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Conheça “The Brink”, que mescla “Homeland” e Kubrick para zoar a política internacional

por Redação / Publicado em domingo, 21 jun 2015 14:35 PM / / 642 views

Imagine uma “Homeland” em que tudo dá errado, onde todas as figuras que deveriam ser heroicas são incompetentes, corruptas ou as duas coisas e onde nem a ameaça de perigo iminente conserta a situação. Acrescente uma boa pitada de “Dr. Fantástico”, o filme clássico de Stanley Kubrick, mais os talentos de Jack Black e Tim Robbins e você terá “The Brink”, a nova série de comédia da HBO, que estreia dia 21 de junho.

Criada por Roberto Benabib – um dos roteiristas da série “Weeds” – com seu irmão Kim Benabib, a série vai acompanhar um grupo fixo de personagens lidando (catastroficamente) com crises internacionais variadas.
O grupo inclui o presidente dos Estados Unidos, Julian Navarro (Esai Morales), seu Secretário de Estado Walter Larson (Tim Robbins), a mulher dele, uma advogada ambiciosa (Carla Gugino), o Secretário de Defesa Pierce Gray (Geoff Pierson), um funcionário diplomático com sonhos de ser agente da CIA, Alex Talbot (Jack Black), e um piloto naval espetacularmente incompetente e, em geral, doidão com uma variedade de medicamentos (Pablo Schreiber).

Divulgação/HBO

"The Brink" mescla "Homeland" e Kubrick para zoar a política internacional

Tim Robbins interpreta o o secretário de Estado Walter Larson em “The Brink”

A, digamos assim, crise de estreia é no Paquistão, onde um golpe de estado depõe o primeiro ministro recém-eleito. Seria um assunto seríssimo se o líder do golpe, o general Umair Zanab (Iqbal Theba) não fosse obcecado com os danos causados na fertilidade da população pelos voos dos drones norte-americanos, o Secretário de Estado norte-americano (que tem um sério e perigoso fetiche masoquista) não brigasse o tempo todo com o da Defesa como dois moleques no pátio da escola, e o piloto doidão, além de vomitar enquanto está num videoconferência com o presidente, não tivesse derrubado um drone indiano no espaço aéreo paquistanês – por engano, é claro.

“Pensamos que há coisas que são tão sérias que não vamos conseguir rir delas, mas a verdade é que é muito fácil rir de política”, diz Tim Robbins. “Enquanto existir política, enquanto existir hipocrisia, vai ter gente interessada em expor seus piores elementos, e nos fazer rir no processo. Shakespeare já fazia isso – há vários momentos de pura comédia em Ricardo III, embora seja uma tragédia. Estamos fazendo uma sátira, e para isso é importante abraçar o lado sombrio do material que estamos abordando. E conseguir fazer com que as pessoas riam dele.”

Divulgação/HBO

"The Brink" mescla "Homeland" e Kubrick para zoar a política internacional

Jack Black é uma espécie de “bobo dessa corte de erros”

O Alex Talbot de Jack Black é uma espécie de bobo dessa corte de erros, um funcionário do Departamento de Relações Exteriores do mais baixo escalão, postado na embaixada de Islamabad. Quando o golpe eclode ele está na rua comprando maconha para a balada da noite – e a partir daí tudo se complica.

“Alex Talbot é meio John Belushi – ele só quer saber de farra”, diz Jack Black. “Ele adora sexo, adora fumar um, adora uma balada. Mas também tem suas ambições. Ele adoraria ser um agente da CIA, porque ele acha que seria super sexy. Eu acho que ele não transa muito não, mas vive falando sobre sexo.”
A comparação com Dr. Fantástico é imediata, especialmente nos momentos em que a ação se transfere para o “situation room” onde o alto comando dos Estados Unidos deveria, em tese, estar buscando soluções para evitar uma tragédia de proporções globais – mas na verdade uma boa parte do tempo é entregue a brigas pessoais, paqueras, discussões sobre o cardápio do almoço e fofocas sobre a vida privada de líderes mundiais.
“Eu adoro Dr. Fantástico”, diz Jack Black. “Durante anos tive esse pôster no meu quarto. Não era o original, esse era muito caro – era a versão portuguesa”. “Dr. Fantástico é uma referência, sim”, diz Tim Robbins. “Outras referências seriam MASH, Catch 22 e quase todos os filmes que Ribert Altman fez nos anos 1970 e que tinham esse tom satírico. É um formato que há muito tempo não vemos, e eu estava sentindo falta disso. Não é por falta de assunto…”
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