Após mostras pop, MIS quer que novo público descubra François Truffaut

Pierre ZuccaFrançois Truffaut na divulgação de "Beijos Proibidos" (1968) A passagem de ícones mundiais da cultura pop pelos corredores do Museu da Imagem e do Som (MIS) fez com que o espaço alcançasse um novo patamar no roteiro cultural em São Paulo. Com as exposições dedicadas ao cineasta Stanley Kubrick e ao cantor David Bowie, o MIS viu seu público multiplicar em 10 nos últimos cinco anos. O megassucesso da mostra “Castelo Rá-Tim-Bum” impulsionou ainda mais os números, somando 400 mil visitantes. O Museu mais visitado da cidade em 2014 agora abre as portas para receber um francês ainda mais cult.

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  • Pierre Zucca

    Após mostras pop, MIS quer que novo público descubra François Truffaut

    François Truffaut na divulgação de “Beijos Proibidos” (1968)

A passagem de ícones mundiais da cultura pop pelos corredores do Museu da Imagem e do Som (MIS) fez com que o espaço alcançasse um novo patamar no roteiro cultural em São Paulo. Com as exposições dedicadas ao cineasta Stanley Kubrick e ao cantor David Bowie, o MIS viu seu público multiplicar em 10 nos últimos cinco anos. O megassucesso da mostra “Castelo Rá-Tim-Bum” impulsionou ainda mais os números, somando 400 mil visitantes. O Museu mais visitado da cidade em 2014 agora abre as portas para receber um francês ainda mais cult.

O cineasta François Truffaut (1932 – 1984) é o novo objeto a ser dissecado nos corredores do museu a partir do dia 14. “Truffaut: um cineasta apaixonado” revela o trabalho de um dos fundadores do movimento cinematográfico conhecido como Nouvelle Vague em 600 itens, como desenhos, fotos, objetos, livros, revistas e roteiros com anotações, além de trechos de filmes e entrevistas do cineasta.

O autor de obras-primas da história do cinema como “Jules e Jim” e “Os Incompreendidos” pode não gozar da mesma popularidade que as exposições anteriores, mas o diretor executivo do MIS André Sturm ressalta: o que vale é o prazer da descoberta.

“Muita gente que veio na exposição do Kubrick, nunca tinha ouvido falar dele. Trazemos escolas publicas do fundamental e eles ficaram gritando na exposição, querendo ver os filmes. Isso porque eram pessoas que não tinha referência anterior”, relembra.

Maior que o original
Curador da exposição e diretor da Cinemateca Francesa, Serge Toubiana praticamente exigiu que o Brasil fosse o primeiro destino de “Truffaut” depois da França. A organização cinéfila ficou encantada com o trabalho feito pelo MIS em  “Georges Méliès, o mágico do cinema” em 2012. “Tem uma marca nossa em transformar a exposição em uma experiência sensorial. Partimos da exposição original e desenvolvemos uma tipografia própria”, observa Sturm.

Truffaut, por exemplo, ganhará três alas a mais do que a mostra original, norteados pela idolatria do cineasta. “O que norteou o conceito é o cineasta apaixonado pelos filmes e pelas mulheres”, explica. O filme “Jules e Jim”, que imortalizou a imagem romântica e amarga dos anos, também ganha destaque especial.

O mergulho na obra de Truffaut fica ainda mais especial com algumas raridades do acerco “Tem algumas imagens e informações que ninguém nunca teve acesso antes. Tem um curta que ele rodou em Mar Del Plata. Ele foi convidado por um festival e acabou filmando por lá. É inédito. Tem um vídeo com o teste de Jean-Pierre Léaud [ator-fetiche do cineasta] para o teste de ‘Os Incompreendidos'”, detalha. “Duvido que alguém tenha visto isso”.

A expectativa de público de “Truffaut: um cineasta apaixonado” é mais modesta, 40 mil visitantes, mas Sturm acredita que o francês tem potencial para conquistar mais público. “Quando estávamos fazendo Castelo Rá Tim Bum, muita gente me perguntou se eu tinha certeza do que eu estava fazendo, que o Castelo era velho, que as crianças de hoje não curtiam porque não tinha efeitos especiais. Sempre acreditamos no Castelo, não tanto, sinceramente”, conta Sturm. “Espero que o Truffaut seja mais uma boa surpresa”.