Em busca de glamour, prêmio celebra pornô, mas esquece público feminino

Amauri Nehn / Photo Rio NewsGanhadora na categoria "Melhor Cena de Sexo Oral" em 2014, a atriz Angel Lima concorre este ano como "Melhor Atriz Hétero" no prêmio Sexy Hot

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  • Amauri Nehn / Photo Rio News

    Em busca de glamour, prêmio celebra pornô, mas esquece público feminino

    Ganhadora na categoria “Melhor Cena de Sexo Oral” em 2014, a atriz Angel Lima concorre este ano como “Melhor Atriz Hétero” no prêmio Sexy Hot

Nesta terça-feira (18) acontece em São Paulo a segunda edição do Prêmio Sexy Hot, iniciativa organizada pelo canal de programação erótica, com o objetivo de dar reconhecimento às melhores produções do gênero.

Para o criador da premiação, Maurício Palleta, diretor-geral do Sexy Hot, o evento é também “uma tentativa de dar mais glamour” à indústria pornô e acompanhar o crescimento da audiência por esse tipo de conteúdo, tanto na internet quanto na TV paga. “Tivemos uma repercussão muito boa no ano passado e vimos que a premiação ajuda a tornar o cinema erótico menos escuso”, afirma o executivo em entrevista ao Popzone.

Responsável por criar iniciativas no Sexy Hot que atendessem a audiência feminina, público responsável por 54% das assinaturas do serviço atualmente, Palleta lamenta não ter categorias específicas para o cinema erótico dedicado às mulheres este ano.

“O grosso da programação ainda reflete o que é produzido pelo mercado. A gente tenta pegar e criar outros nichos com uma pegada mais para esse público [mulheres], com filmes com mais roteiro, mas delicados, mais românticos, mas também não adianta inventar, a gente criou [espaço na programação para filmes dedicados às mulheres] do tamanho que dava”, diz Palleta.

Sediado em uma casa de eventos na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo, o prêmio traz 14 categorias, três a mais que no ano passado. Elas são dedicadas aos filmes LGBT, responsáveis por 20% das 170 inscrições.  “As categorias são categorias de desempenho, são parecidas com qualquer categorização de prêmios [como Oscar, Globo de Ouro, etc]”, explica Palleta. Além de “Melhor Filme”, “Melhor Atriz” e “Melhor Diretor”, o prêmio também escolhe a “Melhor Cena de Orgia”, a “Melhor Cena de Sexo Anal” e a “Melhor Cena de Dupla Penetração”.

Há ainda uma categoria voltada para o humor, “Melhor Título”, que reconhece a criatividade das produtoras na hora de batizar os filmes. “A Bunda Manda e o Bundão Obedece”, “Borboneca Tarada” e um trocadilho erótico com o filme “A Culpa é Das Estrelas” são os finalistas.

Sexo é commodity

Palleta conta que na seleção para os finalistas deste ano o que mais chamou sua atenção foi a “preocupação estética”: cenário, iluminação, atores e atrizes menos artificiais. Esse cuidado, segundo ele, aproxima o pornô do cinema tradicional. Para o executivo, a entrada de produtoras novas como a Xplastic e a J3 Produções, deu uma “chacoalhada” no mercado, fazendo com que as gigantes como Brasileirinhas e WS também investissem mais na qualidade de suas produções.

“O sexo é uma commodity, então [a seleção de finalistas] não tem grande inovação, não tem ninguém fazendo sexo com a orelha, com o ouvido. O diferente é o cuidado maior nas partes técnicas, é a tentativa de fazer um filme mais bem acabado, uma interpretação mais realista”, explica.

A segunda edição do Prêmio Sexy Hot terá apresentação do ator Sergio Loroza e os convidados Tico Santa Cruz, Lorena Bueri, Isabelita dos Patins, Sylvinho Blau Blau. No tapete vermelho do evento, as atrizes mais aguardadas são Fabiane Thompson , escolhida melhor atriz no ano passado, e Angel Lima, vencedora de “Melhor Cena de Sexo Oral” em 2014 e concorrente como “Melhor Atriz Hétero” por seu desempenho no filme “Tudo Pelo Prazer”.