Disco a Disco: Conheça a discografia do Pink Floyd!

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Prepare-se para os shows de David Gilmour no Brasil lendo o nosso especial sobre a banda que o revelou

A história do Pink Floyd é uma das mais conturbadas já vistas no rock. Não é exagero compará-la a uma novela ou um grande dramalhão com direito a tragédia, sucesso, brigas e “fortes emoções”. Nesse meio tempo eles também gravaram vários discos de sucesso – incluindo “Dark Side Of The Moon” o terceiro álbum mais vendido de todos os tempos – e podem ser orgulhar de fazer parte daquele seleto grupo de bandas que todo mundo parece conhecer.

Pink Floyd

De maneira simplista, podemos dividir a carreira do Floyd em quatro fases. A primeira engloba o pouco tempo em que eles foram uma das melhores bandas psicodélicas do planeta sob a liderança do genial Syd Barrett.

Infelizmente, o músico acabou expulso do grupo que ele mesmo criou, depois que o excessivo consumo de drogas como o LSD acabaram por comprometer severamente a sua saúde mental.

Barrett ainda gravaria dois discos solo – que contaram com a ajuda de seus ex-colegas – antes de abandonar de vez a música e tornar-se um homem recluso e enlouquecido até sua morte em 2006. Apesar de escasso, seu legado é enorme, e Barrett é facilmente, uma das figuras mais influentes de todo o rock.

Pink Floyd

A segunda etapa tem início com a chegada do guitarrista e vocalista David Gilmour assumindo o posto de Barrett. Ela vai de 1968 a 1972, época de discos mais experimentais, que não vendem muito mas ajudam a criar uma boa reputação e dar uma base de fãs para o grupo.

Esse período é marcado também por uma certa democracia, com o baixista Roger Waters, Gilmour, o tecladista Rick Wright e mesmo o baterista Nick Mason escrevendo as canções.

Com o lançamento de “The Dark Side Of The Moon” em 1973 essa formação do Pink Floyd atinge sua plenitude artística e comercial. Os quatro finalmente encontram o seu som que segue aberto a experimentações, mas é bem mais acessível e – como logo se veria – universal.

Pink Floyd

É também a partir desse ponto que Waters vai assumindo mais e mais o controle. Progressivamente ele passará a compor quase tudo sozinho e a se responsabilizar pelos conceitos dos discos e shows e os demais aspectos que envolvem o Floyd.

Os outros integrantes tornam-se cada vez mais coadjuvantes – ainda que as colaborações do baixista com Gilmour não possam ser menosprezadas – vide “Wish You Were Here” ou “Comfortably Numb“.

Em 1983, época de “The Final Cut”, a banda já estava se arrastando. Waters disse que aquele era o fim e não acreditou quando Gilmour falou que seguiria em frente.

Mas foi isso o que se sucedeu. Em 1987, para o desespero do baixista, Gilmour, Mason e Wright – retornando depois de ter sido expulso em 1979 – estavam com um novo disco no mercado e uma turnê que lotava arenas e estádios mundo afora.

Pink Floyd
Nick Mason, David Gilmour e Rick Wright em 1994

Uma grande briga foi travada nos tribunais e muitas farpas trocadas pela imprensa, mas Gilmour acabou ganhando o direito do uso do nome da banda – como consolação Waters ganhou o direito sobre a marca “The Wall”.

A versão da banda liderada pelo guitarrista era bem mais relaxada e pop que aquela do baixista. Ainda que alguns fãs e críticos tenham torcido o nariz, passados alguns anos, os méritos dessa fase agora são visíveis.

Depois de “The Division Bell” (1994) e a sua turnê, Gilmour deixou a banda para trás.

Em 2005, a formação clássica do Floyd se reuniu para tocar no festival Live 8 e tudo indicava que aquele seria o ponto final da banda

David Gilmour

No ano seguinte, Gilmour lançou seu terceiro disco solo – o primeiro em 22 anos – e mais anos de silêncio se seguiram. Até que em 2014, um novo álbum do Floyd foi anunciado. Na verdade “The Endless River” era um disco basicamente instrumental construído a partir das sobras de “The Division Bell” e feito como forma de se homenagear Rick Wright, morto em 2008. O guitarrista disse que a banda não iria sair em turnê e que aquele era o disco de despedida do grupo.

Ao que tudo indica, ele não estava brincando. Este ano ele retomou sua carreira solo – com “Rattle That Lock“, seu quarto disco, e anunciou uma grande turnê. Turnê essa que chega agora ao Brasil e marca a primeira apresentação do músico no país – ao contrario de Roger Waters que esteve aqui em três ocasiões (2002, 2007 e 2012).

Para marcar esse momento, o Popzone publica esse especial onde falamos um pouco sobre cada um dos 15 álbuns lançados pelo Pink Floyd.

The Piper At The Gates Of Dawn – 1967

Pink Floyd
The Piper at the Gates of Dawn

Esste é o único disco da banda gravado sob a liderança do genial Syd Barrett, uma das figuras mais enigmáticas (e tristes) da história do rock. “Piper….” é não só um dos melhores trabalhos da banda, como também um álbum fundamental dentro da história do rock.

Verdadeiro clássico da psicodelia, o disco tem tanto o lado lúdico da banda – ou melhor dizendo, de Barrett – em faixas como “The Gnome” ou “Bike“, quanto o mais casca grossa – vide as experimentais “Interstellar Overdrive” e “Astronomy Domine“, está presente nos atuais shows de Gilmour.


A Saucerful Of Secrets
– 1968

Pink Floyd
A Saucerful Of Secrets

Um ano depois do primeiro álbum, Roger Waters, Nick Mason e Rick Wright viram que não poderiam mais contar com Barrett, cujo uso indiscriminado de LSD acabou por cobrar a sua sanidade. David Gilmour – um amigo de Barrett – foi então chamado primeiro como segundo guitarrista, mas em pouco tempo ele acabou sendo efetivado e Barrett sairia deixando uma imensa sombra pairando no ar.

“Saucerful…” tem a derradeira gravação dele com a banda – a assustadora “Jugband blues“, a longa faixa título e boas canções de pop psicodélico escritas por Waters e Wright.

More – 1969

Pink Floyd
More

O terceiro disco deles é a trilha desse obscuro filme dirigido pelo iraniano Barbet Schroeder sobre um grupo de jovens que acabam viciados em heroína.

O disco tem várias faixas instrumentais, algumas baladas de acento folk e mostra uma psicodelia bem mais pesada e e hermética do que aquela que eles faziam com Barrett.

Apesar de irregular, “More” tem ao menos duas canções excepcionais: a quase heavy “The nile song” e a “viajante” “Cymbaline“.


Ummagumma – 1969

Pink Floyd
Ummagumma

Um álbum duplo pra lá de confuso, “Ummagumma” trazia no primeiro LP um disco ao vivo com quatro longas faixas. O segundo vinha com canções escritas individualmente por cada um dos integrantes – cada um ficou com metade de um lado.

Óbvio que não se pode esperar unidade do trabalho, especialmente de sua parte de estúdio, mas o álbum têm seus fãs, especialmente entre quem curte o lado mais experimental do rock progressivo. Se você não está nesse grupo, recomenda-se ouvi-lo com cautela, ainda que a parte ao vivo seja ótima.


Atom Heart Mother – 1970

Pink Floyd
Atom Heart Mother

É curioso ver que mesmo sem vender muito e claramente buscando uma identidade sonora pós-Barrett, eles ainda contavam com o apoio da EMI – masi especificamente do selo “progressivo” Harvest.

O “disco da vaca” é mais um desses experimentos. O lado A tem uma suíte de 24 minutos para grupo e orquestra composta pelo quarteto ao lado do compositor erudito Ron Geesin. A segunda metade tinha três canções mais simples – uma de Waters, outra de Gilmour e mais uma de Wright – e “Alan’s Psychedelic Breakfast” outra longa faixa experimental.


Meddle
– 1971

Pink Floyd
Meddle

Foi nesse disco que o Floyd começa a se encontrar. Apesar de relativamente pouco conhecido, “Meddle” já traz o som que nos anos seguintes ficaria caracterizado como o típico da banda.

Novamente temos um disco com duas metades bem distintas. O antigo lado A vinha com cinco músicas, incluindo a clássica instrumental “One Of These Days” e coisas mais inconsequentes como “Seamus“. O lado B por sua vez foi todo usado em mais uma longa suíte, a excelente “Echoes“, uma das melhores composições do quarteto.

Obscured By Clouds – 1972

Pink Floyd
Obscured By Clouds

Outra trilha sonora feita para Barbet Schroeder, essa aqui é mais palatável e menos radical que a de “More”. Gravado poucos meses antes deles entrarem em estúdio para fazer “The Dark Side Of The Moon”, “Obscured…” é de certa forma, a ponte entre o Floyd pós-67 e aquela que em breve se tornaria uma das mais populares bandas de toda a história.

Apesar de pouco lembrado, ou ouvido, o álbum merece ser (re)descoberto, especialmente pela linda “Wots…uh the Deal” uma das grandes parcerias entre Waters e Gilmour, com uma das melhores interpretações feitas pelo segundo.

The Dark Side Of The Moon
– 1973

Pink Floyd
The Dark Side Of The Moon

O álbum que fez deles verdadeiros ícones de uma época, é daqueles que não envelhecem. “Dark Side” marca a ascensão de Roger Waters como líder do quarteto, mas os outros também contribuiram artisticamente – as canções que contam com o dedo de Gilmour e Wright estão entre as melhores aqui.

Waters foi o responsável pela criação do conceito da obra que divaga sobre coisas que têm o poder de enlouquecer um homem comum. A sombra de Syd Barrett -que a essa altura já havia abandonado de vez a música após algumas tentativas – se faz bastante presente.

Wish You Were Here – 1975

Pink Floyd
Wish You Were Here

Outro grande clássico da banda, “Wish…” é o disco onde a banda mais abertamente reflete sobre Barrett – vide os títulos de suas principais canções: “Shine On You Crazy Diamond” (“Brilhe Diamante Louco”) e a faixa-título (“Gostaria Que Você Estivesse Aqui”).

O antigo líder da banda apareceu no estúdio – irreconhecível – durante as gravações e, dizem, perguntou quando ele deveria acrescentar as suas partes, naquela que foi a última vez em que todos se encontraram. Esse também é o último disco do Floyd em que eles foram uma entidade mais ou menos democrática.

Animals – 1977

Pink Floyd
Animals

Espécie de patinho feio – já que estamos falando de animais – da discografia, esse é um disco um tanto esquecido da carreira do grupo, ao menos se o compararmos com os dois trabalhos anteriores e o posterior.

“Animals” é um álbum amargo e extremamente paranoico – uma palavra aliás bastante recorrente na hora de se falar sobre a banda.

É aqui também que Waters deixa de ser o líder para se tornar uma espécie de ditador – ele compôs tudo aqui, à exceção de “Dogs” onde ele divide os vocais, e os créditos, com Gilmour.

The Wall – 1979

Pink Floyd
The Wall

A “magnum opus” de Waters, é basicamente um disco solo do baixista com o Floyd como sua banda de apoio. A história da gênese do disco não cabe nesse espaço, mas envolve a quase falência da banda,a expulsão de Ricky Wright do grupo (bizarramente ele tocaria na turnê como músico contratado) e um dos álbuns mais amargos de todos os tempos.

“The Wall” até hoje divide os críticos – alguns o desdenham como obra megalomaníaca e outros veem aqui uma obra-prima. Já para o público, que fez dele um dos álbuns mais vendidos da história, essa dúvida nunca existiu.

The Final Cut – 1983

Pink Floyd
The Final Cut

O derradeiro álbum de Waters com o Floyd é outro que poderia passar como trabalho solo dele. “The Final Cut” foi massacrado pela crítica e ignorado pelo público. Ambos rejeitaram o tom monótono, o clima depressivo e a obsessão do baixista em escrever sobre a guerra. Nos últimos anos o trabalho passou por um processo de revisão e muitos críticos já escreveram textos mais elogiosos sobre ele.

O disco tem clima de despedida e, tudo levava a crer, que este seria o canto de cisne do grupo. Mas não foi bem assim, como veremos logo em seguida.

A Momentary Lapse Of Reason– 1987

Pink Floyd
A Momentary Lapse Of Reason

Roger Waters não imaginou que Gilmour fosse realmente seguir com a banda. Mas, após uma feroz disputa nos tribunais o guitarrista conseguiu os direitos do nome para si.

Waters diz que “A Momentary…” saiu como um trabalho do PF pois se saísse como um álbum solo de Gilmour ninguém ligaria.

Pode até ser, ele realmente parece um trabalho solo – até aí nenhuma novidade – mas de fato, ele soa bem mais pop e menos complicado do que os fãs se acostumaram a esperar deles.

The Division Bell – 1994

Pink Floyd
The Division Bell

“A Momentary…” pode não ter sido um trabalho memorável, mas a sua turnê se mostrou extremamente lucrativa, prova de como um nome forte faz toda a diferença.

Sete anos depois, Gilmour voltou a lançar um álbum de estúdio da banda. Com Wright devidamente reinserido no grupo, “The Division Bell” pode não ser uma obra-prima como as lançadas na década de 60 e 70, mas não é um trabalho descartável. Composto por Gilmour e uma série de colaboradores – incluindo a sua mulher, a escritora Polly Samson – ele se mostra um álbum digno que envelheceu muito bem.

The Endless River – 2014

Pink Floyd
The Endless River

Tudo levava a crer que “The Division Bell” seria mesmo o canto de cisne do Floyd. Nos 20 anos que separam os dois últimos lançamentos da banda, os fãs viram Gilmour e Waters voltarem a dividir o mesmo palco – foi em 2005 no festival beneficente Live 8 – mas também deram adeus a Barrett (em 2006) e Wright (2008).

“The Endless River” é basicamente um álbum de música ambiente, nascido a partir de sobras de estúdio do álbum anterior e que serve para nos lembrarmos da importância de Rick Wright para a banda. Gilmour jura que esse é definitivamente o último disco do Pink Floyd.

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