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“Vingança é um prato que se come frio”, diz vice da RedeTV! sobre “Pânico”

por Redação / Publicado em segunda-feira, 30 nov 2015 13:07 PM / / 416 views
  • Divulgação/RedeTV!

    "Vingança é um prato que se come frio", diz vice da RedeTV! sobre "Pânico"Marcelo de Carvalho com o quarteto do programa “Encrenca”, na sede da RedeTV!

Vice-presidente e apresentador da Rede TV!, Marcelo de Carvalho não esconde a satisfação de vencer o “Pânico” no Ibope. Ironicamente, o programa que já foi a maior a audiência da RedeTV!, e desde 2012 é apresentado pela Band, vem sofrendo derrotas sucessivas para o “Encrenca” justamente no horário no qual se consagrou na televisão.

“Como neto de italiano calabrês, minha avó dizia que a vingança é um prato que se come frio. Então, como pessoa física, estou comendo fria a minha vingança. Estou muito satisfeito. Mas, como empresário não estou porque gostaria que vários canais estivessem programas fazendo sucesso, pois isso favoreceria a fragmentação da audiência que nos favorece”, disse o ex-patrão da trupe de Emílio Surita.

O empresário explica a decepção que teve com os humoristas do “Pânico”. “Na televisão, todos têm o direito de sair de um canal. Artista vai e vem. Atração vai e vem. Isso é do nosso ramo. O que eu fiquei chateado, magoado, foi a maneira como eles saíram. Isso não se faz. Você não cospe no prato que comeu. Tanto o Tutinha, quanto o Emílio ganharam milhões de reais aqui, então não dá para sair falando mal”, avaliou.

Dono da Jovem Pan e idealizador do “Pânico” na TV, Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, mais conhecido como Tutinha, disse para Ricardo Feltrin, após acertar a ida para a Band, que na nova casa teria “verba e estrutura decentes”. No lançamento do “Saturday Night Live”, em março de 2012, Carvalho já havia demonstrado sua decepção com o criador do “Pânico”. “Tutinha e Emílio recebiam metade do faturamento do ‘Pânico’. O restante tínhamos que dividir entre os outros humoristas e a produção. É uma mentira, uma injustiça, uma sacanagem ele dizer isso”. O executivo também ficou chateado porque, em suas palavras, “foi pego de surpresa” pela saída do programa que lançou nomes como Sabrina Sato, Wellington Muniz (o Ceará) e Márvio Lúcio (o Carioca).
Na opinião do empresário, o público perdeu o interesse porque, na concorrência, o grupo teria se desviado do humor original e irreverente pelo qual ficou conhecido. “Acho que o ‘Pânico’ perdeu a mão. O Emílio e o Tutinha perderam o caminho… Quando estavam aqui, tinha um negócio de inovação, de estar à frente, de não apelar e não ter muita baixaria. Hoje nem os meus filhos assistem ao ‘Pânico’, e não é algo que eu imponho a eles”, afirma Carvalho, que é casado com a apresentadora Luciana Gimenez.
O empresário se lembrou dos vários programas de humor que foram testados pela RedeTV! após a saída do “Pânico”, inclusive uma versão brasileira de “Saturday Night Live” com Rafinha Bastos, e comemorou os resultados do “Encrenca”. A disputa de audiência está acirrada, com uma pequena vantagem para a RedeTV!. No último dia oito, por exemplo, o “Encrenca” teve 5,55 pontos no Ibope, contra 4,96 do concorrente. No último domingo, o placar foi de 4.85 contra 4.26 a favor da RedeTV!.

“O público do ‘Encrenca’ é o público original do ‘Pânico’. O ‘Encrenca’ faz um programa interativo, e sem baixaria. O grande programador do ‘Encrenca’ é o público. O que está mais na moda do que WhatsApp, rede social?”, disse Carvalho, citando as formas de participação dos telespectadores, que enviam vídeos divertidos para o programa.

Guerra de audiência
Em fase de implantação no Brasil, o instituto alemão GfK recebeu os investimentos de RedeTV!, SBT e Record para se tornar uma alternativa à medição de audiência no Brasil. A Band também pretendia apoiar a empresa, mas desistiu da empreitada em agosto deste ano ao rescindir o contrato. A chegada de um concorrente ao Ibope foi elogiada por Carvalho.

“Fico chocado com a ignorância de algumas pessoas do mercado de dizerem que são contra a concorrência. Eu quero lembrar que se não existisse concorrência, no Brasil ainda só teriam Ford, Volkswagen, Fiat e General Motors de carro. E tínhamos carros que eram 30 anos mais antigos do que o restante do mundo. Se não existisse concorrência, as pessoas ainda iriam viver de alugar linha telefônica”, comparou.

Ele, que está aguardando a auditoria e validação dos números para receber os primeiros relatórios de audiência do GfK, disse estranhar a posição da Globo de não apoiar a criação de nova forma de medição de audiência.

“É como um camarada que fala, vou continuar com meu Ford Galaxie de 1971. Não gosta de evolução? É contra a livre-concorrência, o livre-mercado? Quer que continue como está? Qual a razão? Acho [a decisão] totalmente equivocada. Respeito, mas acho equivocada”, declarou.

Com mais de trinta anos de televisão, Carvalho diz que a grande mudança que ele observa atualmente em relação ao início da RedeTV!, há 16 anos, é a pulverização da audiência da TV aberta. “Antes a rede Globo tinha 90% de share [número de televisores ligados] e hoje tem perto de 30%. O share está mais dividido. A outra mudança é a queda das novelas do horário nobre. Eu me lembro que ‘Roque Santeiro’ deu 90% de share, uma loucura!”, afirmou.

“É como um camarada que fala, vou continuar com meu Ford Galaxie de 1971. Não gosta de evolução? É contra a livre-concorrência, o livre-mercado? Quer que continue como está? Qual a razão? Acho [a decisão] totalmente equivocada
Marcelo de Carvalho, sobre a decisão da Globo de não investir em um concorrente do Ibope

Investimento em séries para 2016

Divulgação/HBO

"Vingança é um prato que se come frio", diz vice da RedeTV! sobre "Pânico"

Marcelo de Carvalho cita “Game of Thrones” ao dizer que séries não são tão previsíveis como as novelas. RedeTV! deve investir no segmento em 2016

Atento aos novos hábitos e ao sucesso de serviços de streaming como a Netflix, o empresário pretende investir em produção de séries para meados do ano que vem. Tudo, diz ele, dependerá de como a emissora vai reagir à crise da economia.

“A RedeTV! não fará novelas, acho um risco muito grande – embora agora, depois de anos de investimento, a Record tenha acertado com esse golaço que é ‘Os Dez Mandamentos’. Assisti a vários capítulos e achei uma produção fantástica, primorosa. Mas é muito difícil e muito custoso”, analisou. “A gente vê que no mundo cada vez mais há preferência por espaços mais curtos de programação. O camarada não quer ficar assistindo por seis meses a mesma coisa. Ele quer assistir a uma série que dure quinze dias ou três semanas”, completou.

O vice da RedeTV! disse que o canal já começou a fazer a triagem dos mais de 250 roteiros recebidos – alguns deles assinados, inclusive por “autores consagrados que estão sem vínculos com outras emissoras”. A emissora ainda discute se irá produzir séries de humor, de acordo com Carvalho um gênero “mais seguro”, ou de drama – esta segunda opção é preferida por ele.

“O bom de séries é que você não precisa ser ‘coxinha’, sai do politicamente correto. ‘Breaking Bad’, por exemplo, o herói é um tremendo vilão. É uma loucura. ‘Game of Thrones’ você não sabe se as pessoas por quem você está apaixonado irão morrer. As séries quebram essa coisa meio previsível das novelas”, explicou.

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