Não haveria a atual safra de terror sem “A Bruxa de Blair”, diz roteirista

Dezessete anos depois do primeiro filme, os fãs de “A Bruxa de Blair” finalmente voltam a percorrer a floresta das montanhas negras. Com estreia mundial esta semana no Festival de Cinema de Toronto e a partir desta quinta (15) nos cinemas brasileiros, “Bruxa de Blair” é a sequência de fato da franquia, que teve uma continuação mais ou menos disfarçada em 2000 com “Bruxa de Blair 2 – O Livro das Sombras”.

por

blair

Dezessete anos depois do primeiro filme, os fãs de “A Bruxa de Blair” finalmente voltam a percorrer a floresta das montanhas negras. Com estreia mundial esta semana no Festival de Cinema de Toronto e a partir desta quinta (15) nos cinemas brasileiros, “Bruxa de Blair” é a sequência de fato da franquia, que teve uma continuação mais ou menos disfarçada em 2000 com “Bruxa de Blair 2 – O Livro das Sombras”.

Para o bem, ou para o pessimamente mal, como entendeu a crítica, o novo tomo, dirigido por Adam Wingard (nas batutas da serie televisiva sobrenatural “Outcast”, do mesmo autor de “The Walking Dead”) é um tributo ao longa original de 2000, que arriscava novos territórios para a história de terror que conquistou plateias mundo afora em 1999. Não por acaso, David Myric, que dirigiu com Eduardo Sanchez o hit-surpresa da virada do século, assina a produção-executiva do novo filme.

“Estamos em momentos bem diferentes no cinema americano. Não haveria a nova leva de filmes de terror, como ‘O Homem nas Trevas’, sucesso de bilheteria mundo afora, sem ‘Invocação do Mal’. E não haveria ‘Invocação do Mal’ sem ‘A Bruxa de Blair’. Nossa ideia foi avançar um pouco mais no universo da Bruxa, mas sem deixar de prestar tributo a um de nossos filmes favoritos, que nos levou a trabalhar no cinema”, diz o roteirista Simon Barrett.

A história do novo filme, que foi rodado em segredo durante três anos, sob um título provisório, afim de não aumentar a pressão sobre a produção, começa duas décadas depois do desaparecimento de Heather (evento retratado no longa original), e teorias pipocam em Maryland, um pequeno estado do Meio-Atlântico americano, famoso apenas pela proximidade da capital federal, de seus caranguejos e da vida insana de sua maior cidade, Baltimore.

A câmera de Wingard, que usa raros momentos para recordar o espectador da estética crua e pseudo-documental do filme inicial, com a tremedeira dos equipamentos de mão do século passado, logo se fixa em uma floresta tão banal quanto erma (“Bruxa de Blair” foi toda filmada nas imediações de Vancouver, com uma vegetação bem mais nórdica do que a da Maryland real). James, irmão mais novo de Heather, convoca os amigos Peter, Ashley e Lisa para voltar às montanhas negras depois de um vídeo misterioso chegar em suas mãos, possivelmente o registro das imagens derradeiras de Heather.

“A partir daí é uma sequência de cenas de terror, na floresta, mas também em um local novo, que pode, ou não, ser a casa da bruxa. Há referências a cultos demoníacos, portas que se fecham abruptamente, acidentes na floresta, e, claro, ninguém no filme é exatamente o que parece ser”, diz James Allen McCune que vive o protagonista, também James.

A traição ligeiramente aventada por McCune se dá quando os jovens encontram o casal local responsável pela entrega do vídeo com possíveis imagens de Heather. Não se sabe com que interesse ou objetivo, Lane e Talia se oferecem como guias floresta adentro e, a partir daí, as coisas começam a se complicar para os quatro protagonistas.

A cena mais desconfortável para a plateia é, muito provavelmente, a que mostra Lisa (a ótima Callie Hernandez, também presente no Festival de Toronto com “La La Land”) em uma situação-limite, literalmente no submundo da assustadora casa da Bruxa. A atriz lembra que, no entanto, durante as filmagens, foi a floresta de verdade o motivo de pelos arrepiados no set de “Bruxa de Blair”:

“Em uma das filmagens noturnas, um grupo de lobos apareceu e você conseguia ouvir direitinho eles comendo algum outro animal. E o restante da alcateia uivando, celebrando. E isso aconteceu no mesmo dia em que nos avisaram que um jaguar estava zanzando pela área, faminto. E a gente ali, em silêncio, com câmeras em todo o corpo, rezando para nada acontecer. Aquele sim foi meu filme de terror particular”, conta.

Ao contrário do filme original, a sequência usa e abusa da tecnologia mais avançada de filmagem em movimento, com pequenas câmeras instaladas nas cabeças e ouvidos dos atores. Também se vê com nitidez pela primeira vez, ainda que de relance, a personagem razão de ser da franquia.

“A ideia não foi irritar os fãs, mas oferecer um pouco mais de informação sobre este universo, que tem tudo para continuar a ser explorado. Em nenhum momento explicamos exatamente o quê ou quem é a Bruxa. Mas talvez você saia do filme com mais pistas sobre o que de fato aconteceu 20 anos atrás”, diz Barrett, esperançoso de que outros filmes com a marca “Blair” seguirão o atual.

Você também vai curtir