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Debate e diversão: teste revela preferências do público do cinema nacional

por Bibi Toledo / Publicado em sexta-feira, 06 maio 2016 11:57 AM / / 440 views
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    Debate e diversão: teste revela preferências do público do cinema nacionalTeste de audiência do cine Belas Artes já avaliou cerca de 90 filmes brasileiros

Uma história clara e de personagens profundos, capazes de levantar discussões pertinentes e, ainda assim, render uma boa dose de entretenimento. Em linhas gerais, esses parecem ser as principais características esperadas pelo público em um bom filme nacional. Mas, dependendo de inclinações pessoais, as opiniões podem divergir.

O UOL conversou com realizadores, espectadores e compareceu nesta terça (3) em São Paulo ao teste de audiência do filme “Incógnita X”, no cine Caixa Belas Artes. A constatação: mesmo sem obedecer regra, os apontamentos indicam que o equilíbrio de elementos cinematográficos é o que mais agrada, além de questões técnicas bem azeitadas, como a duração do filme, a qualidade do áudio e e uma trilha sonora que tenha a ver com o assunto.

“É uma experiência bem forte e rica. Você passa três anos fazendo um projeto, com baixo orçamento privado, sem depender de edital, e em uma hora e meia as pessoas têm várias opiniões sobre o seu trabalho. Muitas vezes, são coisas que você, com olhar viciado, nem sequer imaginava antes”, diz ao UOL o codiretor do filme Leandro Franz.

Pré-exibindo documentários e ficções brasileiras em fase de finalização, o teste é realizado há nove anos em São Paulo, Brasília e Recife. Comum nos Estados Unidos —lá com viés mais comercial—, o projeto oferece o primeiro “feedback” externo a cineastas e produtores. Por aqui, já foram submetidos ao crivo da audiência filmes como “Cidade dos Homens”, de Paulo Morelli, “É Proibido Fumar,” de Anna Muylaert, e o premiado “Filhos de João – Admirável Mundo Bovo Baiano”, de Henrique Dantas.

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Debate e diversão: teste revela preferências do público do cinema nacional

Público preenche formulário em teste de audiência do doc “Identidade Cotidiana”

Após se inscreverem, os espectadores, cerca de 50 em média, assistem a uma sessão e, em seguida, preenchem um formulário de 20 questões quantitativas e qualitativas sobre o filme. O debate franco com os realizadores acontece na própria sala. Dali saem inúmeras sugestões, que o cineasta pode ou não acatar.

“Essas opiniões tenham valor estatístico, porque é um universo relativamente pequeno, nem que há uma única tendência nos comentários”, diz Michelle Sephanou, coordenadora do projeto e responsável pelos questionários. “O que dá para dizer é que esse é um público muito engajado com a arte e o cinema. Todos ficam felizes em participar de alguma forma da produção.”

Muitas vezes, é impossível ao diretor voltar à ilha de edição e retrabalhar o filme. Mas as ideias lançadas ajudam e muito na compreensão de histórias e suas possíveis conexões. Nos questionários, os espectadores também podem sugerir, por exemplo, palavras-chave que sintetizem o longa, que eventualmente serão utilizadas em cartazes e peças de divulgação.

Mais cinema

No caso do teste de “Incógnita X”, que narra uma invasão de manifestantes ao Congresso Nacional em 2013, as opiniões se concentraram na lentidão da narrativa no início do filme, no tom das discussões políticas e na falta de motivações de cada personagem. A impressão é a de que o público, composto por espectadores de diferentes idades e formações, quer mais elementos cinematográficos. E que tudo faça sentido na trama.

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Cena de making of de “Incógnita X”, de Vitor Damasceno e Leandro Franz

“A gente falar o que sente. E esse é um momento é muito importante, quando o cineasta consegue enfim o contato com quem vai consumir o produto dele. É  bastante democrático e respeitoso também”, diz o bancário Marcelo Miney, 34, que compareceu à sessão. Desde 2007, o projeto já exibiu cerca de 90 filmes.

“Chegam opiniões muito diferente de quem é cineasta. Eles levam em questão coisas mais sensoriais, emotivas. Ainda estou ainda pesando se vou tirar ou não a questão técnica que eles levantaram no meu filme. Porque de fato isso causou uma sensação neles”, diz a cineasta Anna Lucchese, que passou pelo teste em março com seu documentário “Identidade Cotidiana”.

“O resultado varia muito. Frequentemente, o produtor descobre coisas surpreendentes. Já aconteceu mais de uma vez de um filme trocar de título. O ‘Quanto Dura Amor?’ do Roberto Moreira, foi apresentado como ‘Condomínio Anchieta’, mas ele percebeu que o público queria mesma era outra coisa”, diz o curador do Teste de Audiência, Márcio Cury.

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