Fãs fieis do “Viola” se juntam a ato pela Cultura e pedem volta do programa

Beatriz Amendola/UOLFãs do "Viola, Minha Viola" dançam ao som de sertanejo de raiz durante ato em defesa da TV Cultura, em São Paulo

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Fãs fieis do "Viola" se juntam a ato pela Cultura e pedem volta do programa

Fãs do “Viola, Minha Viola” dançam ao som de sertanejo de raiz durante ato em defesa da TV Cultura, em São Paulo

Um ato pela TV Cultura, que em julho demitiu dezenas de funcionários, reuniu nesta segunda-feira (10) parte do público cativo do programa “Viola, Minha Viola”: senhores e senhoras de mais de 60 anos se juntaram a funcionários e ex-funcionários em frente à Fundação Padre Anchieta, na zona Oeste de São Paulo, para mostrar insatisfação com a atual situação da emissora e com o fim do “Viola”, que atualmente é exibido apenas em reprises.

Um dos manifestantes era Santo Porbele, de 87 anos. “Nunca perdi uma gravação”, disse o aposentado. Ao todo, foram 1600 gravações desde 1985, quando o programa ainda era apresentado pela dupla formada por Moraes Sarmento e Inezita Barroso – a cantora, que morreu neste ano, passou a apresentar o programa sozinha após a morte dele, em 1990.

A notícia do fim do programa não foi bem recebida por Santinho, como ele é conhecido nos bastidores do “Viola”. “Fiquei muito abalado”, contou. As lembranças, porém, são boas: “Poderíamos ficar o dia todo conversando, foram 1600 gravações”.

 

Fãs fieis do "Viola" se juntam a ato pela Cultura e pedem volta do programa

Funcionários da TV Cultura, ex-funcionários e fãs do “Viola, Minha Viola” se reúnem em protesto em defesa da emissora, em São Paulo

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Terezinha Rezende, 63, frequentava a plateia do “Viola” desde 2005 e fez questão de convidar vários conhecidos para a manifestação e tentar reverter o destino do programa. “Convidei o povo todo por telefone. [O programa] faz muita falta”. Segundo ela, as notícias do fim das gravações do programa causaram mal-estar em vários fãs. “A gente ficou muito pra baixo. Muita gente ficou mal, até de hipertensão”.

Catarina David, 70, era cativa da plateia do “Viola” há 30 anos e lamenta a falta que o programa fará para os telespectadores mais velhos. “Esse programa vai fazer muita falta para as pessoas de mais idade. Precisamos de mais programação de qualidade para esse público. O jovem vê qualquer coisa”.

“A Inezita era como nossa mãe”, completou Catarina. Ela disse que não pensou duas vezes antes de comparecer ao ato pela volta do programa. “A TV Cultura precisa de programa de qualidade, programa sério, programa honesto”, afirmou.

Durante o ato, alguns fãs aproveitaram para ao som de um sertanejo de raiz, que tocava em um carro de som. A dupla Cacique e Pajé também compareceu ao evento e chegou a cantar uma música, puxando em seguida um couro de “‘Viola, Minha Viola’, eta programa que eu gosto!”.

Dirigindo-se aos fãs, o diretor do “Viola”, Nico Prado Jr., afirmou: “A violência que nós sofremos não é nada comparada á violência que vocês sofreram. Vocês que fazem o programa, vocês e os artistas. Eles acabaram com um patrimônio de 35 anos e acabaram com qualquer respeito á vocês”. Toda equipe do programa foi demitida na leva de demissões que ocorreu em julho.

Procurado pelo Popzone, Marcos Mendonça, presidente da Fundação Padre Anchieta, comentou que tanto o “Viola” como o “Provocações”, comandado por Antonio Abujamra, estavam muito ligados a seus respectivos apresentadores. “Eram dois programas altamente personalizados, um na Inezita e o outro no Abujamra, e infelizmente eles faleceram. Essa equipe não tinha trabalho. Nós buscamos até patrocinadores para buscar um outro tipo de programa, infelizmente não conseguimos. Não tem sentido mantermos uma equipe que o programa não estava sendo produzido”.