Clichês e atuações fracas: crítica internacional não perdoa filme “Pelé”

O longa "Pelé – O nascimento de uma Lenda", cinebiografia daquele que é considerado o melhor jogador de futebol da história, parece não ter agradado à crítica internacional. Dirigido por Jeff e Mike Zimbalist, a coprodução Brasil/Estados Unidos, que ainda não tem previsão de estreia no país, foi descrita como um amontoado de clichês, pecando em vários pontos, entre eles roteiro, direção e atuações.

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O longa “Pelé – O nascimento de uma Lenda”, cinebiografia daquele que é considerado o melhor jogador de futebol da história, parece não ter agradado à crítica internacional. Dirigido por Jeff e Mike Zimbalist, a coprodução Brasil/Estados Unidos, que ainda não tem previsão de estreia no país, foi descrita como um amontoado de clichês, pecando em vários pontos, entre eles roteiro, direção e atuações.

Até o início da noite desta quinta (12), o filme havia recebido apenas 14% de aprovação no site Rotten Tomatoes, que compila críticas dos principais veículos de comunicação.

A trama do longa vai da infância de Pelé na cidade de Três Corações até sua consagração aos 17 anos na Copa de 1958, trazendo os novatos Leonardo Lima e Kevin de Paula no papel principal.

O cantor Seu Jorge vive Dondinho, o pai de Pelé, enquanto o americano Vincent D’Onofrio, da série “Daredevil”, interpreta o técnico da seleção brasileira Vicente Feola.

Segundo o site “The Wrap” há superficialidade no filme, que explora clichês narrativos de fé e triunfo, não fazendo jus à história do biografado.

“‘Pelé’ prefere manter a velha fórmula do esporte no cinema e a dinâmica ‘ready-made’, o que é desanimador, considerando a riqueza multifacetada do documentário sobre futebol ‘The Two Escobars’, também dos irmãos Zimbalists”, escreve o crítico Robert Abele.

A crítica da revista “Variety” ressalta estereótipos e “diálogos constrangedores”, que deixam os espectadores paralisados em uma narrativa sem inspiração e muito tradicional.

“Os atores escalados para viver Pelé parecem ter sido escolhidos mais por serem parecidos com o jogador e serem bons de bola do que por seus talentos como ator”, escreveu Andrew Barker no site da publicação. “Seu Jorge acaba se tornando o melhor ator do filme.”

Já para o “The Hollywood Reporter”, aspectos técnicos se sobressaem no filme, como a edição e a fotografia nas cenas de jogo, descritas como inventivas. Mas, ainda assim, o longa é incapaz de atrair quem não é fã de futebol.

“Ironicamente, as cenas mais emocionantes chegam com os créditos finais, em que emocionantes gravações em preto e branco de jogos e destaques da lendária carreira de Pelé na Copa do Mundo são exibidos”, afirma o crítico Frank Scheck.

O britânico “Guardian” chamou atenção para o fato de o filme ser falado em inglês, mesmo ambientado no Brasil, o que é “chocante”. “Presumivelmente, é uma manobra para permitir que atinja o maior público possível”, escreve Ashley Clark.

“O fator de estranheza única se intensifica quando Vincent D’Onofrio aparece para retratar o técnico Vicente Feola sob pressão. O sotaque brasileiro do ator com frequência se desvia, de forma tagarela e hilária, ao estilo Al Pacino em ‘Scarface’.”

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