Miguel, Neil Young e Erasmo Carlos estão nos “Lançamentos da Semana”!

de


MiguelWildheart

Miguel
Wildheart

A música negra está vivendo um período de ouro nos últimos anos, com vários discos abrindo novos caminhos, resgatando um passado rico ou, às vezes, as duas coisas.

Os belos trabalhos recentes de D’angelo e Kendrick Lamar são dois exemplos de um momento que será muito celebrado no futuro.

A esse grupo podemos incluir o terceiro trabalho de Miguel, um angeleno de 29 anos filho de um pai descendente de mexicanos e mãe afro-americana.

Miguel

Wildheart” não é um disco fácil. Suas composições são intrincadas e algumas audições podem ser necessárias para que elas comecem a se revelar.

O fato é que ele ajuda a colocar o R&B moderno em um patamar mais elevado. O álbum já é um enorme sucesso de crítica e seria bom também se o grande público o abraçasse.

O disco é especialmente indicado para fãs de música pop inovadora, Prince, R&B contemporâneo, e para quem quer ouvir algo que fuja das fórmulas da moderna música pop radiofônica.


Neil YoungThe Monsanto Years

Neil Young
The Monsanto Years

Com quase cinquenta anos de estrada, Neil Young segue prolífico, incansável e surpreendente. Basta dizer que este é o seu 36° álbum de estúdio e o 11° de material original lançado por ele desde o ano 2000 – um número impressionante para qualquer artista, que dizer de um veterano.

Claro que essa opção por lançar discos e mais discos também tem os seus problemas. Obviamente tivemos alguns menores ou esquecíveis no caminho, enquanto outros trabalhos dignos acabaram não recebendo a devida atenção mesmo de seu público mais fiel.

Dito isso, será uma pena se “The Monsanto Years” não atingir uma boa audiência e os críticos, já que ele soa como um dos melhores discos de Young em vários anos – o que o torna recomendável especialmente para aqueles fãs que pararam de acompanhá-lo com afinco.

O disco marca a estreia de mais uma nova banda acompanhante do cantor. O Promise Of The Real é o grupo de Lukas Nelson, filho de Willie Nelson. Young fez algumas jams com o quarteto (acrescido de Micha Nelson, outro filho de Willie) e, impressionado, decidiu gravar um álbum com os jovens..

Neil Young

The Monsanto Years” é um disco elétrico e, no geral raivoso, e poderia ter sido muito bem feito com o Crazy Horse, a mais fiel banda acompanhante do canadense.

Eminentemente elétrico e pesado, apesar de alguns momentos mais doces e acústicos ele é radicalmente diferente dos três últimos discos do canadense – um gravado com orquestra, outro numa cabine de gravação rústica dos anos 50 e o outro com faixas que chegavam quase aos 30 minutos.

O álbum também é abertamente político e de protesto. Como o título já indica, as farpas em sua maioria são dirigidas à Monsanto, a multinacional do agronegócio que tem na biotecnologia (ou seja, a criação de sementes geneticamente modificadas) sua maior fonte de renda.

O discurso de Neil Young é direto, e talvez ingênuo em alguns momentos. Por outro lado, sua raiva, e sinceridade são genuínas – e é óbvio que essa discussão deveria estar mais presente em nossas pautas.

Resta saber agora se existem pessoas dispostas a ouvir os seus apelos, afinal como ele diz em “People Want To Hear About Love“, uma das melhores faixas do álbum – “as pessoas querem ouvir canções de amor e não sobre grandes corporações sequestrando todos os seus direitos”.

Ouça “A Rock Star Bucks a Coffee Shop” com Neil Young de “The Monsanto Years


Erasmo CarlosMeus Lados B

Erasmo Carlos

Erasmo Carlos é daqueles artistas que têm seus shows frequentados por diversos públicos e que busca agradar a todos eles em alguma medida. Quem viu um show dele nos últimos anos sabe que o repertório sempre traz vários hits, uma ou outra canção que ele compôs com Robert Carlos, (boas) canções mais recentes e sucessos da época da jovem guarda.

Ainda assim, uma faceta de Erasmo tende a ficar esquecida, ou quase, em suas apresentações: a do compositor que lançou discos interessantíssimos nos anos 70.

Pelo visto, o próprio Erasmo também sentia falta de mostrar esse seu lado. A coisa começou a mudar de figura em 2014, quando, à convite de André Midani, ele fez um show especial no Rio apenas com faixas menos conhecidas de seu repertório. No início deste ano o cantor resolveu retomar a ideia e marcou duas apresentações intimistas em São Paulo que foram filmadas para posterior lançamento.

Erasmo Carlos

Meus Lados B” já pode ser baixado nas lojas de música virtual ou ouvido nos serviços de streaming e em breve sairá em DVD e traz um Erasmo Carlos que há anos, os fãs mais fiéis sonhavam ver no palco.

Temos aqui 22 faixas, sendo que 16 delas foram gravadas entre 1970 e 1976 (ele também cantou duas músicas da época da Jovem Guarda e quatro dos anos 80).

Quem esteve no Tom Jazz no final de janeiro pôde ouvi-lo cantar raridades como “Maria Joana“, “Grilos“, “Cachaça Mecânica” ou “Meu Mar“. Músicas compostas para ele por nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gonzaguinha e Belchior também foram lembradas.

Com a voz em forma e uma banda pra lá de afiada, o resultado final se mostra irretocável e abre caminho para que mais artistas façam trabalhos de resgate semelhante. Agora é esperar que ele faça mais shows com esse repertório. Os fãs da boa música brasileira certamente irão agradecer.

Ouça Erasmo Carlos cantando “Cachaça Mecânica“, que está em “Meus Lados B

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