“Pouca coisa me encanta na TV hoje”, diz Laura Cardoso, 88 anos

Estevam Avellar/TV GloboPara Laura Cardoso, a TV avançou apenas tecnologiamente Aos 88 anos e com mais de 60 deles vividos na televisão, Laura Cardoso tem carta branca para opinar com sabedoria sobre a programação das emissoras. A atriz, que acaba de estrear em "Sol Nascente" para viver Dona Sinhá, avó do vilão César (Rafael Cardoso), não se agrada muito com o que vê na tela atualmente.

"Pouca coisa me encanta na TV hoje. Sou perfeccionista, sou exigente. Acho que a TV perdeu, ela não avançou. Talvez ela tenha avançado tecnologicamente. No sentido humano, acho que ela regrediu", contou a atriz ao UOL, na última quinta-feira (25) no Rio de Janeiro.

A veterana conta que não aprecia o excesso de violência e tragédia explorado na dramaturgia. "A vida já é dura, difícil, acho que tem que amenizar. Tem que mostrar a violência só em certos horários", opina.

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    "Pouca coisa me encanta na TV hoje", diz Laura Cardoso, 88 anos
    Para Laura Cardoso, a TV avançou apenas tecnologiamente

Aos 88 anos e com mais de 60 deles vividos na televisão, Laura Cardoso tem carta branca para opinar com sabedoria sobre a programação das emissoras. A atriz, que acaba de estrear em “Sol Nascente” para viver Dona Sinhá, avó do vilão César (Rafael Cardoso), não se agrada muito com o que vê na tela atualmente.

“Pouca coisa me encanta na TV hoje. Sou perfeccionista, sou exigente. Acho que a TV perdeu, ela não avançou. Talvez ela tenha avançado tecnologicamente. No sentido humano, acho que ela regrediu”, contou a atriz ao Popzone, na última quinta-feira (25) no Rio de Janeiro.

A veterana conta que não aprecia o excesso de violência e tragédia explorado na dramaturgia. “A vida já é dura, difícil, acho que tem que amenizar. Tem que mostrar a violência só em certos horários”, opina.

Bazilio Calazans/TV Globo

"Pouca coisa me encanta na TV hoje", diz Laura Cardoso, 88 anos
Laura Cardoso em cena de “A Viagem”

Laura reconhece que existem atores novatos dedicados e talentosos, mas percebe que boa parte só está na profissão pela fama. “O público sabe diferenciar quem está na profissão para sair na revista e quem está por amor e seriedade. Fiz rádio, TV, circo, teatro. Eu amo a minha profissão”, diz ela, que traz em sua trajetória mais de 50 novelas, entre elas “Brilhante” (1981), “Mulheres de Areia” (1993), “A Viagem” (1996), “Caminho das Índias” (2009) e “Gabriela” (2012).

A atriz explica que atuar deve ser uma profissão exercida com seriedade. “Você tem que se dedicar de corpo e alma se você quer ser um ator de verdade. Hoje em dia todo mundo quer ser ator. Não estudam, não sabem ler. O ator precisa de estudo, de escola”, completa ela, que garante que não pretende parar de trabalhar nunca.

Bem resolvida com a aparência, Laura diz que respeita as pessoas que decidem fazer plástica, conta que nunca mexeu em seu rosto e corpo e carrega com orgulho suas marcas do tempo.

“Eu amo meu trabalho, minha profissão, já fui lindinha, gostosinha, mas a vida caminha, você tem que aceitar a transformação. Acho muita burrice querer mudar o exterior e o interior como é que fica?”, diz ela, que ainda completa: “Amo minha cara, minhas rugas, todo o meu ser. Vou morrer assim”.

“Mulheres de Areia”: “Nunca foi uma mãe vilã”

Divulgação/Viva

"Pouca coisa me encanta na TV hoje", diz Laura Cardoso, 88 anos
Laura Cardoso como Isaura, mãe de Ruth e Raquel (Gloria Pires) em “Mulheres de Areia” (1993)

Além de “Sol Nascente”, Laura pode ser vista no ar na reprise de “Mulheres de Areia”, no canal Viva. Quando tem tempo, ela tenta se assistir e tem sempre uma visão crítica sobre sua atuação.

“Gosto muito da trama e gosto de me assistir para me corrigir. Tenho uma autocrítica terrível. Eu sempre acho que poderia ter sido melhor”, conta.

A atriz defende Isaura, a mãe das gêmeas Ruth e Raquel, interpretadas por Gloria Pires. Para boa parte do público, a personagem tinha um lado misterioso, já que sempre protegia a filha má e não dava muita atenção para a mocinha Ruth.

“A personagem nunca foi uma mãe vilã. Ela amava aquela filha e a outra também. Só que aquela precisava mais dela, estava desencaminhada. A outra era mais certinha”, explica.

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