TOPO

Milton Cunha prevê “Carnaval contido”: “Todo mundo reclamando de dinheiro”

por André Sank / Publicado em sexta-feira, 25 nov 2016 11:25 AM / / 500 views
  • Estevam Avellar/Divulgação/TVGlobo
    Milton Cunha prevê "Carnaval contido": "Todo mundo reclamando de dinheiro"
    Milton Cunha posa com seus sapatos de cristal confeccionados especialmente para o quadro Enredo e Samba do “RJTV”

     

Ainda faltam 90 dias para o Carnaval, mas o comentarista Milton Cunha já está no clima da folia, ou como ele prefere dizer, da “fuzarca do povão”. Munido de uma coleção de sapatos de cristais, ele reestreia na próxima segunda-feira (28) o quadro Enredo e Samba. A bordo de uma nave espacial que chegou na Terra para conhecer a festa brasileira, ele mostrará os preparativos das escolas cariocas para o “RJTV – Primeira Edição”.

Depois de visitar os 12 barracões e saber com detalhes o que cada agremiação do Grupo Especial vai levar para a Marquês de Sapucaí, Cunha dá o veredito: “Amada, vai ser um deboche só”. Em entrevista, o carnavalesco que se define como um “fio desencapado soltando 205 volts para tudo quanto é lado”, ressalta os efeitos da recessão na festa. Para ele, 2017 vai ser um ano “animadíssimo, mas visualmente mais contido”.

“Está todo mundo reclamando de dinheiro. Não vai ter o patrocínio federal da Petrobras, nem vai ter o patrocínio estadual. É uma perda grande, então os carnavalescos estão de cabelos em pé”, afirma Cunha. A falta de dinheiro vai ser percebida nas fantasias e alegorias. “É o Carnaval da crise, não vai se comprar o importado por causa do dólar caríssimo. Não vai ter raio laser nem efeitos especiais”, adianta.

Estevam Avellar/Divulgação/TV Globo

Milton Cunha prevê "Carnaval contido": "Todo mundo reclamando de dinheiro"
Milton Cunha aposta em homenagem da Grande Rio para Ivete Sangalo: “Aplausos garantidos”

Cunha, no entanto, está confiante de que as escolas vão se superar “na alegria e na raça”. “É um Carnaval de alta qualidade. Não tem enredo caça-níquel. Os 12 enredos têm uma envergadura cultural muito grande”, avalia. Na opinião do carnavalesco, uma forte candidata ao título é a Grande Rio, que homenageará Ivete Sangalo. “Ela é pop, né? Das cantoras atuais do Brasil ela é a rainha, e quando você traz uma pessoa tão carismática quanto Ivete realmente os aplausos são garantidos”.

O Salgueiro, com a Divina Comédia do Carnaval, e a Beija-Flor, que cantará sobre o romance “Iracema”, também estão entre as apostas de Cunha.  “O melhor enredo do ano é a São Clemente. Rosa Magalhães traz a história de um ministro ladrão que roubou o povo da França e construiu o Palácio de Versalhes. E aí qualquer semelhança com a política brasileira será mera coincidência”, diz.

O carnavalesco também acredita que haverá espaço para manifestações políticas durante o Carnaval. “Acho que quando o povo se reúne para beber, cantar e dançar, a crítica fica incontrolável. Daqui para frente, onde se reunir o povo, onde tentarem falar de política o protesto vai se armar”, diz.

“Eu reajo naturalmente”

Estevam Avella/Divulgação/TV Globo

Milton Cunha prevê "Carnaval contido": "Todo mundo reclamando de dinheiro"
Milton Cunha fala sobre seu estilo de comentar o Carnaval na Globo: “Chamo de gostosa, falo que está horrível e torço”

 

Há seis anos participando das transmissões do Carnaval pela TV Globo, Cunha já se acostumou a virar meme na internet. A aproximação com a web, ele explica, aconteceu porque o público se identifica com a espontaneidade de suas falas.

“Eu reajo naturalmente. Sou um ser humano que não ensaiou. Eu chamo de gostosa, falo que está horrível e torço. E tudo o que a rede social quer é o não ensaiado”, explica. “A internet não me respeita, é uma fuzarca junto comigo. Todas as loucuras que eu falo, eles falam também. Então é uma palhaçada, né? A rede social não quer aula de ciência, não quer marcha militar e quando uma louca como eu fica reagindo naturalmente ao seu amor ao Carnaval é perfeito para a papagaiada da rede social”.

Apesar do bom humor, Cunha enfrentou no ano passado críticas de Paulo Barros por seus comentários. O carnavalesco da Portela chegou a dizer que a TV Globo dá o microfone para “qualquer um falar”. O episódio, conta o comentarista, ainda não foi superado. “Ele não me recebeu no barracão dele”, afirma.

Em defesa própria, o carnavalesco afirma que a função do comentarista é comentar. “Não pretendo ser uma voz autoritária no Carnaval. Eles me deploram do lado de lá e eu faço a tréplica. Esse debate eu acho natural, acho democrático. Ele tem todo o direito de me detonar e eu tenho todo o direito de não gostar. O jogo é jogado, essa é a realidade, e vamos para frente”, conclui.

|