Após três casamentos, Marcelo Rezende escreve livro sobre “falta de amor”

Um dos principais jornalistas de programa policial da TV brasileira, Marcelo Rezende está escrevendo um livro sobre "falta de amor", que conta a história de um homem entre os séculos 18 e 19, pai de muitos filhos e "supostamente amor de algumas mulheres". 

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isso-trouxe-para-um-programa-que-trata-uma-realidade-dura-de-um-pais-desigual-a-criancada-a-mae-e-a-avo-porque-o-pai-ja-assistia-falou-rezende-a-familia-se-compos-diante-de-1375793574786_956x500Um dos principais jornalistas de programa policial da TV brasileira, Marcelo Rezende está escrevendo um livro sobre “falta de amor”, que conta a história de um homem entre os séculos 18 e 19, pai de muitos filhos e “supostamente amor de algumas mulheres”.

Em entrevista, Rezende conta mais detalhes sobre a obra e fala ainda sobre a vida amorosa, evita revelar se está namorando, diz que prefere o “fruto maduro” e jura que nunca saiu com nenhuma fã – mas não vê “nada demais nisso”.

O jornalista desabafa sobre os três casamentos que não deram certo e avalia que o seu “egoísmo” e o “silêncio” o prejudicaram nos relacionamentos. “Eu sou a soma dos meus erros, que não são poucos, em busca de corrigir-me”, relata.

Veja a seguir a entrevista com o apresentador da Record:

Como surgiu a ideia de escrever este livro? Ele é baseado em histórias reais, fictícias, com personagensE por que esse tema?
Rezende: Nasceu de um pensamento. Outro dia, ao ler um texto de Agostinho numa conversa com um discípulo e ao apresentar um caso no “Cidade Alerta”, passei a pensar nas diversas formas de amor: amor de mãe, amor de pai, amor entre duas pessoas, amor ao próximo, amor oculto, e por aí vai. Aí parei no amor entre duas pessoas. E me veio uma definição: “O amor é a pedra lapidada da paixão”. A paixão continua, mesmo que numa forma mais modesta, mas entram o companheirismo, a cumplicidade, o respeito, a vida dividida, o ceder, os planos compartilhados. Daí pensei: e quais as formas do desamor. Daí resolvi começar a espelhar um livro que já me ocupava a cabeça. A história de um homem entre os séculos 18 e 19, pai de muitos filhos e supostamente amor de algumas mulheres. E tragédias vão acontecendo num ambiente de aparente amor, que, na verdade, é o mais completo desamor retratado numa única vingança.

Tem o apoio de alguma outra pessoa para escrevê-lo? Há data para lançamento?
Espero – e só espero – terminar no ano que vem. Escrevo sozinho e no pouco tempo que tenho de sobra, por isso demora.

Você foi casado três vezes e teve cinco relacionamentos. Escrever sobre “falta de amor” tem relação com algum antigo relacionamento? Ou, talvez, tem relação com alguma frustração amorosa?
[São] personagens de ficção com a soma das minhas vivências e do que penso.

Parece lidar tranquilamente com o fim dos casamentos. Você já fez alguma avaliação sobre por que não daram certo? Errou em algum ponto? Hoje faria diferente em alguma coisa?
Como escapar dos meus erros? Não é possível que com tantos relacionamentos eu esteja sempre certo. É óbvio para mim que uma das causas para tantos rompimentos é um egoísmo que me habita e um outro defeito grave: o silêncio. Falo o dia inteiro, mas desde que me lembro sempre guardei muito do que sinto só para mim. Uma relação precisa ter a parte reservada de cada um, um individualismo necessário, coisas que você esconde até mesmo de você. Mas eu sou fechado demais, apesar de não parecer. E isso é uma tragédia numa vida a dois. Eu sou a soma dos meus erros, que não são poucos, em busca de corrigir-me. Quando jovem você corre em busca do “dar certo”. O trabalho é a máquina que alimenta a ilusão do sucesso. Vence de um lado, perde de outro. Na maturidade você corre em busca da permanência. Quando olha o tempo passou – a vida é um átimo que não vemos. E quando vemos já é tarde. Paulo escreveu uma coisa que adoro: “Deus não nos deu uma alma de covardia, mas de poder, amor e equilíbrio.” Quisera eu entender isso mais jovem.

Eu não posso correr com a velocidade do Bolt, com o malabarismo do Neymar, com a explosão do Victor Belfort, com o equilíbrio de um bailarino como Nureyev quando jovem. Minha métrica agora é outra – é uma poesia compassada, lida com voz calma, quase dolente. Não é heavy metal

Está namorando atualmente? Pensa em se casar novamente?
Não sou eu quem me navego quem me navega é o mar. A poesia de Paulinho da Viola me ensinou a deixar a vida falar. Não sou homem de muitos amores nem de muitas paixões simultâneos. São muitas as flechas do amor. A questão é acertar o alvo. Por isso prefiro estar ou ser de uma pessoa a não ser de muitas.

Há dois anos, você afirmou que prefere as mulheres de sua idade e não as novinhas. Continua com a mesma opinião? Por que essa preferência?
Namorar com miss é bom, mas dá trabalho. Eu não posso correr com a velocidade do Bolt, com o malabarismo do Neymar, com a explosão do Victor Belfort, com o equilíbrio de um bailarino como Nureyev quando jovem. Minha métrica agora é outra – é uma poesia compassada, lida com voz calma, quase dolente. Não é heavy metal. Daí o fruto maduro – doce e suave na boca e de permanência mais longa.

Acredita que a idade o tornou mais sedutor? E criterioso também?
Sedutor não digo. Nem sei explicar bem. É como se a calma que tenho no meu dia a dia e o conhecimento de anos de vida se transformassem numa sabedoria de mostrar a outra pessoa que em mim vai encontrar afeto, respeito e dedicação e amor verdadeiro. Sempre fui criterioso – não tenho do que me queixar das mulheres que passaram na minha vida. Todas, sem exceção, são espetaculares mães dos meus filhos e me deram grandes alegrias. E na separação não houve tempo para mágoas ou ódios. Jamais deixamos que a relação chegasse ao fundo do poço. E isso chama-se “sabedoria do fim”.

Você criou um quadro sobre namoro no “Cidade Alerta” e a repercussão foi bem legal, a ponto de mulheres do Brasil inteiro enviar e-mails com fotos e perfis. Por que não deu certo com as pretendentes?
Porque não era esse o fim. A ideia era estreitar uma relação de amizade e de respeito. Não era para namorar ou casar.

Como você lida com o assédio? Já saiu com alguma fã? Teria algum problema em sair com elas? 
Lido com calma. A pessoa que te assiste idealiza o que nem sempre você é. A magia da televisão encobre os nossos defeitos. Jamais saí com qualquer fã. Mas não vejo nada demais nisso. A vida tem as suas surpresas e os seus mistérios. Tradução: a vida é um campo aberto para o novo.