Após o “JN”, Maria Júlia Coutinho é aplaudida por redação em São Paulo

Após o encerramento do "Jornal Nacional", Maria Júlia Coutinho foi aplaudida por toda a redação de São Paulo. O vídeo foi publicado pelos colegas de emissora em seus respectivos perfis no Facebook.

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Após o encerramento do “Jornal Nacional”, Maria Júlia Coutinho foi aplaudida por toda a redação de São Paulo. O vídeo foi publicado pelos colegas de emissora em seus respectivos perfis no Facebook.

Maju, como também é conhecida, sofreu ofensas racistas em uma publicação com a sua imagem na página oficial do “JN” no Facebook. Alguns internautas fizeram piadas e publicaram comentários pejorativos e racistas, como “Só conseguiu emprego no ‘Jornal Nacional’ por causa das cotas. Preta imunda” ou “Vá fazer as previsões do tempo na senzala”.

Nesta sexta, ela comentou o caso no próprio “JN”. “Estava todo mundo preocupado. Muita gente imaginou que eu estaria chorando pelos corredores. Mas a verdade é o seguinte, gente. Eu já lido com a questão do preconceito desde que eu me entendo por gente. Claro que eu fico muito indignada, triste com isso, mas eu não esmoreço, não perco o ânimo”, disse ela durante o “JN”. “Eu cresci em uma família muito consciente, os meus pais sempre me orientaram. Acho importante que medidas legais sejam tomadas, para evitar ataques a mim e a outras pessoas”, ressaltou.

A jornalista também agradeceu a repercussão e a manifestação de carinho dos colegas e do público. “Também quero manifestar aqui, porque fiquei muito feliz com o carinho, recebi milhares de e-mails, de mensagens. Mas o mais importante é que a militância que faço é com o meu trabalho, sempre bem feito, com muito carinho, com muita dedicação, com muita competência, que é o mais importante. Os preconceituosos ladram, mas a caravana passa”, finalizou.

Em seguida, William Bonner se solidarizou com Maju. “Eu e a Renata [Vasconcellos] falamos em nome de todos os colegas da Globo, que, é claro, também repudiaram as agressões absurdas. #SomosTodosMaju, né, Renata?”, disse Bonner. “Hoje e sempre”, completou Vasconcellos.

Segundo Bonner, “50 criminosos publicaram comentários racistas de maneira coordenada” contra Maju na página do “Jornal Nacional” no Facebook.

Após o "JN", Maria Júlia Coutinho é aplaudida por redação em São Paulo
Colegas da redação, em São Paulo, demonstram apoio a Maju

Em contato com o Popzone,  a TV Globo lamentou o episódio e disse que “estuda as medidas judiciais cabíveis para o caso”. O Ministério Público de São Paulo informou que abrirá um procedimento para investigar as ofensas. No Estado do Rio, o Ministério Público pediu à Promotoria de Investigação Penal que também investigue o caso.

Revoltados, internautas, telespectadores, famosos, colegas de redação e profissão saíram em defesa da jornalista e publicaram comentários de repúdio ao longo desta sexta-feira. A hashtag #SomosTodosMajuCoutinho chegou ao assunto mais comentado do dia no Twitter.
Formada pela Cásper Líbero e com rápida passagem pela TV Cultura, Maria Júlia iniciou a sua carreira no jornalismo da Globo como repórter de telejornais locais, em São Paulo. Se tornou pouco tempo depois a moça do tempo no “SPTV”, “Bom Dia São Paulo”, “Bom Dia Brasil” e também no “Hora 1”. Ela é conhecida na redação paulista com esse apelido, “Maju” (para os íntimos).

É considerada uma das repórteres mais simpáticas da emissora, e ganhou uma legião de fãs nas redes sociais depois que passou a interagir diariamente –e de forma descontraída– com o âncora William Bonner no “Jornal Nacional”. Maju é a primeira mulher negra a se tornar a moça do tempo do “JN”, função que ocupa desde abril.

Caso semelhante

Outra jornalista –e também moça do tempo– que sofreu ataques racistas em uma rede social foi Joyce Ribeiro, do SBT, em novembro do ano passado. Ela foi a uma delegacia, em São Paulo, e denunciou uma série de ofensas racistas que sofreu. O caso foi registrado como injúria racial, segundo informou o “SBT Brasil”.

“Não estou aqui me colocando como uma vítima. Eu fui, sim, agredida e estou aqui exercendo o meu direito de buscar a punição da pessoa que me agrediu”, disse a jornalista, na ocasião. “As pessoas são diferentes e a riqueza está justamente nisso, nas diferenças. E a gente tem que usar tudo isso a nosso favor”, completou.

A profissional recebeu o apoio público e imediato dos colegas de emissora. “O jornalismo do SBT se solidariza com Joyce Ribeiro e vamos acompanhar esse caso até o fim”, anunciou Rachel Sheherazade.

Racismo é crime

A pessoa acusada por injúria racial pode ser autuada pelo Art. 140 do Código Penal, com pena de reclusão de um a três anos e multa. “Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. Pena – reclusão de um a três anos e multa”, diz um trecho do Código Penal.

Site para denúncias

A presidente Dilma Rousseff anunciou em abril o lançamento de um site chamado “Humaniza Redes”. A ideia, segundo o governo, é que o portal seja um espaço para denúncias de violação de direitos humanos na internet (como racismo, pedofilia, intolerância religiosa, etc) e utilizar a página para a promoção de conteúdos para uso seguro da rede.

Equipe do “JN” publica vídeo em apoio a Maju

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