TOPO

Disco a disco: Nirvana

por Marta Lima / Publicado em segunda-feira, 20 fev 2017 12:00 PM / / 363 views

No dia em que Kurt Cobain faria 50 anos, relembre a discografia da banda que o consagrou

Divulgação
Kurt Cobain

Nesse dia 20, Kurt Cobain estaria completando 50 anos. O líder do Nirvana morreu em 1994 com apenas 27 anos, quando vitimado por uma forte depressão, certamente ampliada pelo uso de drogas pesadas, ele decidiu dar fim à sua vida. Cobain pode não ter sido o último grande ícone do rock, mas é difícil pensar em alguém surgido depois dele que tenha causado tamanho impacto, até porque a sua influência transcendeu gerações e não ficou restrito ao mundo da música.

Para marcar essa data, relembramos aqui a curta, porém extremamente significativa discografia da banda. Uma obra que conta com apenas três discos de estúdio – todos relançados em formato de luxo com faixas extras – e mais alguns discos gravados ao vivo, ou que compilam material raro ou inédito.


Bleach – 1989

Nirvana
Bleach

Lançado quando termos como “grunge” ou “cena de Seattle” ainda eram desconhecidos, o primeiro álbum da banda saiu pela independente Sub Pop cujos lançamentos começavam a chamar a atenção da imprensa especializada, em particular da britânica.

Apesar de gravado a um custo baixíssimo – pouco mais de U$600 – “Bleach” não soa como uma demo tape melhorada, graças ao bom trabalho de Jack Endino, que no futuro trabalharia com os Titãs – e pelo fato da banda ter ensaiado bastante antes de entrar em estúdio.

Um álbum bastante abrasivo, ele é marcado pela forte influência tanto punk, quanto do metal de bandas como o Black Sabbath e do lado mais barulhento do rock que era feito no underground americano na segunda metade da década de 80.

Ainda assim, a sensibilidade pop de Cobain pode ser sentida no disco, de forma mais óbvia na balada “About A Girl“, mas não só. exemplos? A inusitada cover de “Love Buzz” dos holandeses do Shocking Blue (os mesmos de “Venus“) ou “School“. Essa mostra que ele também sabia compor grandes riffs e que o Nirvana não seria mais uma entre tantas bandas a sumir depois de lançar um disco independente. Ainda assim, ninguém, muito menos eles, poderiam imaginar o que os próximos anos lhes reservariam.


Nevermind – 1991

Nirvana
Nevermind

A ideia de “independência a todo custo” era muito forte entre os fãs e bandas do rock independente dos anos 80, especialmente na primeira metade da década.

As coisas começaram a mudar quando várias bandas canônicas da época – Husker Dü, Replacements, Sonic Youth e mesmo o R.E.M. – assinaram contratos com gravadoras multinacionais sem perderem sua credibilidade ou, ao menos em boa parte dos casos, a inspiração. Assim, não foi surpresa ver o Nirvana trocando a Sub Pop pela Geffen.

A gravadora certamente não esperava muito além de uma banda que vendesse por volta de 300 mil discos (na época um número relativamente baixo) e emplacasse alguns hits nas rádios universitárias ou no “120 Minutes” da MTV (o programa dedicado ao rock alternativo da emissora).

Nirvana
Krst Nososelic, Dave Grohl e Kurt Cobain

Cobain não escondia que tinha ambições maiores para a sua banda, e o novo material, certamente mais acessível do que praticamente tudo o que eles já haviam composto até então, comprova isso. O que chamava a atenção era mesmo ot alento de Cobain em conseguir equilibrar seu lado mais visceral com outro mais palatável.

A chegada do baterista Dave Grohl, de longe o melhor que já havia tocado com eles até então, e a escolha de Butch Vig para produzir as novas músicas- outro com talento para equilibrar o radiofônico com o experimental – acabaram gerando um produto de inegável qualidade.

Ainda assim é seguro dizer que ninguém mesmo imaginava que “Nevermind” se tornaria mais que um álbum de sucesso, um símbolo de uma época e o estopim para uma das últimas grandes revoluções comportamentais juvenis motivadas pelo rock.

Ainda que a sua onipresença, mais as incontáveis imitações surgidas desde então, tenham diluído um pouco o seu impacto inicial, é difícil não se referir a um disco que tem “Smells Like Teen Spirit“, “Lithium“, “Come As You Are” ou mesmo faixas menos lembradas como “Drain You“, “Lounge Act ou “Territorial Pissings“, senão como um clássico.


In Utero – 1993

Nirvana
In Utero

Em resumo, o Nirvana sentiu o gosto do megaestrelato e não gostou muito. Os sinais estavam claros, vide os shows em clima de ensaio – o de São Paulo no Hollywood Rock de 1993 tendo sido considerado o pior já feito pela banda – ainda que, verdade seja dita, muita gente que esteve no Morumbi tenha curtido o clima de caos instaurado no estádio.

As notícias de que Cobain estava com um seriíssimo problema com drogas pesadas circulam pela imprensa, assim como sua vontade de chamar o próximo disco de “Eu Me Odeio E Quero Morrer”.

Nirvana

O grupo de fato gravaria uma faixa chamada “i hate myself and i wanna die” que acabou saindo em uma coletânea, ou seja, ficou de fora do derradeiro trabalho de estúdio da banda.

“In Utero” foi produzido (ou melhor gravado, como ele prefere), por Steve Albini (que antes já havia trabalhado com os Pixies, uma das grandes paixões de Cobain) e soa como uma resposta direta ao som polido de “Nevermind”.

O álbum junta uma série de faixas ruidosas, onde o conceito de melodia é quase que abandonado (“Scentless Apprentice” ou “Milk It“) com outras de enorme melancolia e delicadeza – a clássica “All Apologies“. Entre esses extremos surgem alguns momentos mais diretos – os singles “Heart Shaped Box” e a polêmica “Rape Me“.

“In Utero”, vendeu bem, mas não da mesma forma que seu antecessor, e acabou se tornando o canto de cisne da banda. Se ele é o melhor álbum entre os três, é difícil dizer, mas certamente este é o que melhor capta a alma de Cobain.


Os álbuns ao vivo

Nirvana
MTV Unplugged in New York

O suicídio de Cobain, em 5 de abril de 1994, como esperado, levou a uma busca por material inédito da banda. “MTV Unplugged in New York” foi gravado em novembro de 1993 e exibido pela MTV americana um mês depois. O lançamento em CD se deu no final de 1994 e acabou se tornando uma espécie de réquiem para Kurt – graças ao clima mórbido, quase fúnebre da apresentação.

O show mostra um futuro possível para a banda – que muito bem poderia se arriscar em um material mais introspectivo, depois da catarse de “In Utero”.

Com exceção de “Come As You Are“, o grupo não quis tocar seus “grandes sucessos”. Eles preferiram se arriscar em faixas menos óbvias e covers – David Bowie, Vaselines, Leadbelly e os Meat Puppets, que foram os convidados especiais da noite, sendo homenageados.

Nirvana
From the Muddy Banks of the Wishkah

O lado mais violento do trio (depois quarteto com a chegada de Pat Smear como guitarrista convidado) está presente em “From The Muddy Banks Of The Wishkah” (1996), que compila gravações ao vivo feitas entre 1989 e 1994.

Para quem está em busca de ouvir um show na íntegra, “Live At Reading” (2009), com o concerto feito em agosto de 1992 no festival britânico é uma boa opção. Esse também saiu em DVD. As edições superdeluxe de “Nevermind” e “In Utero” também trazem DVDs com shows marcantes como extras.


Compilações e material extra

Nirvana
Incesticide

Incesticide” A primeira compilação do Nirvana saiu em 1993, juntando em um só pacote, boa parte das faixas da banda que não haviam saído em LP, e algumas curiosidades, como gravações para sessões de rádio. Mesmo sem manter o mesmo padrão dos discos de estúdio, o álbum é obrigatório para os fãs, e uma boa diversão para os ouvintes casuais.

Mais ambiciosa, é a caixa “With The Lights Out” (2004) que em três CDs e um DVD junta material raro e inédito – desde demos gravadas em 1985 até as sessões feitas nos estúdios da Ariola no Rio de Janeiro em 1993.

As coletâneas, “Nirvana” (2002) e “Icon” (2010), são mais convencionais e indicadas exclusivamente para quem só quer um disco com os maiores hits na prateleira. A primeira delas é a mais interessante entre as duas, principalmente por ela trazer um bônus de inegável valor histórico. “You Know You’re Right” foi a última faixa completa gravada pela banda e só pode ser encontrada nessa compilação.

Os grandes momentos do Nirvana podem ser ouvidos na estação Rock do Vagalume.FM. Fique ligado!

Fonte: Vagalume

|