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Snoop Dogg, Steve Aoki e Leonard Cohen estão nos “Lançamentos da Semana”

por Marta Lima / Publicado em sábado, 16 maio 2015 12:00 PM / / 700 views


Snoop DoggBush

Snoop Dogg
Bush

Nesse álbum, Snoop deixou a alcunha Lion pra lá e voltou a assumir o codinome Dogg. mas não pensem que esse é um típico disco dele. Longe disso, aliás. Ainda que o título faça a tradicional alusão à maconha, “Bush” é um álbum atípico na carreira do artista e, de quebra, um dos discos mais surpreendentes deste ano.

Produzido em sua totalidade por Pharrell – a primeira vez que Dogg trabalhou com um só produtor desde sua já lendária estreia gravada com Dr. Dre em 1994 – “Bush” é muito mais um disco de funk e soul do que um disco de rap.

É claro que Dogg, e seus convidados, soltam algumas rimas aqui e acolá, mas no geral o que se ouve nessas 10 faixas que rolam em enxutos 40 minutos, é uma voz bem mais próxima do canto tradicional em faixas dançantes, assobiáveis e, sim, irresistíveis.

Snoop Dogg
Pharrell, Stevie Wonder e Snoop Dogg

Sobre a produção não há muito o que falar. Se alguém ainda tem dúvidas de que Pharrell é um dos maiores arquitetos sonoros do novo século precisa ouvir urgentemente esse disco.

O fato é que o trabalho é tanto dele quanto de Snoop, que criou a cama perfeita para o artista principal deitar e rolar.

O grande trunfo de “Bush” está no equilíbrio entre o clima retrô remetendo ao melhor da música negra dos anos 70 e 80, com o moderno, sem que nada soe forçado, com aquele clima de falsa autenticidade. para resumir: “Bush” é um tremendo disco que funciona muito bem ao lado de ” Uptown Special” de Mark Ronson, para ficarmos em outro disco com a mesma pegada – e que, não à toa, contam com a participação especial de Stevie Wonder.

Ouça “California Roll (Feat. Stevie Wonder)” com Snoop Dogg presente no álbum “Bush


Steve AokiNeon Future II

Steve Aoki
Neon Future II

Mesmo em um mundo dominado por DJs superstars, Steve Aoki, é daqueles nomes que se sobressaem. Afinal falamos de um dos artistas mais respeitados e famosos da cena de música dançante eletrônica.

A lista de nomes que ele conseguiu reunir para esse álbum dão conta do seu prestígio – estão aqui, entre outros, o Linkin Park o Weezer Rivers Cuommo, Snoop Dogg e, surpreendentemente, o diretor e produtor de cinema e televisão J.J. Abrams (de “Lost” e das novas versões de “Jornada Nas Estrelas” e “Star Wars”.

Steve Aoki

Apesar disso, “Neon Future II“, não é exatamente um disco de canções pop radiofônicas, feitas para serem ouvidas também relaxando em casa.

Ainda que ele tenha momentos mais pop e de fácil assimilação, ele definitivamente foi feito para ser curtido nas pistas de dança. E isso pode ser bom ou ruim, dependendo do ponto de vista do ouvinte.

O disco é assim recomendado para quem realmente gosta de dance music eletrônica moderna. Agora, mesmo que essa não seja a sua praia, vale dar uma conferida no trabalho, no mínimo para conhecer um pouco melhor o que é feito dentro desse universo musical.

Ouça “Darker Than Blood (Feat. Linkin Park)” com Steve Aoki do álbum “Neon Future II


Leonard CohenCan’t Forget: A Souvenir From The Great Tour

Leonard Cohen
Can’t Forget: A Souvenir of the Grand Tour

A princípio esse lançamento pode soar absolutamente desnecessário, afinal outros três discos ao vivo desta mesma turnê já haviam saído antes. O “problema” é que essa foi uma tour realmente épica. Afinal ela teve inacreditáveis 470 shows entre 2008 e 2013, um número impressionante ainda mais para um quase octogenário.

Resumindo a história para quem não conhece, o canadense Cohen começou sua carreira como poeta, até que um belo dia percebeu que se transformasse seus poemas em canções, ele provavelmente teria mais sorte em sua carreira.

Dessa forma, ele começou sua carreira musical tardiamente – ele tinha 33 anos quando lançou o primeiro disco – e ainda que nunca tenha vendido muito, se tornou extremamente respeitado. Nos anos 90 ele se cansou do mundo moderno e se mudou para um convento budista onde passou anos isolado. Foi quando seu empresário, e suposto amigo, começou a bagunçar as finanças do artista, vendendo direitos autorais, e em resumo deixando-o perto da falência.

Leonard Cohen

Cohen não teve outra opção senão a de voltar para a estrada, em um raro caso onde uma turnê “feita só pelo dinheiro” mostrou-se justificada. felizmente, ele realmente tomou gosto pela vida na estrada, fazendo shows longos ao redor do planeta (infelizmente o Brasil ficou de fora) e encantando plateias.

Essa fase de renovação também rendeu dois excelentes álbuns de inéditas lançados em 2012 e 2014 – este lançado no dia em que ele completou 80 anos.

Voltando a “Can’t Forget…” ele traz apenas dez faixas. São canções menos óbvias, covers e duas faixas inéditas gravadas em shows ou passagem de som. O resultado disso é um álbum que se escuta com enorme prazer e que terminam por justificar mais um disco ao vivo. Ainda assim, é bem capaz que seu momento definitivo nem seja musical.

O fato é que Leonard Cohen é também um excelente contador de histórias e uma delas fecha esse álbum. Em “Stages” ele fala sobre os “seis estágios de atração que as mulheres sentem pelos homens”. Ele então conta que no começo eles são “irresistíveis” e depois passam para o “resistível”, o “transparente”, o “invisível”, finalmente chegando no “repulsivo”. Mas, ele continua, “esse não é o final da história, depois disso você fica bonitinho”, ele completa, “e é nesse estágio em que me encontro agora”. Ou seja, tem como não amar um cara desses?

Ouça “I Can’t Forget” do álbum “Can’t Forget: A Souvenir From The Great Tour

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