Disco a Disco – Pearl Jam

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Pearl Jam

Com uma carreira discográfica que já passa dos vinte anos e uma das maiores e mais fiéis bases de fãs do planeta, o Pearl Jam pode se gabar de ser uma das raras bandas que podem não só fazer o que bem querem e quando querem como contar com o apoio irrestrito de seu público e de uma gravadora de grande porte para isso.

Surpreende também ver que eles conseguiram isso contrariando as regras do jogo: evitando fazer clipes, fazendo shows onde a música é o foco único dos concertos, sem que sejam precisos cenários mirabolantes, brigando por manter os preços dos ingressos a preços mais baixos que a média e sem entregar canções com cara de hit single para as rádios.

Claro que eles pagaram um preço por isso. Há tempos o Pearl Jam fala muito com o seu público, mas pouco com o ouvinte casual. Esse provavelmente não conhece muita coisa deles além do disco de estreia, e uma ou outra canção eventual.

Esse guia serve então para os fanáticos, que verão a banda nos próximos dias no Brasil se reabituarem com a discografia do grupo, mas , principalmente, para estimular aqueles que nunca escutaram os discos da banda a o conhecerem. Em todos eles é possível encontrar músicas excelentes e, mais que tudo, perceber a evolução do grupo e como eles seguem dignos e com força mesmo depois de tanto tempo.


Ten” – 1991

Pearl Jam
Ten

Lançado em agosto de 1991 – um mês antes de “Nevermind” do Nirvana portanto – “Ten” ainda assim pegou carona na onda do rock de Seattle, ainda que o som dele fosse bem diferente daquele feito por seus outros “colegas de região”, numa cena que incluía entre outros Mudhoney, Soundgarden, Screaming Trees, Alice in Chains e o já citado Nirvana.

O PJ tinha a seu favor além de um vocalista carismático, de voz diferenciada e bonito, um som que não rompia com o passado ainda que ele não soasse retrô.

Dessa forma eles conseguiram conquistar fãs tanto entre a garotada que embarcou na tal “onda grunge”, como também entre gente mais velha, fãs de hard rock mais tradicional e até ouvintes de música pop radiofônica.

O grande responsável por isso foi “Ten“, não só o grande clássico da banda, como um trabalho fundamental para o rock dos últimos 25 anos. Daqui saíram vários clássicos da banda – “Jeremy“, “Once“, “Black” e, principalmente, “Alive” que segue como o momento chave dos shows do quinteto. O álbum já vendeu mais de dez milhões de cópias nos EUA e, comercialmente falando é, de longe, o mais bem sucedido trabalho deles.

Curiosamente, o disco demorou “para pegar”. Ele só atingiu o seu pico de vendas no final de 1992. Talvez por isso eles tenham sido acusados de estarem “surfando na onda do grunge”. Uma afirmação sem muito sentido, já que tanto o baixista Jeff Ament como o guitarrista Stone Gossard haviam tocado no Green River, que no meio dos anos 80 já prenunciava a mistura de punk, classic rock, e hard rock que estourou na década seguinte quando ganhou seu nome “oficial”.


Vs.” – 1993

Pearl Jam
Vs.

O segundo álbum da banda já sai como grande prioridade da Sony para aquele final de ano. Apesar de ter momentos mais luminosos e canções com cara de hit, é inegável que “Vs.” é uma resposta direta ao espetacular sucesso do trabalho anterior.

Vale lembrar que no começo dos anos 90 a questão do sucesso de massas e de como lidar com ele era algo que realmente preocupava certas bandas que vieram do meio independente – coisa que atualmente pouco, ou nunca, se vê.

Isso explica o som mais sujo e pesado, e a decisão de não se fazer clipes para nenhuma dessas faixas. Isso não impediu que ele vendesse igualmente bem – cerca de 6 milhões de cópias – e consolidasse de vez o quinteto no cenário roqueiro. Mais importante, o disco marca o início da parceria entre o PJ e Brendan O’Brien. O americano produziria os próximos três álbuns deles e, depois de uma “pausa no relacionamento”, voltou para gravar seus dois trabalhos mais recentes.


Vitalogy” – 1994

Pearl Jam
Vitalogy

Lançado depois da morte de Kurt Cobain e com o mundo já demonstrando um enorme cansaço do grunge e da cena de Seattle, o grupo respondeu a esse cenário com seu disco mais radical, introspectivo e hermético.

Vitalogy” foi um soco em quem ainda tratava o grupo com desdém e, de certa forma, é uma bela resposta à transformação do grunge- um movimento que começou legítimo, ainda que sem muita direção – em, literalmente, um modismo (quase todas revistas de moda da época publicaram editorais ao estilo “saiba se vestir “do jeito grunge”).

Vitalogy é um disco difícil ainda que tenha faixas como a bela “Better Man” – uma das favoritas dos fãs – e “”Spin The Black Circle“, o compacto escrito por eles que melhor se deu na parada americana, chegando ao 18° posto (o single mais popular foi “Last Kiss” – a cover da balada do início dos anos 60 chegou ao segundo posto, em 1999).

Este foi o último disco da banda que teve vendas realmente impressionantes, com suas quase 5 milhões de cópias. Desde então eles nunca mais venderam sequer a metade disso, ainda que tenham seguido populares especialmente no palco. O trabalho também foi muito elogiado pela crítica especializada. Este, ao lado de “Ten”, tendem a ser os discos da banda favoritos dos jornalistas.


No Code” – 1996

Pearl Jam
No Code

Outro disco difícil e com poucas concessões, a começar pela capa que sequer trazia o nome da banda. Numa época em que muitos fãs só sabiam dos novos lançamentos ao verem a capa na loja, essa foi uma atitude bem corajosa.

No Code” saiu depois da briga travada pelo grupo contra o monopólio da Ticketmaster no mercado de shows ao vivo nos EUA. Uma luta que lhes custou muita dor de cabeça, além de milhões de dólares e, de certa forma, lhes custou também a carreira, como o próprio Jeff Ament admitiria depois.

Ao menos uma coisa boa o ano de 1995 trouxe para eles. A gravação do álbum “Mirror Ball” com Neil Young. A banda nunca escondeu que o canadense é um de seus heróis – basta ver quantas vezes eles já tocaram “Rockin’ In The Free World” em seus shows. Logo, ter tido a chance de ser a sua banda acompanhante por todo um álbum, é algo que certamente os enche de orgulho.

Aqui, vemos que a influência de Young está ainda mais acentuada, seja na atitude do “vamos fazer o queremos e ao nosso modo e dane-se o resto”, ou em faixas como “Smile“. Mas no final, esse é um disco indicado mais ao fã de carteirinha que o ouvinte casual, ainda que esse vá encontrar músicas aqui que são bem acima da média.


Yield” – 1998

Pearl Jam

Ainda que longe de ter o apelo comercial e o imediatismo de “Ten”, o quinto álbum do PJ está entre os mais pop já lançados por ele, é claro que temos os momentos experimentais e as faixas que pagam tributo ao punk rock e ao rock alternativo dos anos 80, mas temos também boas melodias, e alguns dos melhores riffs da carreira deles.

Cientes de que tinham um produto de “mais fácil aceitação” em mãos, eles finalmente cederam e resolveram voltar a fazer um vídeo clipe.

A faixa escolhida foi “Do The Evolution“, uma das melhores do disco e da banda de uma maneira geral, e o clipe feito em animação é uma pequena obra-prima feita por Kevin Altieri e o conceituado desenhista de HQs Todd McFarlaine que ainda impressiona.

É engraçado saber que a faixa não foi lançada como single, já que ela certamente iria se dar bem nas paradas. Mesmo assim, a música apareceu nas paradas de rock moderno e rock mainstream. Outro sucesso do álbum foi “Given to Fly” que ficou no 21° lugar na parada geral e em primeiro na de rock mainstream.


Binaural” – 2000

Pearl Jam

Esse é um disco que traz muitas novidades para a própria banda. É o primeiro que não conta com a parceria com o produtor de todos os álbuns da banda até então, Brendan O’Brien. Essa também é a estreia do baterista do Soundgarden, Matt Cameron, como um membro da banda no estúdio também.

O disco traz algumas das músicas preferidas de fãs da banda. Destaque para a balada “Light Years” e o rock alternativo da canção “Grievance“.

Enquanto “Binaural” continuou agradando a crítica musical, com muitas avaliações favoráveis, o disco não foi tão bem quanto seus antecessores nas vendas. Este foi o primeiro álbum da banda que não chegou ao topo da parada de discos norte americana.


Riot Act” – 2002

Pearl Jam

Nova produção para o sétimo disco do Peal Jam. Adam Kasper foi uma sugestão do baterista Matt Cameron, que já havia trabalhado com ele em gravações do Soundgarden. Outra novidade desse disco é a presença do tecladista Kenneth Gaspar.

A história da participação de Gaspar no Pearl Jam é bastante interessante. O tecladista estava em uma jam session com Vedder, no Havaí, tocando a música “Love Boat Captain“. Quando eles completaram a canção, o tecladista foi convidado para gravar com a banda.

“Riot Act” foi lançado após os ataques terroristas, nos Estados Unidos, em 11 de setembro, e canções como “Bushleaguer“, trazem as críticas da banda à política norte americana, na época. Entre os singles desse álbum, destaque para a música “I Am Mine“. Diferente dos discos anteriores, esse álbum traz diversos videoclipes, todos gravados ao vivo em uma casa de shows em Seattle.

Mais uma vez, a banda não fez tanto sucesso nas paradas de álbuns. O disco chegou à quinta colocação nos Estados Unidos, conseguindo o topo apenas na Austrália.


Pearl Jam” – 2006

Pearl Jam

Mais conhecido pelos fãs como “Abacate” (basta ver a foto da capa ao lado para entender), o disco “Pearl Jam” demorou quatro anos para ser lançado. Novamente com críticas políticas, as músicas também trazem a sonoridade dos primeiros discos da banda, com um som mais agressivo, voltado ao rock.

Esse disco traz uma curiosidade. Os integrantes começaram as gravações apenas com riffs e nenhuma música completa. “Nós fomos ao estúdio com nada mesmo”, lembra o vocalista Eddie Vedder. Desta forma, “Pearl Jam” pode ser considerado um dos álbuns mais colaborativos da banda. Vedder define o disco como uma democracia absoluta.

O destaque de “Pearl Jam” é a música “World Wide Suicide“. O single foi muito bem nas vendas, com destaque para a parada de singles de rock da Billboard, onde ficou três semanas no primeiro lugar.


Backspacer” – 2009

Pearl Jam

O disco mais rápido do Pearl Jam (pouco mais de 35 minutos de gravação), também é um dos melhores da carreira da banda. O álbum traz algumas faixas com pouco mais de dois minutos, mas também tem espaço para canções mais trabalhadas.

“Backspacer” conta com a volta de Brendan O’Brien na produção. Esse trabalho, de acordo com o guitarrista Mike McCready, traz elementos da música pop e do new wave com o rock da banda.

Entre os destaques desse disco, os singles “The Fixer” e a balada “Just Breathe” fazem sucesso com os fãs e também se destacaram nas paradas.

O álbum também foi o primeiro da banda desde “No Code” a chegar ao topo da parada norte americana. Além disso, “Backspacer” foi o único álbum independente a ser primeiro lugar na Billboard.


Lightning Bolt” – 2013

Pearl Jam

O décimo disco da carreira da banda traz novamente a parceria de sucesso com o produtor Brenda O’Brien. Diferente de “Backspacer”, “Lightning Bolt” traz músicas maiores com uma sonoridade próxima dos primeiros discos.

Os destaques do álbum são as canções “Mind Your Manners” e “Sirens“, que também foram bem nas paradas de singles. A faixa “Sleeping by Myself” também merece ser ouvida com esta versão da banda, pois já havia sido lançada no disco solo de Eddie Vedder, “Ukulele Songs“.

Mais uma vez o Pearl Jam chegou ao topo da parada de álbuns, nos Estados Unidos, sendo o quinto disco na carreira da banda. “Lightning Bolt” também chegou ao topo no Canada, Austrália, entre outros países.

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