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Balanço: 2016 foi difícil para as novelas das nove da Globo mas bom para outros horários e emissoras

por Redação / Publicado em quarta-feira, 28 dez 2016 11:41 AM / / 438 views
Domingos Montagner e Camila Pitanga em “Velho Chico” / Claudia Abreu e José Mayer em “A Lei do Amor” (Divulgação/TV Globo)

Um ano e quatro meses foi o tempo em que “Cúmplices de um Resgate” ficou no ar. A novela terminou em dezembro mas as gravações já haviam se encerrado há pelo menos cinco meses. O estica e puxa do SBT dá sobrevida ao sucesso e é compreensível: a novela continua lucrando com a audiência fiel e com as vendas de produtos licenciados e shows. Novela infantil do SBT é franquia. A maior prova do acerto foi a boa audiência do show de encerramento de “Cúmplices de um Resgate” exibido após o término do último capítulo da novela.

É inegável que tanto o SBT quanto a Record amadurecem suas dramaturgias a cada produção de nicho a que se propõem: uma com as novelas infantis e a outra com as bíblicas. “Carinha de Anjo”, que substituiu “Cúmplices”, se aproveita da memória afetiva de seu público: a versão original mexicana foi um sucesso no Brasil em 2001. A versão brasileira tem dois diferenciais em relação às produções infantis anteriores: reciclou roteirista e diretor geral, e os protagonistas agora são crianças mais novas do que em “Cúmplices”, “Chiquititas” e “Carrossel”. Decisão sábia: apresenta alguma novidade, burla o desgaste e promove a renovação.

A Record também trocou o roteirista principal de suas produções bíblicas. Vívian de Oliveira, de “Os Dez Mandamentos”, deu lugar a Renato Modesto, que continua a saga dos hebreus com “A Terra Prometida”. O diretor geral é o mesmo, Alexandre Avancini, mas o tratamento à produção (agora a cargo da Casablanca) já mostra uma fotografia diferente e uma evolução em cenários e caracterizações. A continuação de “Os Dez Mandamentos” (a “nova temporada”) tentou dar sobrevida ao sucesso da novela, mas também preparou terreno para “A Terra Prometida”. Enquanto isso, a história de Moisés faz uma notável carreira de sucesso no exterior.

Lucero e Lorena Queiroz em “Carinha de Anjo” / Thaís Fersoza e Pedro Carvalho em “Escrava Mãe” (Divulgação SBT/TV Record)

Uma agradável surpresa em 2016 veio da Record: “Escrava Mãe”, novela de época com temática abolicionista que em nada deixa dever às produções da Globo. O capricho da produtora Casablanca em reproduzir cenários e figurinos, o elenco enxuto e bem escalado, com muitos veteranos de peso, e o texto redondo de Gustavo Reiz provaram que uma novela bem cuidada e produzida pode driblar o risco de levá-la ao ar com todos os seus capítulos já gravados.

Enquanto isso na Globo…

A crise no horário das nove, iniciada em 2015 com “Babilônia”, continuou nesse ano. “A Regra do Jogo” começou cambaleante em 2015 e só foi chamar a atenção em sua segunda metade, já em 2016. Terminou melhor que começou (na audiência) mas não conseguiu escapar de críticas por todos os lados. Em seu lugar, “Velho Chico” iniciou bem, com uma primeira fase estimulante que chamou a atenção pelo esmero da fotografia, cenários e figurinos e pela interpretação dos atores. Porém, esse ritmo não continuou quando parte do elenco foi trocado. Antônio Fagundes foi o maior alvo de críticas, por não ter mantido o tom de Rodrigo Santoro, que viveu com sucesso o mesmo personagem anteriormente.

Apesar da tragédia da morte do ator Domingos Montagner, “Velho Chico” pode ser considerada bem sucedida por ter proporcionado um respiro no horário nobre da Globo, há mais de uma década focado em tramas urbanas e realistas. Teve grandes interpretações em um elenco coeso, escolhido a dedo pelo diretor Luiz Fernando Carvalho. Ainda tratou de temas urgentes, como sustentabilidade e corrupção política. Por suas qualidades artísticas e técnicas, a considero a melhor do ano. Já a substituta, “A Lei do Amor”, pena para se ajustar. A novela começou confusa, com a trama prejudicada por um elenco numeroso. No afã de agradar ao público, o autores acabaram desfigurando vários personagens. “A Lei do Amor” segue tentando encontrar o seu caminho, mas já não consegue escapar da apelido de “Frankenstein”.

Marco Nanini e Sérgio Guizé em “Êta Mundo Bom!” / Vladimir Brichta em “Rock Story” (Divulgação/TV Globo)

Os horários das seis e das onze exibiram duas das melhores produções de 2016. “Liberdade Liberdade” custou para engrenar, mas acabou conquistando o público. O roteiro começou atirando para todos os lados até que as tramas foram se firmando ao longo dos capítulos, ancoradas na direção competente de Vinícius Coimbra e no elenco robusto, com interpretações marcantes. Às seis horas, Walcyr Carrasco retornou à faixa que o consagrou com uma trama de época singela e redonda. “Êta Mundo Bom!” conquistou uma excelente audiência, há muito não vista no horário. Com sua carpintaria eficiente, o autor trouxe diversão com uma mensagem de esperança para o público de todas as idades em um ano difícil para o país.

Diz-se que a receita do tradicional feijão com arroz também satisfaz o público de novelas. “Sol Nascente” não tem uma audiência ruim às seis horas, mas é o feijão com a arroz mais insípido dos últimos anos. Um amontoado de clichês – a família italiana + a família japonesa + roqueiros e motoqueiros tatuados – que nada agrega e tampouco entretém. Sua audiência razoável pode ser medida pelo efeito cascata que começa com a boa recepção de “Cheias de Charme“, no “Vale a Pena Ver de Novo”, e passa pela “Malhação“, que a antecede e lhe entrega um bom Ibope. A temporada “Pro Dia Nascer Feliz” de “Malhação” tem uma média atual de 17,5 pontos na Grande SP, três a mais que a temporada anterior no mesmo período. Mas convenhamos que, se o público estivesse detestando a novela das seis, essa cascata cessaria nela. (colaborou Fábio Dias)

Em contrapartida, a Globo está feliz com o horário das sete como há muito tempo não estava. “Totalmente Demais” e sua substituta, “Haja Coração”, são consideradas dois grandes êxitos da faixa. A fórmula: comédia e romance embasados em contos de fadas com forte apelo juvenil. “Rock Story”, que estreou em novembro, tem uma trama mais diversificada e um texto melhor que a anterior, “Haja Coração”. Segue pelo mesmo caminho com muito potencial. É a melhor novela no ar nessa passagem de 2016 para 2017.

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