Brasil ficou de fora, mas dá para torcer para argentino “El Clan” em Veneza

A 72ª edição do Festival de Veneza começa nesta quarta-feira (2) e apesar dos atores e diretores de peso na competição, não deu para ignorar que, mais uma vez, o Brasil ficou de fora. Mas se é para escolher um da lista para torcer, então que seja um "hermano", que vem forte na competição se depender da aceitação em seu país.

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A 72ª edição do Festival de Veneza começa nesta quarta-feira (2) e apesar dos atores e diretores de peso na competição, não deu para ignorar que, mais uma vez, o Brasil ficou de fora. Mas se é para escolher um da lista para torcer, então que seja um “hermano”, que vem forte na competição se depender da aceitação em seu país.

“El Clan”, novo filme de Pablo Trapero (“Elefante Branco”), estreou no dia 13 de agosto na Argentina e já bateu 1,5 milhão de espectadores. Foi a melhor estreia do país, superando o potente “Relatos Selvagens”, que concorreu em 2014 ao Oscar de melhor filme estrangeiro. O filme tem previsão de chegar aos cinemas brasileiros entre outubro e novembro deste ano.

Sem Ricardo Darín no elenco, o que dá ainda mais força ao êxito do filme nas bilheterias, “El Clan” conta a história real da família Puccio, responsável por sequestros e assassinatos em um bairro de classe média alta na Buenos Aires dos anos 80.

Esse clã era liderado pelo pai da família, Arquímedes Puccio, vivido pelo experiente Guillermo Francella, que já havia feito sucesso em “O Segredo dos Seus Olhos”. Tirando a estranha mania de varrer as calçadas em horários pouco convencionais, Arquímedes era visto como um senhor tranquilo do bairro de San Isidro.

Casado com a professora de contabilidade Epifanía, Arquímedes teve cinco filhos: Alejandro, Silvia, Daniel, Guillermo e Adriana. Ninguém suspeitava que o pai, dois de seus filhos, Alejandro e Daniel, e um grupo de conhecidos  sequestraram e mataram três empresários. A quadrilha foi descoberta pela polícia quando era cobrado o resgate de Nélida Bollini de Prado, graças à denúncia feita pelos familiares da vítima. Nélida sobreviveu ao sequestro.

Brilham no filme Guillhermo Francella, que a vida toda fez comédia na Argentina, e Peter Lanzani, que vive o primogênito Alejandro. “Entrei na história com assombro e interesse”, disse Francella. “Foi muito diferente para mim e todo o processo foi muito intenso. Não temos contato com esse perfil de ser humano, ainda bem. Então tivemos que ensaiar muito para chegar aonde gostaríamos”, disse Francella à imprensa argentina.

Trapero diz que decidiu contar a história porque sempre ficou intrigado com os Puccio. “E depois de fazer “Elefante Branco”, uma história contemporânea, senti que era um bom momento para fazer uma história de época”.

Outros destaques

O filme chega em Veneza neste domingo, mas há outros destaques na competição, como novo filme de Tom Hooper (“O Discurso do Rei”), “A Garota Dinamarquesa”, em que Eddie Redmayne vive uma das primeiras transexuais a passar por cirurgia de redesignação. Seu nome aparece novamente como um dos cotados a concorrer Oscar de melhor ator.

A lista de competidores ainda traz o futurista “Equals”, com Kristen Stweart e Nicholas Hoult, “A Bigger Splash”, de Luca Guadagnino, com Tilda Swinton, Dakota Johnson e Ralph Fiennes e o filme de guerra que se passa na África “Beasts of No Nation”, com Idris Elba.

Brasil no festival

O Brasil não está na competição, mas ganhou representação histórica no festival italiano nas mostras paralelas. Os longas-metragens “Boi Neon”, do pernambucano Gabriel Mascaro, e “Mate-me Por Favor”, da carioca Anita Rocha da Silveira, integram a mostra Horizonte.

Novo filme do diretor de “Ventos de Agosto” e do documentário “Doméstica”, “Boi Neon” investiga o Brasil rural e conta com Juliano Cazarré no papel do vaqueiro Iremar. Maeve Jinkings (“O Som ao Redor”) e Vinicíus de Oliveira (“Central do Brasil”) completam o elenco.

O curta “Tarântula”, dos paranaenses Aly Muritiba e Marja Calafanje, completa a programação e também aposta no suspense ao contar a história de uma família religiosa que vive em um casarão distante.