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Elenco e produtora dizem que novo Caça-Fantasmas não é filme de mulherzinha

por Bibi Toledo / Publicado em quarta-feira, 13 jul 2016 13:11 PM / / 411 views

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Os ataques de sexismo que a nova versão de “Caça-Fantasmas”, sofreu por ter quatro mulheres nos papéis principais são, nos bastidores da produção, um assunto a se manter longe do foco da imprensa.

Pelo menos este era o discurso que imperava durante às filmagens do longa, que chega nesta quinta (14) aos cinemas brasileiros, estrelado por Melissa McCarty, Kristen Wiig, Leslie Jones, Kate McKinnon e, para seguir a lógica de inversão de gêneros, Chris Hemsworth, que está no filme no papel do secretário sexy.

“Este não é um filme só para mulheres, é um filme para todos os públicos”, foi o mantra repetido por atrizes, produtora e equipe em geral a jornalistas do mundo todo.

A primeira a se fazer de desentendida foi a comediante Melissa McCarthy, que disse desconhecer as críticas dos fãs dos filmes originais à decisão do estúdio de escolher mulheres como protagonistas.

“Acho que as pessoas vão sempre criticar algo que não viram. Mas o que eu faço é não dar atenção a esse tipo de coisa. Se eles forem assistir, verão que é uma história super legal…”

Já Leslie Jones se mostrou mais incomodada com a polêmica. Ao ser questionada sobre como o fato de as personagens serem mulheres mudava a dinâmica da história, rebateu: “Você quer saber se a gente usa bolsa e coloca maquiagem durante o filme? Porque, sério, eu odeio esse lance todo. Vai ser um filme incrível e não importa se as personagens são mulheres, homens ou crianças! Por que todo mundo fica falando disso?”

Talvez a pessoa mais habilitada a comentar sobre o assunto, o diretor do filme, Paul Feig, desabafou contando que tem “recebido tuítes inacreditáveis sobre o filme no último ano, de gente que pensa que vai ser uma comédia romântica em que as mulheres choram cada vez que quebram as unhas”.

A intervenção mais inusitada, no entanto, foi da produtora Amy Pascal. Demonstrando preocupação de que o filme pudesse ser considerado “de mulherzinha”, a executiva deu sua visão sobre os questionamentos. “Eu estou vendo que vocês estão tocando muito nesta questão de o filme ter mulheres como protagonistas, mas eu gostaria de dizer algo sobre isto. Este não é um filme só para mulheres, é um filme para todos os públicos. Ele conta a história de quatro cientistas que acreditam em algo que ninguém acredita e que lutam para provar que estão falando a verdade e mostrar seu valor”, disse Pascal.

Para quem não se lembra, Pascal era a vice-presidente da Sony Pictures durante um dos maiores escândalos de vazamentos de informações confidenciais, em 2014, quando hackers invadiram a intranet do estúdio e revelaram desde salários dos atores a intrigas de bastidores, com e-mails em que ela ironizava artistas da casa, como Angelia Jolie.

Devagar com a diversidade

De fato, em um mundo ideal, sem sexismo, a presença de quatro mulheres nos papéis principais não deveria ser uma questão a ser levantada. Acontece que ainda há muita resistência de uma parcela do público masculino no tocante à diversidade em refilmagens e adaptações para o cinema.

“Mad Max: Estrada da Fúria”, por exemplo, chegou a sofrer uma campanha de boicote por parte de um grupo de homens que não admitiam o fato de Max receber ordens da Furiosa, ou pela personagem de Charlize Theron ter tanto destaque no longa quanto o protagonista Tom Brady.

Outro filme que sofreu críticas de fãs foi a nova versão de “O Quarteto Fantástico”, que colocou Michael B. Jordan, um ator negro, no papel do Tocha Humana. O personagem, tanto nos quadrinhos quanto na primeira adaptação, é branco.

E a polêmica se estende também para outra franquia: “007”. Recentemente Pierce Brosnan, que interpretou o agente em quatro filmes, deixou os homofóbicos e racistas de cabelo em pé ao dizer que James Bond poderia muito bem ser interpretado por um ator negro ou, ainda, ser um personagem homossexual.

Sobre “As Caça-Fantasmas”, vale ressaltar que tanto na história quanto nos bastidores do filme o discurso de igualdade que a produtora prega não se aplica totalmente.

Leslie Jones, por exemplo, é a única protagonista não branca. E sua personagem também é a única da equipe que não é cientista, mas uma funcionária do metrô de Nova York que possui conhecimentos autodidatas. Ou seja, é uma personagem que reforça a ideia de que negros têm sempre profissões menos, digamos, elaboradas.

Além disso, quem recebeu tratamento de estrela nos bastidores foi Chris Hemsworth. Mesmo sendo um coadjuvante, o ator foi o único que deu entrevistas individuais, enquanto as protagonistas mulheres, ou seja, as donas da história, falaram apenas em grupo.

Será que Bill Murray e Dan Aykroid, as estrelas dos primeiros filmes que fazem pontas na nova história, receberiam o mesmo tratamento?

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