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Verdades Secretas – “Saio de lá quebrado”, diz ator sobre cenas na cracolândia

  • João Cotta/TV GloboVerdades SecretasFlavio Tolezani como o Roy de “Verdades Secretas”

“Agora levo um susto quando estou limpo, em casa”. Desde que passou a encarnar Roy, o modelo viciado em crack que levou Larissa (Grazi Massafera) para o fundo do poço em “Verdades Secretas”, Flavio Tolezani não tem direito a vaidade. Para dar mais veracidade ao estado de degradação do personagem, perdeu 4kg e acostumou-se a ver no espelho com a expressão pesada e o corpo enfraquecido.

“Foi fundamental. É difícil ver na cracolândia alguém que tenha gordura no corpo, porque o consumo detona mesmo. A pessoa não tem fome, passa dias sem comer nem dormir. Além disso tem o trabalho muito cuidadoso da equipe de caracterização. A construção é um ritual, como no teatro. E esse papel é um prato cheio para um ator”, conta o paulistano de 37 anos.

Sem paciência para redes sociais, o ator conta que é nas ruas que tem recebido o retorno da entrega, seja no restaurante onde recebe um elogio ou na loja de roupas, onde o vendedor, espontaneamente, diz que reconhece na TV a atmosfera da cracolândia de São Paulo. “Acho que a novela está abrindo os olhos das pessoas para essa realidade, abre uma discussão sobre o que fazer. Muita gente diz que não imaginava que era assim, que foi um choque. Acho muito bom, a intenção é essa, expor a realidade como ela realmente é, de forma bem crua”, conta.

As cenas da cracolândia, aliás, rodadas no Morro da Providência, no Rio, são suficientes para mexer com as emoções dos atores. Tanto que ele não consegue eleger uma só como a que mais lhe exigiu até agora. “Todas são muito duras. Por mais que a gente esteja numa locação, num lugar que não é real, o clima que a gente instaura é muito real pesado. A gente sai de lá frequentemente bem quebrado. Mexe com a parte física e emocional”, relata.

O encontro com Grazi, cuja atuação vem arrancando elogios de críticos e do público, foi uma boa surpresa que foi se desenhando desde a fase de preparação, sob a batuta do preparador de elenco Sergio Pena. “Nossa relação começou com muita expectativa, não sabíamos o que seria esse jogo, a gente tinha poucos capítulos na mão. Mas virou uma parceria muito bem-sucedida. Essa troca é muito importante, é bom quando acontece de fato uma cumplicidade”, diz.

Será que ele imaginava um dia dividir cena com uma ex-BBB, que sofreu rejeição no início da carreira de atriz e que virou um dos principais nomes da novela? “A gente não tem muito o que esperar da vida. Também nunca tinha pensado em fazer uma peça com a Marieta Severo (“Incêndios”). Essa profissão é muito imprevisível. Agora, com relação a ela, qualquer preconceito é babaca, não serve para nada”, afirma.

João Cotta/TV Globo

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Cena de Roy (Flavio Tolezani) e Larissa (Grazi Massafera) na cracolândia: parceria bem-sucedida

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Reencontro

O reencontro com seus colegas de “Incêndios” – Marieta, que dá vida a Fanny, e Felipe de Carolis, o Sam – foi, aliás, seu porto seguro ao entrar na trama de Walcyr Carrasco já com todo o elenco afinadíssimo. “Tinha um lado bom, porque a novela estava indo muito bem, era um trabalho que eu adorava assistir. Por outro, o barco não podia parar. Eu tinha que nadar e entrar nele. Era uma responsabilidade”, conta o ator.

Formado pela Escola de Artes Célia Helena há 14 anos e membro da Cia. Folias de teatro, Tolezani reconhece que esse é seu trabalho de maior alcance até agora na TV, mas procura ver com os pés no chão a repercussão da novela. “Sem dúvida esse papel tem importância, mas quando acabar vou para outro. É só um trabalho. Outros virão”, analisa ele, que também cursou faculdade de Rádio e TV.

Casado com a também atriz Natalia Gonsales, o intérprete, que mora em São Paulo e viaja apenas para gravar suas cenas, vai ficar pelo menos dois meses na cidade por conta de dois espetáculos que estreiam temporada no Teatro Poeirinha, em Botafogo: “In Extremis” e “The Pillow Man”. Até lá, o foco continua sendo Roy, cujo desfecho permanece um mistério para o ator, que prefere não dizer se torce para uma recuperação ou um final trágico para o modelo.
“Para mim tanto faz. O importante é o que alcançamos o objetivo de levantar a discussão. Qualquer final que o Walcyr escrever, eu topo”, afirma.
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