Há 40 anos o Damned lançava o primeiro álbum do punk inglês. Relembre os clássicos do movimento

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The Damned
Damned Damned Damned

Há exatos 40 anos, as lojas de disco da Inglaterra recebiam “Damned Damned Damned“, o primeiro álbum lançado por uma banda punk inglesa, o que fez do quarteto uma banda duplamente pioneira, já que quatro meses antes eles também haviam lançado “New Rose“, o primeiro compacto do movimento.

Curiosamente, o álbum não recebeu as mesmas acolhidas que outros discos do gênero lançados também em 1977 por outras bandas – o trabalho não figura na lista de melhores do ano do NME por exemplo.

É provável que o clima mais bem humorado do grupo – vide a capa – não tenha sido bem compreendido, assim como o pique do disco – que levava a sério o conceito de três acordes e muita velocidade tão apregoado na época. O fato é que hoje ele tem o seu merecido lugar na história e não só pelo fato dele ter chegado na frente

A banda, que ainda está em atividade, também é dona de uma trajetória curiosíssima. basta dizer que três dos quatro integrantes originais lideraram o grupo em algum momento, e todos alteraram radicalmente a sua sonoridade.

O Damned teria fases mais pop, pós punk e até gótica e têm uma série de discos que merecem ser descobertos como “Machine Gun Etiquette” de 1979. Vale também tentar assistir ao excelente documentário “The Damned: Don’t You Wish That We Were Dead” de 2015, que os disseca de maneira comovente.

Ouça o álbum na íntegra:


Depois que a “porteira foi aberta”, os álbuns e singles do punk inglês começaram a sair com grande frequência. Abaixo estão mais quatro clássicos que também completam 40 anos em 2017.

The Clash

The Clash
The Clash

Lançado em abril, a estreia do The Clash peca um pouco por sua produção um tanto amadora, mas musicalmente ele segue não só como um documento do período, como um dos grandes álbuns da história do rock.

Aqui a banda se mostra mais raivosa – Vide “White Riot“, “I’m So Bored With the U.S.A.” ou “London’s Burning“. Ao mesmo tempo, a influência do reggae, que ficaria mais forte nos anos seguintes, surge em “Police And Thieves” (regravação de Junior Murvin). A edição americana saiu com algumas faixas substituídas por outras já lançadas em single na Inglaterra.

Ouça:


In The City

The Jam
In The City

De todos os nomes da primeira geração do punk britânico, Paul Weller, o líder do The Jam foi o que terminou com uma carreira de maior prestígio. Ao menos em sua terra natal, onde quatro décadas depois ele segue enchendo shows e lançando discos de sucesso.

Essa história começou aqui com esse disco influenciado pelo movimento Mod dos anos 60, que alterna momentos de grande inspiração (a faixa título), com outros nem tanto – as covers para o tema do Batman ou de “Slow Down“, deslizes perdoáveis perto do que ele realizaria depois.

Ouça “In The City“:


My Aim is True

Elvis Costello
My Aim Is True

Elvis Costello pode não ter sido um punk no sentido literal do termo, até porque ele como filho de um popular band leader, tinha um conhecimento musical tanto teórico quanto técnico bem maior do que quase todos os outros músicos identificados com o gênero.

O visual nerd com terno e óculos também destoava dos cabelo espetados e roupas rasgadas, mas sua música exalava a mesma raiva e urgência de seus contemporâneos e, de certa forma isso bastou para que ele fosse aceito dentro da nova cena.

Esse álbum de estreia, além de ter saído pelo selo Stiff (o mesmo do Damned) e produzido por Nick Lowe (idem), já mostrava todo o talento de Costello como compositor, mesmo quando ainda não tinha o apoio poderoso dos Attractions, que logo se tornariam sua banda de apoio. O cantor brilha em um disco com acenos ao rock dos anos 60, reggae, soul e rock’n’roll, além de ter entregue em “Alison“, uma das melhores baladas desde sempre.

Ouça:


Never Mind the Bollocks Here’s the Sex Pistols

Sex Pistols
Never Mind the Bollocks Here’s the Sex Pistols

O primeiro, e único, álbum da banda que deu início à explosão punk no Reino Unido saiu apenas em outubro, quase um ano depois de “Anarchy In The U.K.” o single de estreia.

Por isso, na época, ele teve seu impacto um pouco diluído por lá. Afinal muitas de suas músicas já haviam saído em compacto e o pirata “Spunk” também já circulava há algum tempo – um disco que muitos acreditavam ter sido distribuído pelo próprio empresário da banda Malcolm McLaren, em mais uma jogada de marketing.

Tudo isso não muda o fato de que os Sex Pistols gravaram o artefato definitivo da “geração 77” e a constatação de que estamos diante de um disco que já nasceu clássico e assim deverá continuar por décadas e décadas.

Ouça:

Fonte: Vagalume

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