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Nova série de Hermes e Renato estreia com roteiros e cenas de Fausto Fanti

por Redação / Publicado em quinta-feira, 19 nov 2015 12:10 PM / / 503 views

Após dois anos longe da TV, o grupo Hermes e Renato retorna nesta quinta-feira (19) com seu humor irreverente, em uma série homônima no canal pago FX. Aliando novos personagens a velhos conhecidos do público como Joselito e Boça, o projeto também marca o retorno de Adriano Pereira, Felipe Torres e Marco Antônio Alves à telinha pouco mais de um ano após a morte de Fausto Fanti, encontrado morto no seu apartamento em São Paulo, aos 35 anos.

Apesar de ter gravado apenas o piloto e a abertura da série, Fausto é uma presença forte nela, já que colaborou com os roteiros e será homenageado com uma arte ao final de cada um de seus doze episódios de meia hora. “Ele vai estar, além de em todos os esquetes, pelo fato de a gente ter escrito junto, em quase todos os programas, porque a gente pegou esse piloto, e tentou espalhar ao máximo entre os doze episódios”, explica Franco Fanti, irmão de Fausto e novo integrante do grupo.

Eduardo Knapp/Folha Imagem

Nova série de Hermes e Renato estreia com roteiros e cenas de Fausto Fanti

Fausto Fanti, morto em 2014, está presente na série “Hermes e Renato”, do FX

Após a morte de Fausto, em julho de 2014, a Fox deu aos humoristas a opção de cancelarem totalmente o projeto, mas eles preferiram seguir em frente. “Em um momento desse, tudo passa pela nossa cabeça, lógico que a gente teve duvidas, mas essa é a nossa profissão, o que a gente gosta de fazer, e a gente resolveu seguir em frente. Acho que a gente ainda tem muita lenha para queimar”, afirma Marco Antônio, o Hermes.

O que não significa que a volta aos trabalhos tenha sido um processo fácil. “Foi o lance de, fisicamente, estar gravando sem um grande amigo, de lidar com isso dentro de cada um e ter força para continuar”, acrescenta Marco. Além disso, a própria dinâmica de trabalho do grupo mudou, já que era Fausto quem exercia um papel de maior liderança.

“Ele era o líder, e a princípio a gente teve que se envolver mais e estar mais junto e atento a esse trabalho, porque o Fausto centralizava essas decisões”, lembra Felipe Torres, o Boça. “E ele tinha total condição de fazer isso porque ele era o cara que tinha mais bom senso do grupo. Não ter ele foi a princípio bem difícil, mas a gente conseguir dar conta do recado”. Ninguém, porém, assumiu o papel centralizador de Fausto: “O que a gente vem tentando é trabalhar naturalmente, dividir um pouco as funções e tarefas e todo mundo se responsabilizar mais por toda a produção”.

Humor escrachado

Dono de um humor escrachado que marcou a geração que foi adolescente nos anos 2000, o Hermes e Renato surgiu na MTV brasileira, onde ficou de 1999 a 2009. Depois de uma passagem de dois anos pelo “Legendários”, da Record, eles retornaram à emissora em 2013, mas ficaram por lá apenas até julho do mesmo ano, já que na época a marca MTV Brasil foi devolvido pelo grupo Abril à Viacom, e houve uma grande reestruturação de programação.

No FX, o grupo teve total liberdade para manter o seu humor característico – “do jeito que a gente imaginou, a gente vai por no ar”, afirma Felipe. Personagens como Joselito e Boça irão retornar, em um total de 600 personagens distribuídos por cem esquetes – que ocntam com participações de Bruno Sutter, ex-integrante do grupo, e João Gordo. Entre as novidades, há várias figuras inspiradas em famosos, como Gloria Kalinho (Gloria Kalil), João Krepe (João Kleber), Rafinha Bagos (Rafinha Bastos), Judith Onofre (Palmirinha Onofre), Carlos Roberto (Roberto Carlos) e Drauzio Varetta (Drauzio Varella).

Em uma época em que muitos humoristas recebem críticas por piadas ofensivas por meio das redes sociais – e até se envolvem em disputas judiciais, como Rafinha Bastos – o grupo não se preocupa em ser politicamente correto em seus esquetes, mas os humoristas ressaltam que estão lidando com ficção e com personagens que não necessariamente representam suas opiniões. “Quando a gente faz um personagem machista, não quer dizer que o grupo seja machista, aquilo é um retrato de uma situação machista, é dramaturgia”, diz Felipe.

Marco concorda que o fato de o grupo fazer ficção traz mais liberdade. “A gente faz ficção, a gente tem essa liberdade. Nunca vi ninguém ficar acusando a Globo de ter feito uma novela de época que tinha escravo. É ficção, é outra coisa”. Adriano completa: “Ninguém aqui é maluco, a gente tem bom senso”.

Na opinião de Franco, o humor do grupo também não é ofensivo porque não tem um alvo específico. “A gente atira para todos os lados: o pobre, o rico, o gay, o machão, não tem discriminação, a gente zoa todo mundo”.

Segunda temporada?

Às vésperas da estreia no FX, os humoristas já pensam em uma possível segunda temporada – mas ressaltam que ela deverá ser bem diferente dos outros trabalhos do Hermes e Renato e seguir um formato mais tradicional de série, a exemplo do que o Porta dos Fundos tem feito com “O Grande Gonzalez”. “A gente quer fazer esse formato de série, como a gente também já fez com as novelas, como ‘Sinhá Boça’ e ‘Proxeneta’, só que a gente quer fazer uma coisa bem diferente. E essa nova ideia aí vai surpreender a todos”, promete Felipe.

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