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Leandro Hassum não é mais o mesmo: ator mostra lado galã e atleta no cinema

por Bibi Toledo / Publicado em segunda-feira, 26 set 2016 11:11 AM / / 686 views
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    Leandro Hassum não é mais o mesmo: ator mostra lado galã e atleta no cinema
    Cena de “Não se Aceitam Devoluções”, do diretor André Moraes, rodada em SP

     

Faz 13 graus no bairro do Ipiranga, em São Paulo, e Leandro Hassum se prepara para pular de um trampolim em uma piscina preaquecida —mas não muito— em um condomínio de luxo. É o penúltimo dia de filmagens de “Não Aceitamos Devoluções” e só há uma chance.

Sem avisar, ele pula alto e começa a se debater na água, gritando para que lhe tragam a neném que coestrela o filme. Com a menina aos prantos nos braços, ele então a ergue cuidadosamente de dentro da piscina, como se a clássica cena de “Rei Leão” fosse reencenada por Pedro Almodóvar.

Não tivesse perdido mais de 60 kg nos últimos dois anos, após se submeter a uma cirurgia bariátrica, Hassum, rei do pastelão, provavelmente não teria conseguido fazer metade disso.

Remake do homônimo mexicano, o filme será o primeiro protagonizado por ele ostentando a nova silhueta. No recente “Até que a Sorte nos Separe 3: A Falência Final” (2015), o ator ainda estava em processo de emagrecimento.

Aos 43 anos, completados nesta segunda (26), Hassum vive agora uma rotina regrada e de restrições alimentares. Viciado na maromba, passa até três horas por dia na academia. A cirurgia que eliminará o excesso de pele no abdômen, recomendada para dois anos após a intervenção, ainda está para ser agendada.

“Eu estou muito bem. Muito feliz e com muito mais saúde. É um momento novo na minha vida”, diz Hassum , em um dos intervalos de filmagem.

“Quando emagreci, saíram várias notinhas: ‘Hassum perde trabalho porque emagreceu’. É uma grande mentira. Meu leque só abriu. Filmei ‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’ como marido da Juliana Paes [como Teodoro, papel que foi de Mauro Mendonça no filme de 1976]. Com 150 kg, jamais seria convidado para transar com ela no cinema.”

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Leandro Hassum não é mais o mesmo: ator mostra lado galã e atleta no cinema
O cineasta André Moraes orienta Jarbas Homem de Mello e Leandro Hassum

 

Elétrico, Hassum decora o texto apenas na hora de entrar no set. Como antídoto a toda essa ansiedade —e, às vezes, à fome—, tem o hábito de fumar em cena. Foram dois cigarros durante a entrevista.

É o estresse, ele diz, que o faz funcionar e ser tão solicitado. De 2012 para cá, foram em média dois filmes rodados por ano —em 2014, três, sempre comédias.

“Vou ser bem metido agora: estou num momento da minha carreira em que ninguém mais me escolhe para nada. Quem escolhe o que quer fazer sou eu. Graças a Deus cheguei a esse momento. Sei que não é para todos e espero que dure.”

Na escolha da vez, “Não Aceitamos Devoluções”, ele interpreta Juca, um dono de quiosque mulherengo que recebe da ex-namorada americana uma criança “de presente”. Ela pode ou não ser sua filha.

Atônito, vai aos Estados Unidos para tentar devolvê-la. No processo, enquanto vira dublê de cinema em Hollywood, acaba se encantando pela pequena.

O enredo errático é a senha para Hassum se soltar no set. Atrás das câmeras, faz graça o tempo todo com a equipe. Inventa falas, desnuda personagens, imita colegas.

Na cena em que conhece o agente Bob (Jarbas Homem de Mello) em Los Angeles, filmada no interior de um apartamento em São Paulo, ele se voltou aos bastidores para perguntar se, em vez de falar, poderia fazer o gesto de bater a mão nas costas para sinalizar que está em maus lençóis. “Ah, a criançada gosta!”, advoga.

Na tomada seguinte, em que o personagem coloca uma das pernas para fora da varanda, prestes a se jogar do quinto andar —na verdade, o segundo— e a salvar a bebê, Hassum não se aguenta  com o pedido para ir um pouco além.

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Leandro Hassum não é mais o mesmo: ator mostra lado galã e atleta no cinema
Leandro Hassum filma cena em piscina de condomínio em São Paulo

 

“Pô, nego quer que eu dê o c* e ainda quer que eu raspe!”, berra. Da maquiadora ao assistente de direção, todos caem no riso. A descontração é instrumento.

“Eu preciso estar brincando para ficar na ponta dos cascos na hora de trabalhar. Eu, que venho do teatro, preciso do riso da plateia. E minha equipe é minha primeira plateia. É uma vaidade mesmo. Mas, se estou agradando aqui, sei que isso vai chegar ao público.”

Previsto para 2017, “Não Aceitamos Devoluções” tem um duplo desafio: repetir o êxito do original, filme mais visto da história do México, e da série “Até que a Sorte nos Separe”. Juntos, os três longas da franquia faturaram R$ 118,6 milhões, com público de 8.667.676.

Uma eventual saturação do formato comédia não preocupa o ator. “Eu acho que tenho um humor popular e familiar. Já recebi convites para filme que até acho engraçado, mas que, se fizesse, estaria traindo meu público. Eu decidi que quero fazer humor para todo mundo. Essa é minha arte”, entende Leandro Hassum.

“Gosto de dizer que, apesar de ter feito muitos filmes, nunca fui um ator da moda. Acho que é por isso que nunca saí de moda. E, amanhã, eu vou adorar fazer ‘escada’ para um grande novo comediante que estiver aparecendo”, promete. “Vou continuar trabalhando e não focar no sucesso. Porque o sucesso não aceita desaforo.”

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