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Após três casamentos, Marcelo Rezende escreve livro sobre “falta de amor”

por Redação / Publicado em segunda-feira, 30 nov 2015 13:29 PM / / 589 views

isso-trouxe-para-um-programa-que-trata-uma-realidade-dura-de-um-pais-desigual-a-criancada-a-mae-e-a-avo-porque-o-pai-ja-assistia-falou-rezende-a-familia-se-compos-diante-de-1375793574786_956x500Um dos principais jornalistas de programa policial da TV brasileira, Marcelo Rezende está escrevendo um livro sobre “falta de amor”, que conta a história de um homem entre os séculos 18 e 19, pai de muitos filhos e “supostamente amor de algumas mulheres”.

Em entrevista, Rezende conta mais detalhes sobre a obra e fala ainda sobre a vida amorosa, evita revelar se está namorando, diz que prefere o “fruto maduro” e jura que nunca saiu com nenhuma fã – mas não vê “nada demais nisso”.

O jornalista desabafa sobre os três casamentos que não deram certo e avalia que o seu “egoísmo” e o “silêncio” o prejudicaram nos relacionamentos. “Eu sou a soma dos meus erros, que não são poucos, em busca de corrigir-me”, relata.

Veja a seguir a entrevista com o apresentador da Record:

Como surgiu a ideia de escrever este livro? Ele é baseado em histórias reais, fictícias, com personagensE por que esse tema?
Rezende: Nasceu de um pensamento. Outro dia, ao ler um texto de Agostinho numa conversa com um discípulo e ao apresentar um caso no “Cidade Alerta”, passei a pensar nas diversas formas de amor: amor de mãe, amor de pai, amor entre duas pessoas, amor ao próximo, amor oculto, e por aí vai. Aí parei no amor entre duas pessoas. E me veio uma definição: “O amor é a pedra lapidada da paixão”. A paixão continua, mesmo que numa forma mais modesta, mas entram o companheirismo, a cumplicidade, o respeito, a vida dividida, o ceder, os planos compartilhados. Daí pensei: e quais as formas do desamor. Daí resolvi começar a espelhar um livro que já me ocupava a cabeça. A história de um homem entre os séculos 18 e 19, pai de muitos filhos e supostamente amor de algumas mulheres. E tragédias vão acontecendo num ambiente de aparente amor, que, na verdade, é o mais completo desamor retratado numa única vingança.

Tem o apoio de alguma outra pessoa para escrevê-lo? Há data para lançamento?
Espero – e só espero – terminar no ano que vem. Escrevo sozinho e no pouco tempo que tenho de sobra, por isso demora.

Você foi casado três vezes e teve cinco relacionamentos. Escrever sobre “falta de amor” tem relação com algum antigo relacionamento? Ou, talvez, tem relação com alguma frustração amorosa?
[São] personagens de ficção com a soma das minhas vivências e do que penso.

Parece lidar tranquilamente com o fim dos casamentos. Você já fez alguma avaliação sobre por que não daram certo? Errou em algum ponto? Hoje faria diferente em alguma coisa?
Como escapar dos meus erros? Não é possível que com tantos relacionamentos eu esteja sempre certo. É óbvio para mim que uma das causas para tantos rompimentos é um egoísmo que me habita e um outro defeito grave: o silêncio. Falo o dia inteiro, mas desde que me lembro sempre guardei muito do que sinto só para mim. Uma relação precisa ter a parte reservada de cada um, um individualismo necessário, coisas que você esconde até mesmo de você. Mas eu sou fechado demais, apesar de não parecer. E isso é uma tragédia numa vida a dois. Eu sou a soma dos meus erros, que não são poucos, em busca de corrigir-me. Quando jovem você corre em busca do “dar certo”. O trabalho é a máquina que alimenta a ilusão do sucesso. Vence de um lado, perde de outro. Na maturidade você corre em busca da permanência. Quando olha o tempo passou – a vida é um átimo que não vemos. E quando vemos já é tarde. Paulo escreveu uma coisa que adoro: “Deus não nos deu uma alma de covardia, mas de poder, amor e equilíbrio.” Quisera eu entender isso mais jovem.

Eu não posso correr com a velocidade do Bolt, com o malabarismo do Neymar, com a explosão do Victor Belfort, com o equilíbrio de um bailarino como Nureyev quando jovem. Minha métrica agora é outra – é uma poesia compassada, lida com voz calma, quase dolente. Não é heavy metal

Está namorando atualmente? Pensa em se casar novamente?
Não sou eu quem me navego quem me navega é o mar. A poesia de Paulinho da Viola me ensinou a deixar a vida falar. Não sou homem de muitos amores nem de muitas paixões simultâneos. São muitas as flechas do amor. A questão é acertar o alvo. Por isso prefiro estar ou ser de uma pessoa a não ser de muitas.

Há dois anos, você afirmou que prefere as mulheres de sua idade e não as novinhas. Continua com a mesma opinião? Por que essa preferência?
Namorar com miss é bom, mas dá trabalho. Eu não posso correr com a velocidade do Bolt, com o malabarismo do Neymar, com a explosão do Victor Belfort, com o equilíbrio de um bailarino como Nureyev quando jovem. Minha métrica agora é outra – é uma poesia compassada, lida com voz calma, quase dolente. Não é heavy metal. Daí o fruto maduro – doce e suave na boca e de permanência mais longa.

Acredita que a idade o tornou mais sedutor? E criterioso também?
Sedutor não digo. Nem sei explicar bem. É como se a calma que tenho no meu dia a dia e o conhecimento de anos de vida se transformassem numa sabedoria de mostrar a outra pessoa que em mim vai encontrar afeto, respeito e dedicação e amor verdadeiro. Sempre fui criterioso – não tenho do que me queixar das mulheres que passaram na minha vida. Todas, sem exceção, são espetaculares mães dos meus filhos e me deram grandes alegrias. E na separação não houve tempo para mágoas ou ódios. Jamais deixamos que a relação chegasse ao fundo do poço. E isso chama-se “sabedoria do fim”.

Você criou um quadro sobre namoro no “Cidade Alerta” e a repercussão foi bem legal, a ponto de mulheres do Brasil inteiro enviar e-mails com fotos e perfis. Por que não deu certo com as pretendentes?
Porque não era esse o fim. A ideia era estreitar uma relação de amizade e de respeito. Não era para namorar ou casar.

Como você lida com o assédio? Já saiu com alguma fã? Teria algum problema em sair com elas? 
Lido com calma. A pessoa que te assiste idealiza o que nem sempre você é. A magia da televisão encobre os nossos defeitos. Jamais saí com qualquer fã. Mas não vejo nada demais nisso. A vida tem as suas surpresas e os seus mistérios. Tradução: a vida é um campo aberto para o novo.

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