Outro filme de tubarão? “Águas Rasas” supera clichês e dá fôlego ao gênero

DivulgaçãoBlake Lively em cena de "Águas Rasas", do cineasta Jaume Collet-Serra

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    Outro filme de tubarão? "Águas Rasas" supera clichês e dá fôlego ao gênero
    Blake Lively em cena de “Águas Rasas”, do cineasta Jaume Collet-Serra

Pesque pela memória: qual filme estrelado por tubarão (ou qualquer outro tipo de fera oceânica) conseguiu fazer frente ao clássico de Steven Spielberg lançado em 1975?

A fama desse gênero, explorado à exaustão nas últimas décadas, não é das melhores. Embora algumas produções tenham feito certo sucesso e funcionado relativamente bem, a maioria delas naufraga miseravelmente num oceano “trash”.

Mas esse não é o caso de “Águas Rasas”, novo longa do diretor Jaume Collet-Serra estrelado por Blake Lively, que estreia nesta quinta (25).

Sejamos sinceros. Existem, sim, clichês e exageros estranhos na trama. Mas o suspense psicológico, as cenas de ação frenéticas e a adição de salutares contrapontos dramáticos acabam falando mais alto.

Basta lembrar que o filme conseguiu o feito de atingir surpreendentes 76% no site “Rotten Tomatoes”, que compila críticas dos principais veículos dos Estados Unidos, algo raro para filmes de tubarão.

Entenda abaixo por que “Águas Rasas” pode e merece ser levado a sério.

ATENÇÃO: O TEXTO A SEGUIR CONTÉM SPOILERS. NÃO CONTINUE LENDO SE VOCÊ NÃO QUER SABER DETALHES DA HISTÓRIA

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Outro filme de tubarão? "Águas Rasas" supera clichês e dá fôlego ao gênero

Atuação convincente

Blake Lively, estrela da série “Gossip Girl”, pode não estar pronta para levar seu primeiro Oscar, mas seu desempenho em “Águas Rasas” surpreende. Ela é Nancy, uma estudante de medicina que se arrisca no surfe e que decide ir sozinha a uma praia isolado no México. Lá, acaba virando alvo de um inapelável tubarão. Na luta pela sobrevivência, ela se entrega como nunca e dá vivacidade à personagem. Em uma das cenas, ferida pelo animal, a atriz precisa suturar a própria perna utilizando o cordão do colar. É até difícil de assistir. Ponto para o filme.

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Realismo

Mesmo quando são fruto da mais revolucionária tecnologia de computação gráfica, animais de mentira costumam incomodar no cinema. Simplesmente porque é impossível reproduzir perfeitamente a textura e os movimentos de ser um real. Dito isso, ainda assim vale a pena dar uma chance a “Águas Rasas”, talvez o filme em que um tubarão “fake” mais se aproxime de um bicho de carne e osso. OK. Temos certos exageros no comportamento do animal, como quando salta na superfície e engole vivo um surfista ou no momento em que é abatido de forma bizarra no fim do longa. Mas, no cômputo, o realismo de “Águas Rasas” está acima da média do gênero.

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Contraponto fofo

Nem tudo é tensão e agonia no mar do filme. Jaume Collet-Serra acerta ao explorar contrapontos dramáticos. O principal é uma gaivota que compartilha com Nancy horas e horas de desesperança e solidão quando ela se vê presa numa ilhota rochosa criada pela maré baixa. A ave também se feriu no ataque do tubarão, e sua asa deslocada a impede de voar. Até ser “operada” pela jovem, as “amigas” vivem instantes de solidariedade e apoio mútuo. O que inclui comer juntas larvas vivas para não morrer de fome. Toda fofice tem um limite, afinal.

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Suspense

Onde está o tubarão? Isolada na pequena ilha, Nancy não sabe. Inteligente e engenhosa, a personagem compreende que o perigo é iminente e se esforça para racionalizar no mar. Por exemplo: com seu relógio de surfista, ela consegue calcular a variação da maré e a duração dos passeios do animal ao redor. Com uma uma câmera deixada por um surfista, grava uma mensagem para eventuais salvadores em terra. Tudo isso alimenta um forte sentimento de suspense psicológico ao longo da história, que compensa furos no roteiro sem descambar para a apelação.

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Personagem bem construída

Apesar de entregar um roteiro “de manual”, sem surpresas, “Águas Rasas” tem como trunfo saber trabalhar a personalidade da protagonista. Nancy tem conflitos com o pai, que vê fraqueza quando no fato de ela querer abandonar o curso de medicina. Ela ainda tem de lidar constantemente com o fantasma da mãe morta, que costumava frequentar a mesma praia no passado. O ato de ir à praia surge como uma necessidade urgente. A construção de motivações enverniza a narrativa e ajuda a criar empatia com o espectador.

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