Fotógrafo de Último Tango em Paris entra na polêmica: “Não houve violência”

O diretor de fotografia Vittorio Storaro decidiu entrar na polêmica envolvendo Bernardo Bertolucci, Marlon Brando e Maria Schneider em "O Último Tango em Paris", de 1972.

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Marlon Brando e Maria Schneider em cena de "O Último Tango em Paris"
Marlon Brando e Maria Schneider em cena de “O Último Tango em Paris”

O diretor de fotografia Vittorio Storaro decidiu entrar na polêmica envolvendo Bernardo Bertolucci, Marlon Brando e Maria Schneider em “O Último Tango em Paris”, de 1972.

Numa entrevista antiga, e divulgada recentemente na internet, Bertolucci afirmava que a cena de sexo entre os personagens de Marlon Brando e Maria Schneider, não foi consensual. Mas em nota divulgada esta semana ele diz que não foi bem assim e que “a única novidade era a ideia da manteiga”. A cena é uma das mais emblemáticas de Hollywood e envolve o uso de manteiga como lubrificante.

11mai2016-diretor-de-fotografia-vittorio-storaro-1481116652048_300x420Agora, em entrevista ao site The Hollywood Reporter, Storaro afirma que nada malicioso aconteceu no set de filmagem e que Schneider estava muito contente em fazer parte do filme. “Alguns jornalistas criaram uma questão de algo que não é uma questão. Li que houve um tipo de violência feita co contra ela, mas isso não é verdade. Não é. Eu estava lá com duas câmeras e nada aconteceu. Provavelmente Bernardo sentiu que talvez não tenha explicado completamente a Maria desde o começo e por isso ele se sentiu um pouco culpado e nada mais do que isso”, disse.
No entanto, Schneider já havia dito ao jornal Daily Mail, em 2007, que a cena do estupro não estava no script original e que ela havia se sentido violada pelo que aconteceu.

“Ele apenas me contaram sobre essa cena quando já estávamos prestes a filmá-la, e eu fiquei com tanta raiva. Eu deveria ter ligado para meu agente ou ter pedido para que meu advogado viesse ao set de filmagem, porque é errado forçar alguém a fazer algo que não está no roteiro, mas, na época, eu não sabia disso. Marlon me disse: ‘Maria, não se preocupe, é só um filme’, mas durante a cena, o que Marlon estava fazendo não era de verdade, mas eu estava chorando de verdade. Eu me senti humilhada e, para falar a verdade, me senti um pouco estuprada, por Marlon e por Bertolucci. Depois da cena, Marlon não veio me consolar nem pediu desculpas. Felizmente a cena só foi gravada uma vez.”

Hoje em dia, algo desse tipo dificilmente aconteceria já que o sindicato dos atores de Hollywood garante que cenas desse tipo sejam discutidas com os atores longamente antes da assinatura de contrato.

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