Conheça “Velho Chico”, novela que substitui “A Regra do Jogo”

Ambientada no Nordeste, a nova novela das 21h da Globo, “Velho Chico”, terá em seu figurino roupas reais de moradores da região. A trama de Benedito Ruy Barbosa vai substituir “A Regra do Jogo” e deve ir ao ar a partir de 14 de março, com direção de Luiz Fernando Carvalho.

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Ambientada no Nordeste, a nova novela das 21h da Globo, “Velho Chico”, terá em seu figurino roupas reais de moradores da região. A trama de Benedito Ruy Barbosa vai substituir “A Regra do Jogo” e deve ir ao ar a partir de 14 de março, com direção de Luiz Fernando Carvalho.

A equipe da figurinista ThanaraSchonardie, responsável pela caracterização dos atores, foi atrás de pessoas que vivem no interior de Alagoas, da Bahia e do Rio Grande do Norte – onde ocorrem as gravações – para propor uma espécie de “escambo”.

A partir de uma pesquisa prévia, a Globo identificou possíveis peças para compor o figurino dos personagens. A partir daí, a equipe trocava com os moradores locais uma roupa usada deles por uma nova, além de comprar alguns itens.

“Conseguimos, por exemplo, uma bota de um senhor que caminhava pela estrada. E demos outro sapato novo para ele”, conta Thanara. A ideia partiu do próprio diretor de “Velho Chico”.

Tons pastéis x tropicais

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Para diferenciar os personagens sertanejos, do interior nordestino, daqueles que vivem em Salvador, a Globo também resolveu adotar tons pastéis para os primeiros e cores mais saturadas e tropicais para os segundos.

“Comecei trabalhando Iolanda (Carol Castro), Leonor (Marina Nery) e Encarnação (Selma Egrei). No figurino de Leonor, estou usando muita flor e xita com estampa colorida. Os tecidos estampados vão sendo colocados em camadas e ganham volume. Já Iolanda representa a busca pela identidade brasileira, uma linguagem da tropicália, ela usa mais decotes e a roupa é mais estruturada no corpo”, explica Thanara.

O figurino da nova novela das 21h foi criado, segundo a Globo, respeitando um processo artesanal, em que as roupas passam por um processo de descoloração do tecido e posterior tingimento, até chegar à cor desejada. “A finalização é realizada com técnicas de envelhecimento natural: exposição ao sol, aplicação de cera, desgaste com lixas, pedras e a até própria terra do sertão foi usada, em alguns casos”, detalha a emissora.

“A gente trabalha nos detalhes. Eles fazem a diferença. É importante variar as técnicas para não ficar tudo igual. Diversidade é fundamental. No processo de envelhecimento, por exemplo, a gente vai tirando as cores do ombro, do cotovelo, para dar o ar de desgastado”, esclarece a figurinista de “Velho Chico”.

Até agora, a equipe já trabalhou no envelhecimento de mais de 700 acessórios, incluindo chapéus e botas. “Para os chapéus, deixamos expostos ao sol para que assumissem um aspecto de queimado, cores distintas, e usamos outras técnicas. (…) Não é só envelhecer. Tem a marca do tempo, do dia a dia. Os chapéus vieram do processo de envelhecimento e tínhamos que dar formas da cabeça. Cada personagem usa de um jeito. Tem a marca da mão, de acordo com a forma como ajeita o chapéu na cabeça”, detalha Thanara.

Primeira fase

A primeira fase da novela, escrita por Edmara Barbosa e Bruno Barbosa, começa no final da década de 1960 e se estende até os dias atuais.

As gravações ocorrem desde janeiro em várias cidades do Nordeste, como São Francisco do Conde, Raso da Catarina e Cachoeira, na Bahia; Baraúna e Mossoró, no Rio Grande do Norte; Povoado Caboclo, Olho D’água do Casado e Delmiro Gouveia, em Alagoas.

Até fevereiro, serão gravadas cerca de 500 cenas, comandadas por Carvalho, Carlos Araújo, Gustavo Fernandez e Philippe Barcinski, com uma equipe de aproximadamente 120 pessoas.

A trama é uma saga que atravessa gerações – a história começa no final dos anos 1960 e se estende até hoje. A novela mostra o romance proibido entre herdeiros de famílias rivais: Maria Tereza (Isabella Aguiar/Julia Dalavia/Camila Pitanga) e Santo (Rogerinho Costa/Renato Góes/Domingos Montagner). Além de nomes como Chico Diaz, Rodrigo Lombardi e Fabiula Nascimento, a novela conta com 70 atores selecionados em mais de 400 testes para participações nos capítulos iniciais.

De volta à Globo após 12 anos, Rodrigo Santoro já tem uma quantidade de capítulos estabelecida em “Velho Chico”: 24. Ele viverá o personagem Afrânio, que depois será interpretado por Antônio Fagundes.

Outra participação especial é de Tarcísio Meira, que viverá Saruê Vilela, um coronel e político de Grotas de São Francisco, município fictício da Bahia. Ele acaba adoecendo após ordenar que uma hidrelétrica seja construída em terras de latifúndio. Tarcísio irá contracenar diretamente com Santoro, seu filho na trama e com quem terá vários embates por causa dos ribeirinhos. O último trabalho do ator veterano foi em “Saramandaia”, de 2013, na qual interpretou o coronel Tibério Vilar.

Mais uma participação da primeira fase de “Velho Chico” será a do humorista Batoré, que vai aparecer entre seis e oito capítulos. “Mas [meu personagem] será importante porque o delegado fica muito próximo dos protagonistas. A produção é cinematográfica. Em 20 anos de televisão, nunca tinha ficado espantado com tanta estrutura”, conta.

Carvalho define a substituta de “A Regra do Jogo” como uma saga familiar shakespeariana. Segundo ele, vem aí “uma novela de amor, mas também emoldurada por uma crítica social”. O enredo do romance vai se entrelaçar à trajetória de luta pelo renascimento do rio São Francisco. A briga, que começa pelas águas e avança pelas terras, perderá o sentido para a nova geração, mas nem por isso a rivalidade deixará de existir entre seus integrantes.

Ainda segundo o diretor, a trama de Benedito também reforça outros valores importantes, como promover “um reencontro com a brasilidade, com a história do nosso país e de sua gente, dos amores puros e dos desencontros, uma declaração de amor à nossa terra, contada com uma emoção brasileira”.

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