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Três discos do Led Zeppelin e o novo álbum de Joss Stone estão nos “Lançamentos da Semana”

por Marta Lima / Publicado em sábado, 08 ago 2015 12:00 PM / / 673 views


Led Zeppelin“Presence”, “In Through…” e “Coda”

Led Zeppelin
Presence

Com a chegada desses três álbuns, chega ao fim o programa de relançamentos da obra completa de estúdio do Led Zeppelin que teve início no ano passado.

Como já se sabe, todos os discos foram remasterizados pelo próprio guitarrista da banda Jimmy Page, e chegam acrescidos de um (ou mais) discos extras com material inédito.

Para os fãs casuais, ou os que não conhecem muito a obra da lendária banda, esses álbuns são justamente os menos celebrados do quarteto.

Led Zeppelin

Isso significa que eles não são as melhores portas de entrada para o rico universo de um dos nomes mais fundamentais da música moderna. Por outro lado, essas reedições ajudam a criar um ambiente propício para reavaliações ou redescobertas.

“Presence” de 1976 é talvez o disco mais pesado e bruto, e também o que traz menos hits ou músicas clássicas, entre todos lançados por eles.

Isso explica o fato dele ser o trabalho menos conhecido do quarteto. Verdade seja dita, nem tudo aqui sobrevive muito bem, ainda que ele não seja, nem de longe, ruim.

Mas, se levarmos em conta que o álbum foi feito em um momento complicado – o vocalista Robert Plant havia sofrido um grave acidente de carro que forçou o cancelamento de uma turnê e o obrigou a gravar as músicas em uma cadeira de rodas – o disco tem os seus momentos. As épicas “Achilles Last Stand” e “Tea For One” e a clássica “Nobody’s Fault But Mine” fazem por valer o investimento no disco.

Led Zeppelin
In Through The Outdoor

In Through The Out Door” lançado só em 1979, foi ainda mais complicado. aquele que acabou sendo o derradeiro trabalho do grupo também chegou cercado de problemas.

O disco foi feito com Page fortemente viciado em heroína (tanto que, pela primeira vez algumas canções não traziam a sua assinatura entre os compositores), com Plant ainda sofrendo a morte prematura de seu filho dois anos antes e o baterista John Bonham cada vez mais problemático por conta de seu alcoolismo. Assim, não surpreende ver o baixista John Paul Jones assumindo o comando dos trabalhos.

É por isso que temos aqui a profusão de teclados e sintetizadores, que podem talvez apontar o caminho que eles teriam seguido nos anos 80. “In Through…” também é irregular, mas tem momentos grandes – “Carouselambra”, “In the Evening” – e outros curiosos – a divertida “Fool In The Rain”.

Led Zeppelin
Coda

Finalmente, temos “Coda“, o “patinho feio” da discografia e o álbum que não era para ter sido lançado, já que esse disco, composto por sobras de estúdio, só saiu em 1982 para cumprir o contrato da banda com a gravadora Atlantic.

Como é mais do que sabido, o Led encerrou as atividades em 1980 depois de John Bonham ter morrido sufocado pelo próprio vômito depois de passar o dia tomando doses e doses de vodca.

Coube então a Page vasculhar os arquivos e montar um álbum com o, pouco, material que tinha em mãos.

Led Zeppelin

Por esse prisma, até que o resultado saiu satisfatório com canções que ficaram de fora dos discos finalmente achando seu lugar. Óbvio que este não é um disco perfeito, mas ele mostra como o padrão da banda era alto, quando até um punhado de músicas rejeitadas conseguem formar uma obra no mínimo interessante.

Curiosamente, desses três álbuns “Coda”, acaba se tornando o melhor graças aos seus dois discos extras. Isso porque o material aqui é de fato, interessantíssimo. Page colocou aqui mais algumas faixas inéditas que estavam perdidas em outros relançamentos e achou espaço para disponibilizar algumas das gravações que ele e Plant fizeram em 1971 na Índia com músicos locais.

Esse material certamente tem muito mais valor para os fãs do que as várias faixas com mixagens alternativas que Page colocou em praticamente todos os discos bônus dessa série de relançamentos.

Ouça “Nobody’s Fault But Mine” com o Led Zeppelin presente no álbum “Presence


Joss StoneWater For Your Soul

Joss Stone
Water For Your Soul

Em seu sétimo álbum de estúdio Joss Stone segue mostrando que é uma artista talentosa e simpática e capaz de surpreender.

Sim, porque nesse trabalho ela resolveu deixar um pouco a soul music de tintura pop que sempre a caracterizou, para apostar no reggae.

Mas não pensem que se trata daquele reggae sem sal que certos artistas pop adoram fazer, mas sim algo bem próximo “da coisa real” – com uma sonoridade próxima a dos discos seminais que Coxsone Dodd produziu nos anos 60 e 70 na Jamaica.

Não que este seja um disco todo de reggae de raiz, mas seus melhores momentos certamente bebem dessa fonte. Para quem não curte muito os ritmos jamaicanos, “Water For Your Soul” também tem boas doses de pop, R&B e, curiosamente, até uma inusitada faixa com influência da música paraense. Ouça o final de “The Answer” e veja se não temos ali uma autêntica guitarrada.

Ouça “Love Me” com Joss Stone presente no álbum “Water For Your Soul”

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