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Sete Vidas – Lícia Manzo faz balanço final da novela . ‘Entrega e envolvimento’

por Redação / Publicado em sexta-feira, 10 jul 2015 10:31 AM / / 745 views

Licia-Manzo

Lícia Manzo é a autora de “Sete Vidas”

Quando “Sete Vidas” se despedir do público, nesta sexta-feira (10), não faltarão telespectadores saudosos dos dramas cotidianos e universais da novela das seis. Embora já haja torcida para que Lícia Manzo entre para o time de autores do horário nobre da Globo, a escritora diz que nem cogita essa possibilidade.

“Não teve conversa nenhuma, não recebi nenhuma proposta, e eu só pensaria nisso com uma perspectiva sólida. Não é uma mira”, garante ela, que não descarta trabalhar em projetos como minisséries na emissora. “Adoro formatos mais enxutos pela maior possibilidade de elaborar, rever, problematizar tramas, diálogos, personagens. É como gostaria de seguir trabalhando”, completa.

Partindo de uma premissa pouco usual – a doação de sêmen -, a trama seguiu o caminho já apontado em seu trabalho anterior, “A Vida da Gente” (2011), que valorizava os diálogos e as relações afetivas e familiares. Desta vez, as idas e vindas de Lígia (Débora Bloch) e Miguel (Domingos Montagner) e Júlia (Isabelle Drummond) e Pedro (Jayme Matarazzo) cativaram o público.

“Penso que a comunicação alcançada pela novela é fruto da alquimia entre atores, diretores, autores e técnicos que fizeram de ‘Sete Vidas’ o seu projeto pessoal. Todos vestiram a camisa, deram seu suor e coração, e assinaram este trabalho com orgulho e adesão total ao que estava sendo tratado. É como gosto de trabalhar e viver: com entrega e envolvimento totais. Na vida e na arte, não entendo quem se economiza”, analisa.

Embora destaque a densidade dos diálogos e a humanidade dos personagens, o crítico Maurício Stycer reconheceu entre os tipos masculinos uma fragilidade maior e apontou os maiores vacilões da trama. Para o blogueiro do Popzone Nilson Xavier, também faltou testosterona à novela das seis. Mas a autora discorda das análises.

“Meu interesse era criar personagens humanos, vulneráveis, tanto os homens como as mulheres. Não tenho interesse por heróis. Se eu achasse isso, não teria construído dessa forma”, argumenta.

Lícia foge de qualquer polêmica quando o assunto é a boa aceitação de Esther (Regina Duarte), homossexual assumida, ao contrário da rejeição que o casal Estela (Nathalia Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro) tiveram em “Babilônia”. “Não tenho como analisar isso, cabe ao público dizer. Tem a ver com a recepção, não com a emissão. Mas fico feliz que a personagem tenha sido bem aceita”, conta a autora, que destaca entre as performances surpreendentes da novela as atuações de Ghilherme Lobo (Bernardo) e Fabio Herford (Eriberto), que não conhecia.

Com a missão cumprida, a escritora conta que agora só tem plano de longas férias. “Uma novela é algo que te esvazia inteiramente: tudo o que vivi, ouvi, li, conversei, assisti ou experimentei, acaba derramado ali, no esforço de levantar cento e tantos capítulos tornando cada um deles verdadeiro ou relevante. A sensação que tenho ao final sempre é de incômoda mudez, silêncio – como se eu não tivesse mais nada a comunicar.  A imagem que me vem quando penso na possibilidade desta pausa, deste hiato, é a de um celular esgotado, sem bateria, que é colocado então pra recarregar”, afirma.

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