Alvo de “haters”, celebridades contam como convertem ódio em admiração

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Ofensas, críticas, elogios e grosserias. As redes sociais muitas vezes se transformam em um poço de ódio, e nem mesmo os artistas escampam dos "haters" (pessoas que disseminam ódio a tudo a todos nas redes sociais). É comum alguns famosos perderem a paciência e responderem os comentários, ficarem chateados, preocupados ou pensarem em apagar seus perfis.

Polêmicos, engajados, marqueteiros, engraçados, não importa o perfil da rede. Basta ser uma pessoa pública e ter alguma relevância na mídia para rapidamente se tornar alvo de comentários maldosos ou motivo de piada. 

Recentemente, a apresentadora Xuxa Meneghel foi criticada após publicar uma foto de biquíni em que tentava fazer uma posição de ioga. Alguns afirmaram que a apresentadora de 52 anos estava se exibindo. "Obrigada pelos elogios, mas não quis mostrar nada. Além do que, não tenho idade para isso, nem corpo. Desculpa e obrigada", respondeu ela para um internauta.

Reprodução/Facebook

Alvo de "haters", celebridades contam como convertem ódio em admiração

Xuxa tenta fazer ioga na praia, mas acaba se desequilibrando e desaba na areia

Alvo de "haters", celebridades contam como convertem ódio em admiração

Com 395 mil seguidores no Instagram, a nutricionista Bela Gil é uma das principais vítimas dos "haters". Uma foto da lancheira da filha com batata doce, banana da terra, granola e uma garrafinha de água, a sugestão do uso de cúrcuma para escovar os dentes ou a melancia grelhada. Nada parece agradar e tudo vira motivo para discussão, pseudo-especialistas levantam bandeiras, defendem causas, criticam os hábitos alimentares da filha de Gilberto Gil. 

Bela confessa ficar descontente quando suas redes se transformam em um grande palco midiático, mas ela mantém sua posição em prol dos alimentos saudáveis, orgânicos e afirma que os comentários negativos dão ainda mais força aos seus posts e à sua filosofia de vida. “Fico mais preocupada do que chateada quando vejo pessoas fazendo piadas maldosas em vez de abrirem os olhos para a situação que o mundo se encontra. O descaso com algo tão importante como a alimentação é triste e alarmante, já que a alimentação vai muito além do prato de comida”, afirma.

Por conta de seu namoro com Zezé Di Camargo, a jornalista Graciele Lacerda, 33 anos, viu o número de seguidores aumentar no Instagram após assumir o relacionamento com o sertanejo em 2012 – atualmente são cerca de 224 mil (entre eles fãs do casal e pessoas que não aprovam a relação, mas gostam de comentar cada foto). Apontada como pivô da separação entre o cantor e Zilu Godoi, ela confessa que pensou em deletar sua página por conta dos ataques que sofreu e ainda sofre por conta do romance.

"Falam de você sem nem te conhecer e saberem das coisas. Algumas pessoas acham que sabem tudo, ninguém pode julgar, condenar sem ter conhecimento dos fatos. Já pensei e quase cheguei a apagar meu perfil várias vezes, mas isso só me fez fortalecer e me preparar para enfrentar esses tipos de pessoas, hoje isso não me incomoda mais. Vi que não valia a pena ficar me explicando, falando a verdade", afirma Graciele, que atualmente divulga diversos produtos em suas páginas sociais, e ainda ganha um dinheiro.

Ela teria tudo para ser a pessoa mais precavida, controlada e retraída do mundo nos canais sociais, afinal, ela é a Xuxa. Mas ela tem um dos perfis mais divertidos. Ela fala besteira, se expõe… Isso significa que ela não liga para os comentários, responde de maneira autêntica analisa o professor de planejamento de mídia digital, digital branding e cybercultura, Robson Harada

Alvo de "haters", celebridades contam como convertem ódio em admiração

O professor de planejamento de mídia digital, digital branding e cybercultura e funcionário de uma das "gigantes da internet", Robson Harada, 30 anos, explica que não há como fugir dos "haters", a não ser que a pessoa mantenha um perfil "chato", sem polêmicas e retrate pouco sua vida pessoal. Para o profissional, Xuxa é a personalidade que tem é o maior "case" de sucesso entre as celebridades nas redes sociais, justamente por ser "gente como a gente".

"Ela teria tudo para ser a pessoa mais precavida, controlada e retraída do mundo nos canais sociais, afinal, ela é a Xuxa. Mas ela tem um dos perfis mais divertidos. Ela fala besteira, se expõe… Isso significa que ela não liga para os comentários, responde de maneira autêntica. Mostra que é humana também. Para os artistas, a máxima é a seguinte: ‘Falem mal ou falem bem, mas falem de mim’, isso sempre vale. Qualquer coisa que eles fazem, faz com que apareçam na mídia. Você está aberto ao mundo e no mundo há gente de tudo quanto é tipo. Você cria muito mais admiração se você sabe brincar. Mas claro que existem os ‘haters’ do mal e esses você tem que ignorar", afirma Harada.

Reprodução/Instagram/belagil

Alvo de "haters", celebridades contam como convertem ódio em admiração

Por conta das perseguições dos "haters", fãs de Bela resolveram lançar uma camiseta com a imagem da nutricionista pedindo "liberdade" para ela e suas ideias

Alvo de "haters", celebridades contam como convertem ódio em admiração

Assim como a atriz Luana Piovani, os atores Alexandre Nero e José de Abreu, a filha de Gil não se esquiva na hora de expor sua opinião e debatê-las no mundo virtual. “Acho muito válida a discussão na web quando ela é produtiva e não apenas uma troca de ofensas sem fundamentos. Quando vejo que a crítica ou o questionamento é sincero busco responder. Quando é vazio eu passo direto”, afirma.

Ela ainda explica que lê todas as críticas construtivas e respeitosas, concordando ou não. “Acho válidas, já que o meu objetivo não é impor regras a ninguém, e sim, trazer à tona assuntos que considero importantes de serem discutidos”, diz a nutricionista, que já recebeu diversas mensagens mal-educadas, inclusive, ofensas contra sua filha, Flor Gil. “Prefiro não dar ouvidos a esse tipo de comentário e trocar ideias com pessoas interessadas em buscar conhecimento. E uma das coisas que acho mais interessante nas minhas redes sociais é a discussão que aparece entre os leitores e muitos deles me defendendo dos ‘haters’, acho super fofo”, conta.

Bela não perde a esperança e acredita que muitas pessoas tendem a negar o desconhecido, por isso os debates ficam cada vez mais intensos e ganham notoriedade. “Quebrar essa barreira não tem sido fácil. Mas aos poucos àqueles que antes repudiavam vão se interessando e respeitando meu posicionamento. Começam a ler antes em vez de afastar de cara. E enfim, hoje tenho um grande número de pessoas que me acompanham e entendem a mensagem que estou querendo passar”, diz ela, otimista e também bem-humorada mesmo quando o assunto são seus memes na web.

Inveja, desocupação ou ódio do mundo?

Manuela Scarpa/Photo Rio News

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Sem paciência com os haters, Zezé di Camargo cria perfil em conjunto com a namorada

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Para mestre em psicologia clínica Maria Tereza Maldonado, autora do livro "Bullying e Cyberbullying – O que Fazemos Com o Que Fazem Conosco?" (Editora Moderna), os comentários ofensivos são motivados pela inveja. "Quem pratica ‘cyberbullying’ gostaria de ocupar o lugar do alvo. Esse desejo de estar sob os holofotes é colocado em prática de forma violenta. A pessoa que ‘toca o terror’ com seus comentários nada mais quer do que chamar a atenção".

Zezé foi notícia no início do ano por excluir sua conta no Instagram, logo após ter brigado com uma jornalista e dito que ela era "viciada em drogas". A polêmica seguiu várias outras confusões já arrumadas pelo cantor na rede social. Lá, ele assumiu seu namoro com Graciele, discutiu com muitos fãs e alfinetou a ex-mulher, Zilu, dando início a uma briga que quase acabou na delegacia.

Graciele, que também já discutiu e se expôs na web para defender a si e o próprio namorado, conta que Zezé resolveu deletar seu perfil no Instagram justamente pela falta de paciência para lidar com os comentários aos quais considerava ofensivos. Desde então o casal tem dividido o mesmo perfil, mas a jornalista é a responsável pela administração da página. 

"O Zezé não consegue ver uma mentira ou as pessoas xingado e condenando de graça, sem você ter feito nada a elas. Ele se revolta, não aguenta ver injustiças ditas e acaba respondendo. Mas, ele sentia falta de postar coisas dele, seus textos… Na brincadeira postou um vídeo falando que estava no meu ‘ig’ e os fãs gostaram e resolveu postar mais coisas. Mas eu publico mais do que ele porque mulher tem mais coisas pra falar, né!? [risos]”, conta.

As pessoas que mantêm perfis públicos têm que ignorar as ofensas e saber que existem várias pessoas bravas com a vida e que acabam descontando nos outros [suas frustrações]. É impossível bloquear essas pessoas, impedir que suas publicações cheguem até elas. E esse é o ônus de ser uma pessoa famosa afirma o professor de planejamento de mídia digital, digital branding e cybercultura, Robson Harada

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Para Harada, o não se estressar é algo muito humano e está relacionado com a maneira que cada um lida com as emoções cotidianas. Pela primeira vez na história as pessoas estão podendo ter uma relação direta com os artistas, algo que não acontecia antigamente. E isso faz com que qualquer uma esteja sujeito a qualquer tipo de pessoa, com qualquer tipo de reação, explica ele.

“Recentemente, o semiólogo Umberto Eco fez uma afirmação que faz muito sentido – ‘As redes sociais dão espaço para uma legião de imbecis manifestarem opiniões desnecessárias’ – e é verdade. Tem muita gente bacana, mas tem muita gente idiota. As pessoas que mantêm perfis públicos têm que ignorar as ofensas e saber que existem várias pessoas bravas com a vida e que acabam descontando nos outros [suas frustrações]. É impossível bloquear essas pessoas, impedir que suas publicações cheguem até elas. E esse é o ônus de ser uma pessoa famosa. Não existe uma estratégia para bloquear ‘haters’. A única opção seria criar um perfil privado, mas aí perde o sentido de expor seu trabalho, falar com os fãs”, conclui.
 

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