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Mescla de esquetes com “CSI”, “O Grande Gonzalez” é humor promissor na TV

À primeira vista, “O Grande Gonzalez”, série produzida pelos criadores do Porta dos Fundos que estreia na próxima segunda-feira (2), na Fox, é um mais do mesmo do que o canal de vídeos do YouTube já apresentou em seus três anos de internet. Está tudo lá: a verborragia de Fábio Porchat, o humor mal-humorado de Antonio Tabet, a excentricidade de Gregório Duvivier e o charme de João Vicente de Castro.

Mas a julgar pela reação empolgada da plateia de jornalistas e convidados que assistiu ao primeiro episódio da atração em um buffet infantil, em São Paulo, na última segunda, a repetição dos tipos não chega a ser um problema.

Idealizada pelo diretor Ian SBF, o quinto sócio do Porta dos Fundos e também o integrante que menos aparece na mídia, “O Grande Gonzalez” dá um passo além do humor do canal, fundindo o estilo criado pela trupe com o gênero policial consagrado na TV norte-americana.

Como em “CSI” e “Law e Order”, temos a apresentação de um crime – durante uma festa infantil, o mágico Gonzalez (Luiz Lobianco) morre afogado após um truque mal executado. O aparente acidente abre uma investigação que aponta para vários suspeitos.

Com a premissa do assassinato estabelecida, a narrativa segue intercalando cenas de interrogatório com flashbacks dos investigados e então “O Grande Gonzalez” desfila sequências pensadas para rir. Várias delas remetem aos vídeos consagrados do Porta dos Fundos, como a subtrama de Lucimar, o policial que falha em manter a pose de durão, personagem já vivido por Tabet em vídeos como “Suborno” e “Suspeito”.

Divulgação

Mescla de esquetes com "CSI", "O Grande Gonzalez" é humor promissor na TV

Fábio Porchat vive o palhaço Rômulo em “O “Grande Gonzalez”. “Gravar com maquiagem é extenuante”, afirma

Mescla de esquetes com "CSI", "O Grande Gonzalez" é humor promissor na TV “Não é um museu do Porta”

No primeiro episódio há ainda uma referência ao vídeo “Spoleto”, esquete cuja repercussão ultrapassou as visualizações do YouTube e fez o Porta dos Fundos ser reconhecido além da internet. “Tem algumas coisas, mas a série não é um museu do Porta”, avisa Porchat. “Se quiser ver a Judite, vai lá no iFood”, completa, referindo-se à atendente de telemarketing hostilizada em um dos primeiros vídeos que protagonizou.

Ator mais experiente do elenco, Porchat é quem melhor consegue se distanciar do estilo de interpretação do Porta dos Fundos na série. Seu personagem é Rômulo, um palhaço que comanda um esquema de extorsão de dinheiro de profissionais de festas infantis. Ajudado pela maquiagem e figurino, o ator criou uma espécie de Ronald McDonald com ares de megalomania, que lembram Walther White, vilão adorado de “Breaking Bad”.

A cultuada série sobre o traficante de drogas, aliás, é uma das inspirações para “O Grande Gonzalez”, conta o diretor Ian, que também afirma ter sido influenciado por “Unbreakable Kimmy Schimidt”, do Netflix. “Mas só vai dar para perceber quando o meu personagem começar a produzir metanfetamina”, brinca Tabet.

Comparações à parte, “O Grande Gonzalez” é uma boa novidade para quem gosta de séries e quer ver o humor do Porta dos Fundos em evolução. “Como tudo o que Ian faz, a série era uma dúvida se ia dar certo. Achei que ia afundar a minha carreira”, diz Clarice Falcão, cuja personagem só teve a voz apresentada na estreia, mas a fala já fez rir. “Foi uma grande participação, demorei muito para compor essa personagem”, brinca.

A atriz lembra que anos atrás, quando foi chamada para integrar o elenco do Porta dos Fundos, ouviu de Ian que o projeto seria “o maior canal do YouTube no Brasil”. O grupo, no entanto, diz não perseguir o sucesso da web. “Não temos a pretensão de criar um gênero de comédia na televisão, a gente só as faz coisas que gostaríamos de ver”, conclui Porchat.

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