Bon Jovi, Ghost e Jess Glynne estão nos “lançamentos da Semana”

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Bon JoviBurning Bridges

Bon Jovi
Burning Bridges

A capa do álbum, que traz apenas o nome da banda e o seu título escritos à mão em um papel que aparente ser de baixíssima qualidade já entrega que esse não é um disco comum.

Burning Bridges” está sendo divulgado como “um disco para os fãs”. Claro que podemos discutir se algum artista faz disco para “não fãs”, mas a intenção aqui é clara.

O trabalho é um mimo, ou seria um tapa-buracos?, entregue pela banda antes de sair em uma turnê internacional, para que eles tenham alguams canções novas para tocar.

Segundo a banda, o “verdadeiro disco novo” deles sairá no ano que vem. Mas esse aqui deve saciar o apetite de seus admiradores até lá. “Burning Bridges” tem dez faixas, que estavam prontas, ou precisando de alguns ajustes para serem lançadas.

Apesar disso, o clima aqui não é de desleixo ou com cara de demo tape. As faixas soam bem produzidas e executadas e trazem a tradicional mistura de hard rock, baladas e o som expansivo do U2 que caracteriza o som do grupo há anos.
O que parece mesmo é que esse é o álbum em que Jon Bon Jovi resolveu além de testar a nova formação de sua banda, soltar os seus cachorros. Talvez por isso a apreensão em lançá-lo como um disco “de verdade”.

Bon Jovi

Várias letras aqui tratam dos problemas enfrentados recentemente pela banda. “We Don’t Run” parece ser endereçada ao ex-guitarrista Richie Sambora com versos como “olhe ao seu redor, o céu está caindo”.

A faixa-título, por sua vez, traz o cantor vociferando raivosamente contra a Mercury Records, que por 32 anos lançou seus discos e, pelo visto, decidiu dispensá-los sem maiores traumas.

Sintomaticamente estas duas canções trazem o termo que nomeia o trabalho, prova de que Jon Bon Jovi não está nem um pouco preocupado, ao menos agora, em “quebrar pontes”. Dessa forma vai ser interessante ver o desenrolar dessa história.

Quanto ao disco, ele certamente irá agradar mais os fãs mais radicais do que os ouvintes ocasionais. Quem nunca gostou deles, certamente não vai mudar de opinião agora, mas, mesmo esses, têm que admirar a coragem de ver uma banda desse porte lançando um disco tão raivoso e sincero.

Ouça “We Don’t Run” com o Bon Jovi presente no álbum “Burning Bridges


GhostMeliora

Ghost
Meliora

Talvez o maior problema do Ghost esteja mesmo em sua imagem. O fato é que quem gosta de black metal e de outras vertentes extremas do estilo, tende a achar o som deles por demais “domado” ou mesmo “pop”.

Já os fãs de rock mais tradicional ou alternativo, sequer devem ter escutado algum disco da banda por acharem que ela se trata de mais uma banda de heavy metal “satânico”.

Se você está no primeiro caso não há muito o que falar, já que o som deles está cada vez mais melodioso e bem produzido.

Para os do segundo grupo, é preciso deixar claro: o Ghost é uma das bandas de rock mais interessantes e poderosas do momento além dela ser dotada de um saudável senso de humor, mesmo que nem todos consigam enxergar a graça.

Ghost

É compreensível que a imagem herética do sexteto assuste ou afaste muitos ouvintes – e atraia outros tantos obviamente – mas vale a pena dar uma chance para os suecos que se superaram nesse “Meliora“, um disco pesado, soturno e de grande impacto.

O som aqui pende mais para a psicodelia hardcore ou para o hard rock setentista. A influência do Deep Purple, especialmente no uso dos teclados, e, de bandas como o Blue Öyster Cult é visível, enquanto outras músicas exibem riffs mais próximos do metal mais tradicional.

Pode-se até reclamar de uma ou outra faixa menos inspirada ou dos vocais sem muita variação do Papa Emeritus III (que “curiosamente” tem a voz idêntica a de seus dois antecessores), mas é difícil ao final desses pouco mais de 40 minutos não ficar impressionado com o álbum e banda. Fãs de rock, de toda e qualquer vertente, certamente acharão muito aqui de seu agrado.

Ouça “Cirice” com o Ghost presente no álbum “Meliora


Jess GlynneI Cry When I Laugh

Jess Glynne
I Cry When I Laugh

Depois de ter chamado a atenção com suas participações em hits de Clean Bandit, Route 94 e Tinie Tempah, chegou a vez da ruivinha britânica Jess Glynne poder brilhar em um disco todo seu.

I Cry When I Laugh” é um bom disco de música pop, bastante moderno, mas com um certo tempero retrô. A maioria das faixas aqui não escondem a preferência da cantora pela house music dos anos 80 e, por consequência, a disco e a soul music setentista. A cantora também demonstra ter ótimo domínio da sua voz e que sabe escolher bem seus colaboradores.

Jess Glynne

Para quem já é fã, a dica é ir atrás da edição deluxe, que tem 20 faixas e compila também os hits que contaram com a sua participação especial citados lá em cima.

O sucesso do álbum no Reino Unido e em vários países europeus é dado como certo.

Resta agora saber se Glynne também conseguirá atingir o mercado americano com sua música simultaneamente acessível e sofisticada.

Quem gosta de música pop radiofônica também deverá curtir o álbum, ainda que talvez ele soe um tanto longo para esses ouvidos. Nesse caso, vale a pena ouvir o trabalho com calma e salvar algumas de suas faixas em uma playlist, já que ele conta com vários momentos, que soarão muito bem em uma coletânea bem compilada.

Ouça “Don’t Be So Hard On Yourself” com Jess Glynne do álbum “I Cry When I Laugh

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