Hodgson, há outro aspecto importante que depõe a favor dos Hodgson: “Eles nunca obtiveram qualquer vantagem financeira, nem nunca exploraram o caso na mídia. Foi algo que, a meu ver, eles nunca superaram e jamais querem vivenciar outra vez. Eles não falam muito disso.”

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