Filme proibido no Brasil? O que saber sobre Godard antes de ir à sua mostra

Filme proibido no Brasil? O que saber sobre Godard antes de ir à sua mostra

O cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard em Lausanne, em imagem de 2013

Mesmo que você nunca tenha visto um filme dele, já ouviu falar em Jean-Luc Godard. Um dos fundadores do movimento francês conhecido como Nouvelle Vague, Godard é considerado um dos nomes que revolucionou a linguagem do cinema, reverenciado por novos diretores até hoje.

Até virou lugar-comum dizer que os filmes de Godard são os mais chatos do mundo, e que ele parou no tempo. OK, ele pode não estar mais em seu auge criativo, mas seu pensamento, que junta filosofia, literatura, política e estética –às vezes numa mesma imagem, ou numa mesma frase– merece atenção.

Pegando carona na retrospectiva completa de sua obra que o CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) inicia na próxima quarta-feira (20) em São Paulo, no Rio e em Brasília –e inspirado em um de seus títulos, “Duas ou Três Coisas que Eu Sei Dela” (1967)–, veja abaixo uma lista de “quatro ou cinco coisas” que você deve saber sobre o cineasta.

Um filme nunca tem começo, meio e fim
Para Godard, a coisa mais pobre que se pode fazer com o cinema é contar uma história como nos livros, com a trajetória clássica de um personagem e seus conflitos. Ao longo da carreira, seus filmes foram se tornando fluxos de pensamento, um amálgama de suas inquietações sobre a vida, a política, o cinema e o amor. Isso fica mais claro em filmes recentes como “Elogio ao Amor” (2001), “Filme Socialismo” (2010) e “Adeus à Linguagem” (2014).

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Cinema e política são uma coisa só
Mesmo em seus primeiros longas, de narrativa mais simples, como “Acossado” (1960) ou “O Demônio das Onze Horas” (1965), Godard traz à tona seus questionamentos sobre a Guerra da Argélia, a Guerra do Vietnã, o conflito entre judeus e palestinos, e mais recentemente os destinos da Europa como continente e como projeto cultural. Já na primeira fase, a política foi o centro de filmes como “O Pequeno Soldado” (1963) e “A Chinesa” (1967). A tendência se acentuou nos anos 70, em filmes coletivos em que ele decide nem creditar seu nome, como “Vento do Leste” (1970) e “Vladimir e Rosa” (1971).

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Cena do filme “Acossado” (1960), de Jean-Luc Godard

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Os musos e a musa
Como todo grande cineasta, Godard teve suas estrelas preferidas. Sua única grande musa foi a dinamarquesa Anna Karina, modelo com quem foi casado de 1960 a 1965, e que estrelou sete de seus filmes, de “Uma Mulher É Uma Mulher” (1961) a “Made in U.S.A.” (1966). Mas ninguém esquece também as aparições de Jean Seberg em seu primeiro longa, “Acossado”, e de Brigitte Bardot em “O Desprezo” (1963). Entre os atores, dois preferidos: Jean-Paul Belmondo, astro de “Acossado” e do célebre “O Demônio das Onze Horas”; e Jean-Pierre Léaud, ator-fetiche do colega François Truffaut, que estrelou “A Chinesa” e “Masculino, Feminino” (1966) e aparece em outros sete filmes do diretor.

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Proibido no Brasil
Difícil acreditar hoje, mas um filme de Godard foi proibido no Brasil. Foi “Eu Vos Saúdo, Maria” (1985), sobre uma estudante que trabalha num posto de gasolina e namora um taxista, José. Ela fica grávida, mas o filho não é dele, e ele a acusa de traição. O anjo Gabriel aparece e tenta convencer José a aceitar os planos divinos. O curioso é que o longa não contém nenhuma cena mais pesada, apenas transporta a história da Virgem Maria para uma moça comum. O Papa João Paulo 2º criticou o filme dizendo que “ele feria profundamente o sentimento dos crentes”. Sob a pressão dos cardeais brasileiros, o então presidente José Sarney proibiu oficialmente o filme por aqui.

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3D como você nunca viu
Em seus dois últimos filmes, um segmento do longa “3x3D” (2014) e em “Adeus à Linguagem”, Godard experimentou as três dimensões. Não espere cenas de ação ou movimento para fazer valer o uso dos óculos. Godard é como um velhinho usando um celular novo, tentando entender para que ele serve, o que ele pode trazer de novo para a imagem. No último filme, ele aponta o 3D mais para a natureza do que para as pessoas. É uma investigação sem respostas definitivas, como boa parte da sua obra.

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