Nos bastidores de “Rogue One”, todos tremem diante de Darth Vader

Não é spoiler: Darth Vader, o maior vilão da saga "Star Wars", está no novo filme da franquia, "Rogue One". Ele não faz longas aparições, é verdade, mas são suficientes para que os personagens à sua volta fiquem apavorados. E mais do que isso: tempo bastante para que até os atores que contracenam com ele se sintam intimidados.

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Não é spoiler: Darth Vader, o maior vilão da saga “Star Wars”, está no novo filme da franquia, “Rogue One”. Ele não faz longas aparições, é verdade, mas são suficientes para que os personagens à sua volta fiquem apavorados. E mais do que isso: tempo bastante para que até os atores que contracenam com ele se sintam intimidados.

Nos bastidores da produção, a cada vez que o ator e campeão de kickboxing galês Spencer Wilding vestia o traje do Jedi que foi para o lado negro da Força e entrava no set de gravação, todo mundo parava. Até mesmo o novo vilão, o diretor do Império Orson Krennic (interpretado pelo australiano Ben Mendelsohn), tremia.

“A primeira coisa é tirar da cabeça que você está contracenando com Darth Vader. O que foi difícil porque sou da primeira geração de fãs”, contou Mendelsohn, 47, durante o lançamento do filme em San Francisco. “Darth e seu gestual são muito familiares. Quando ele entra no set, todo mundo olha para ele. Todo mundo!”, brincou o ator, que vive o personagem responsável pela construção da Estrela da Morte.

Mas ninguém parecia mais animado que o mocinho de “Rogue One”, o ator mexicano Diego Luna, 36. “Eu cheguei a Londres um mês antes das gravações, para os ensaios e treinos, e me disseram que o Gareth [Edwards, diretor do filme] estava fazendo um teste de câmera em um cenário incrível, uma base imperial”, lembra o ator. “Depois que ele me deu as boas vindas, eu comecei a ouvir aquele chiado de respiração. Olhei para trás e Darth Vader estava ali, andando em minha direção. Eu virei um menino de seis anos, assustado. Virei para o Gareth e disse: ‘É o Darth!’ E ele: ‘É! Eu sei!’. Gareth estava igual criança também”.

O diretor britânico contou que teve dificuldade para dirigir o personagem. “Ele faz o que ele quer. Quer dizer, tem um ator ali dentro, mas você aprende muito rápido que, uma vez dentro do traje, com a máscara, fica tão intimidador que você já começa a pedir: ‘Por favor, Lorde Vader, o senhor pode dar um passo para frente? No fim, você fala: ‘Ah, faça o que você quiser'”, disse Gareth, 41.

Além de Vader, histórias de “Star Wars” sempre têm um droide falastrão, e desta vez ele atende pelo nome de K-2SO. Interpretado pelo ator norte-americano Alan Tudyk, 45, o K-2 é um robô imperial reprogramado para se tornar um rebelde. Para fazer esse papel, Tudyk contou que sofreu bullying. “O Diego ficava tirando sarro do meu figurino o tempo todo”.

Luna explica: “No primeiro mês, não dava nem para olhar para ele, porque ele estava ridículo. Era um pijama muito apertado e, ainda por cima, o robô é alto, e ele usava uns saltos altos. Então eu ficava na altura das bolas dele. Era bem intimidador”.

A Estrela da Morte

Outro personagem importante de “Rogue One” é a maior arma de destruição construída pelo Império: a Estrela da Morte, que destrói planetas inteiros com apenas um disparo. “Rogue One” relata os eventos que acontecem entre os episódios 3 e 4 da saga, quando a Estrela é construída e passa a ser usada no intuito de eliminar a Aliança Rebelde.

E, por trás dela, está Galen Erso, o arquiteto da Estrela, interpretado pelo dinamarquês Mads Mikkelsen, 51. “Eu vejo meu personagem como o [Robert] Oppenheimer [considerado o criador da bomba atômica]. Criou algo que ele pensou que era para o bem, mas que, no fim, foi usado para o mal.”

Gareth disse que, quando pensou na arma de destruição em massa, a primeira coisa foi limpar a ideia de ficção científica e montar a narrativa como evento histórico. “Imediatamente nos transportamos para a Segunda Guerra Mundial. Neste contexto, a Estrela da Morte se torna a bomba atômica e o roteiro é a corrida para controlar essa tecnologia.”

Política nas Estrelas

Os paralelos com a guerra e toda a concepção política do universo de “Star Wars” sugerem comparações com a realidade. Diego Luna disse ao UOL que “a beleza de ‘Star Wars’ é que você sempre pode fazer um paralelo”.

“A ficção científica talvez seja o melhor espaço para se fazer reflexões sobre sua realidade”, diz o ator. “Neste momento, Darth Vader e o Império podem representar qualquer ditador ou regime totalitário desta ou de outra época. O conflito dele com Luke Skywalker também pode ser visto como uma representação da sua família.”

Luna destaca um ponto importante de “Rogue One”: “Neste filme, não tem Jedis lidando com a força. São pessoas comuns, como eu e você, fazendo coisas extraordinárias. E a mensagem, portanto, é que as pessoas precisam se envolver, deixar as diferenças de lado e trabalhar juntas para alcançar a liberdade que merecem.”

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