Histérico, “Victor Frankenstein” tem bons atores em suas piores atuações

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“Victor Frankenstein”, como já implica o nome, traz o foco no homem, e não na criatura, nesta reimaginação do clássico de terror, que chega aos cinemas nesta quinta (26). Mas nem o cientista que ousou criar vida no romance de Mary Shelley poderia sugerir algum pulso neste filme confuso e histérico, em que atmosfera e uma boa história são substituídos por gritaria e por dois bons atores em suas piores atuações.

Se Daniel Radcliffe ainda procura injetar alguma personalidade no brilhante ex-corcunda Igor (chegamos já nele), James McAvoy claramente deu as caras por um cheque gordo, já que seu Victor Frankenstein vai pouco além do cientista obcecado/louco/inconsequente. Uma pena.

No roteiro de Max Landis, Igor (que ainda não ganhara sequer um nome) é uma deformidade que trabalha (claro) em um circo, sofrendo todo tipo de humilhação. De mente brilhante e alma sensível, porém, ele passa o tempo livre estudando livros médicos, tornando-se capaz de desenhar modelos anatômicos perfeitos. A intervenção de Victor, quando a trapezista Lorelei (Jessica Brown Findlay, de Downton Abbey) despenca para uma morte quase certa, termina na fuga da dupla e na introdução do laboratório do cientista, onde ele conta com a ajuda de seu novo assistente/servo para seu projeto de reverter a morte.

Victor Frankenstein quase dá uma guinada surreal e genuinamente interessante quando McAvoy “cura” a corcunda de Radcliffe em uma sequência bizarra, mas logo o filme despenca em uma série de armadilhas narrativas tão antigas quanto o romance original. Descobrimos o motivo da obsessão de Frankenstein (alguém morreu, claro), Igor arrisca um romance com Lorelei, e as discussões sobre moralidade e religião são intermináveis (o policial que os persegue, interpretado por Andrew Scott, é um crente com um pé no fanatismo).

Tudo funciona, seguindo a cartilha do diretor Paul McGuigan (que fez alguns episódios de “Sherlock Holme”s na TV), para contar a “origem” dos homens por trás do monstro. Mas em nenhum momento o roteiro de Landis (responsável também por “Poder Sem Limites”) revela algum ângulo interessante ou inusitado em uma história já repetida no cinema à exaustão.

Quando a criatura finalmente aparece, já não há mais interesse no embate entre criador e criatura, deuses e monstros, já que a sutileza abre espaço para explosões, corpos caindo e um arremedo de ser humano com design preguiçoso. “As pessoas não vão lembrar de Frankenstein, o homem, e sim de Frankenstein, o monstro”, diz, a certa altura, Igor. Meu chute é que, quando as luzes acenderem, as pessoas só vão lembrar se deixaram alguma panela no fogo em casa.

Assista ao trailer de “Victor Frankenstein”

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