Após desculpas do “Pânico”, presidente de comissão da OAB pede retratação

Após o “Pânico” e o humorista Eduardo Sterblich se desculparem com o público que se sentiu ofendido por conta do personagem “Africano”, o presidente da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Humberto Adami, afirmou que o pedido é insuficiente como retratação.

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Após o “Pânico” e o humorista Eduardo Sterblich se desculparem com o público que se sentiu ofendido por conta do personagem “Africano”, o presidente da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Humberto Adami, afirmou que o pedido é insuficiente como retratação.

“O melhor seria criar um outro personagem que ao invés de visar o menosprezo, usasse a criatividade e a inteligência, um certo desafio eu diria [para eles], para elevar a estima da população afrodescendente. Aí sim, podemos falar de uma reparação. Pedir só desculpas, é efetivo e positivo, mas é muito pouco”, declarou Adami.

Desde última segunda-feira (10), a comissão vem recebendo diversas mensagens de pessoas que se sentiram ofendidas por conta do conteúdo racista que o personagem expõe. Por conta disso, o presidente fez uma denúncia junto à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, órgão do governo federal. A mesma irá analisar o caso e verificar se ele deve ser encaminhado ao Ministério Público ou sofrer algum processo.

“O objetivo da comissão é resgatar a memória da escravidão negra, que foi apagada da história do Brasil. Eles [‘Pânico’] não se sentiriam à vontade para fazer um programa que tivesse esse nível de humilhação, menosprezo e desumanização a uma parcela da comunidade brasileira, se não achasse isso natural. Talvez eles vejam com naturalidade fazer chacota do negro”, acrescentou Humberto.

Entenda o caso

No quadro “Pânico’s Chef”, o humorista Eduardo Sterblitch aparece com o rosto pintado de preto e uma malha da mesma cor. Para se comunicar, o intérprete emite sons, apresenta danças características de países da África, além de aparecer bebendo água direto de uma torneira e andando descalço.

Em sua página no Facebook, Sterblitch lamentou. “Não sou racista! E também estou chorando… A quem deixei triste ou pior, peço desculpas por minha ignorância. Que, pelo menos, eu sirva de exemplo! Para que isso não aconteça mais”, escreveu.

Não sou Racista! E também estou chorando… A quem deixei triste ou pior, peço desculpas por minha IGNORÂNCIA ! Que, pelo menos, eu sirva de exemplo!Para que isso não aconteça mais.

Posted by Eduardo Sterblitch on Segunda, 10 de agosto de 2015

Procurando pelo Popzone, o diretor Alan Rapp afirmou que só se pronunciaria por meio de sua assessoria de imprensa. O personagem não deve mais aparecer na atração.

Em nota, o “Pânico” pediu desculpas:

O ‘Africano’ é uma das caracterizações presentes no quadro ‘Pânico’s Chef’. Neste mesmo quadro há caracterizações de mexicanos, chineses, árabes, entre outros.

O Programa Pânico está no ar há 12 anos na televisão brasileira e jamais teve a intenção de ofender seus telespectadores com nenhuma de suas atrações, mas sim, levar entretenimento com seu humor característico. O Programa Pânico pede desculpas ao público que se ofendeu com o personagem.

Para estudante negra, Simone Nascimento, 23 anos, membro do “Rua – Juventude Anticapitalista”, o quadro incita o ódio e o racismo, além de satirizar o negro.

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