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“Highlander”, 30 anos: Filme lançou estética e referência para videoclipes

por Bibi Toledo / Publicado em segunda-feira, 18 jul 2016 21:30 PM / / 666 views

Ninguém imaginava, naquele 18 de julho de 1986, que a principal estreia nos cinemas tornaria-se referência de uma estética daquela década –um sinal que se refletiu numa bilheteria tímida nos Estados Unidos. Mas “Highlander – O Guerreiro Imortal”, dirigido por Russell Mulcahy e estrelado por Christopher Lambert, foi uma fonte de referência para os videoclipes e eternizou a gíria “highlander”, que muita gente hoje repete e não sabe por quê.

“Quando estreou, o filme foi mais cult do que sucesso. Depois é que foi descoberto por jovens”, lembra o  crítico Rubens Ewald Filho. “Ainda assim, muita gente não o entendia. Era diferente, causou estranheza, mas tinha um visual tão forte e marcante que conseguiu esconder que o protagonista era mau ator e vesgo. Nunca convenceu, mas era original e envolvente, e a trilha ajudou muito”.

Na trama, o guerreiro imortal Connor Macleod (Lambert) enfrenta sua primeira batalha na Escócia em 1536. Inexperiente, MacLeod é treinado por Ramirez (Sean Connery), um mestre dotado de vida eterna. Quatro séculos depois, agora também um imortal, o embate final entre MacLeod e seu maior inimigo se dá em Nova York, em 1985. E apenas um imortal deve sobreviver.

Divulgação

"Highlander", 30 anos: Filme lançou estética e referência para videoclipes
Christopher Lambert é um guerreiro imortal do século 16 em “Highlander”

Linguagem de videoclipe

Com “Highlander”, o diretor e produtor musical australiano estreava no cinema. Até então, era famoso por fazer videoclipes, como “Video Killed the Radio Star”, dos Buggles, que estreou a programação da MTV norte-americana em 1981, e vários para o Duran Duran (“Planet Earth”, “Hungry Like The Wolf”, “Save a Prayer”, “Rio” e “The Wild Boys”). Não à toa ele foi responsável por levar o estilo dos clipes para os longas-metragens, muito em função do estilo de fotografia, cheio de contraluzes e contrastes, e a edição picotada e acelerada que gerou muitas imitações na época.

Crítico do site Epipoca, André Lux compara o pioneirismo de Mulcahy na linguagem videoclíptica com a forma com que Ridley Scott levou para o cinema a estética dos comerciais de TV. “O que mais chama a atenção é a cenografia, os efeitos de fotografia inovadores, a edição e as transições inovadoras, a trilha musical que intercala canções do Queen com a partitura composta por Michael Kamen e a maneira incomum e não linear de contar a história”, enumera.

O filme era também difícil de ser classificado, entre a fantasia, a ficção científica e a ação. Acabou fazendo mais sucesso na Europa e na América Latina do que nos Estados Unidos, onde foi exibido em versão reduzida e com outra trilha sonora, sem o megahit “Who Wants To Live Forever”, do Queen. Mas o impacto foi tão marcante que “Highlander” teve cinco continuações, uma série de televisão que durou seis anos e outra série de animação.

Para o cineasta e diretor de videoclipes Mauricio Eça, “Highlander” é um filme clássico que até hoje influencia multidões e que continua com a aura de filme eterno e precursor, “apesar de sequências mal realizadas e desnecessárias”. “É um filme que trata de um homem imortal de uma forma mágica, aliando épocas distintas, com uma câmera ágil e fotografia classicamente apurada. Fora a ótima trilha sonora, que traz o filme para um patamar de clássico e pop”.

Rubens Ewald Filho lembra que esteve com um grupo de jornalistas em Buenos Aires, na Argentina, na locação do filme. Lá, tiveram a oportunidade de conversar com Christopher Lambert, que veio diversas vezes no Brasil, depois que se tornou amigo dos brasileiros. “O curioso é que, quando estávamos vendo a filmagem, ele ficou preso e dependurado num fio, num momento constrangedor. Ele levou tempo para sair de lá e puseram a gente para fora antes de piorar a situação”, conta ele. Sobre Sean Connery, Rubens diz que ele “tinha mais jeitão de guerreiro escocês e de rei”.

Mesmo que não tenha mantido o mesmo vigor ao longo das décadas, “Highlander” permanece como um dos mais cultuados dos anos 1980. “Talvez por misturar épocas de uma forma ágil e pop, se distanciando dos filmes de época quee muitas vezes têm linguagem cinematográfica e estética mais clássicas. E ‘Highlander’ se propôs a ser mais pop, ágil e moderno quanto a narrativa”, diz Mauricio Eça.

E para comemorar seu aniversário de 30 anos, o filme ganhou uma versão restaurada em 4K que será exibida em alguns cinemas do Reino Unido, e o Blu-ray foi disponibilizado em pré-venda na Amazon. Em entrevista ao site “/Film”, Cedric Nicolas-Troyan, diretor de “O Caçador e a Rainha do Gelo”, disse que está trabalhando no remake do filme, que terá o retorno de personagens conhecidos. Dave Bautista já foi cotado para ser o vilão Victor Kruger.

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