Criador de tipos dramáticos, preparador de Santoro vira número um da Globo

Instagram/SergioPennaDa esq. para dir., Sergio Penna, Camila Queiroz (a Angel, de "Verdades Secretas") e o diretor Mauro Mendonça Filho

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    Criador de tipos dramáticos, preparador de Santoro vira número um da Globo

    Da esq. para dir., Sergio Penna, Camila Queiroz (a Angel, de “Verdades Secretas”) e o diretor Mauro Mendonça Filho

Preparador de elenco oficial de Rodrigo Santoro há 15 anos, Sergio Penna tornou-se o número um da Globo quando o assunto é construir personagens complexos – já passaram por suas mãos Bruno Gagliasso (“Dupla Identidade”), Isis Valverde (“O Canto da Sereia” e “Faroeste Caboclo”), Juliana Paes (“Gabriela”), Bruna Linzmeyer (“Amor à Vida”), Mateus Solano (“Amor à Vida”), Deborah Secco (“Bruna Surfistinha”), Chambinho do Acordeon (do filme “Gonzaga – De Pai Pra Filho”), entre outros.

Em seu quarto projeto com o diretor Mauro Mendonça Filho – “Verdades Secretas”, Sergio é o responsável por introduzir todo elenco no submundo da moda. A trama das 23 horas aborda temas como prostituição de luxo, cujo envolvimento de cenas de nudez é comum, e o vício das drogas. Além do enredo, as atuações têm chamado a atenção do público e da crítica.

Reprodução/Facebook

Criador de tipos dramáticos, preparador de Santoro vira número um da Globo

Bastidores do filme “Bicho de Sete Cabecas” (2000), com Rodrigo Santoro, Thiago Bravo e Sergio Penna

Criador de tipos dramáticos, preparador de Santoro vira número um da Globo Avesso a métodos, Penna soma mais de 40 trabalhos no currículo entre filmes, séries, novelas e se destaca por criar memórias afetivas de cada papel na cabeça dos atores. Antes de começar como preparador em 2000, com o filme “Bicho de Sete Cabeças”, ele trabalhava como diretor e encenador de teatro, principalmente em São Paulo.

“Talvez uma das essências do meu trabalho seja permitir que o ator diga sem palavras, sinta sem sorrir, sem chorar. Que ele tenha um preenchimento suficiente e perceba que a figura dramática existe fora do texto verbal e fora do set. É fora de cena que vejo e percebo que o ator dominou seu ofício”, afirma.

Sergio acredita no exercício in loco do ator, por isso o processo inclui visitas a ambientes que contribuam para a construção do papel. Juntos eles exploram a narrativa, o imaginário e ele incentiva o artista a adquirir um novo eu. “Escutar o que a personagem tem a dizer é mais importante que ficar projetando métodos, não gosto de fórmulas. Momentaneamente o ator assume uma esquizofrenia e admite que não é mais só ele, existe um outro ser. Esse trabalho tem um tempo próprio. É fundamental uma preparação e despreparação”, explica ele que divide o processo em três módulos.

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Criador de tipos dramáticos, preparador de Santoro vira número um da Globo

Juliana Paes imersa no sertão da Bahia para entrar no imaginário da personagem Gabriela

Criador de tipos dramáticos, preparador de Santoro vira número um da Globo Em 2008, quando Santoro interpretou Raúl Castro no longa “Che”, o ator e o preparador passaram 20 dias em Cuba viajando de teco-teco, cavalo e se hospedaram em cabanas, uma inclusive, onde Raúl e Fidel ficaram na época da Revolução Cubana (1953-59). O processo é muito significativo e envolve descobertas, pesquisas e solidão, de acordo com o profissional. Para o filme “Heleno”, eles ensaiavam à noite, embaixo de chuva e Rodrigo ficou uma semana no hotel Copacabana Palace vivendo como o jogador de futebol.

“Passei três dias com a Juliana [Paes] no sertão para gente entender a gênesis de Jorge Amado [escritor]. A Gabriela além de ser bonita, subir no telhado e ter um corpo escultural, era uma retirante nordestina que chegava naquele porto de Ilhéus (Bahia) e poderia ter sido uma escrava, era necessário entender isso”, conta Penna, que ainda visitou bordéis da região com outras atrizes da minissérie “Gabriela”.

Para o papel de Jesus Cristo em “Ben Hur”, que deve estrear em 2016, Rodrigo leu a Bíblia, assistiu diversos filmes e conviveu com estudiosos e teólogos. “Você tem a mistura de um homem, de um Deus, um semideus. A ideia foi trabalhar de uma forma bem humana e sem impostação”, adiantou Sergio.

“Não dá para ser ator só porque acha bacana ou viu no jornal”

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Criador de tipos dramáticos, preparador de Santoro vira número um da Globo

Sergio Penna trabalha como preparador de atores há 15 anos

Criador de tipos dramáticos, preparador de Santoro vira número um da Globo Apesar de ter sido citado como psicólogo pela modelo Yasmin Brunet — que estreou em “Verdades Secretas” –, em entrevista para revista “Glamour”, Sergio explica que não se encaixa no perfil e há um distanciamento individual. “A trajetória do ator sempre será sozinha e solitária. Não invado o corpo e a psique do outro. Para ser verdadeiro não pode haver imposição. Não evoco nenhuma questão pessoal”, diz.

Penna acredita na experiência do teatro, do palco, como base para quem deseja se aventurar na dramaturgia. E cita a vivência cotidiana e o caráter como características fundamentais. “Saber ter afeto, ser uma pessoa boa é tão importante quanto ser um grande ator. Saber lidar com o papel que a vida lhe impôs é tão importante quanto saber lidar com os papéis que a profissão dá”, alerta.

Segundo ele, o ator não consegue ser um bom profissional se ele não for tocado pela vida, não tiver foco e não se entregar. “Não dá para ser ator só porque acha bacana ou viu no jornal. Às vezes não é possível interpretar um personagem porque a pessoa não possui emoções. Sentimentos são criados e vividos. Atuar é na essência. As pessoas são diferentes, os limites são diferentes”, declara.

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