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Irmãos Wachowski e criador de “Babylon 5” se reúnem em produção do Netflix

por Redação / Publicado em quinta-feira, 07 maio 2015 12:55 PM / / 882 views

Oito pessoas espalhadas por oito lugares diferentes do mundo começam, subitamente, a sentir a presença uns dos outros junto com uma estranha sensação de que eles estão conectados entre si. Esta é a premissa da série “Sense8”, que estreia no próximo dia 5 de junho, por meio do serviço de vídeo online Netflix. É a primeira incursão dos irmãos Wachowski — responsáveis pela trilogia “Matrix” — na televisão e, para isso, juntaram forças com um de seus grandes ídolos no formato, o norte-americano J. Michael Straczynski, com quem o Popzone conversou por telefone esta semana.”Eu conheço os Wachoswkis há muito tempo”, conta o veterano da TV, que começou escrevendo desenhos animados (roteirizou “He-Man”, “She-Ra” e “Os Caça Fantasmas”) e depois passou para trabalhar em séries como o remake dos anos 80 para “Além da Imaginação” e “Assassinato por Escrito” até que conseguiu materizalizar sua grande obra: a série “Babylon 5”, que o aproximou dos irmãos Matrix.

“Eles eram fãs do meu trabalho desde o ‘Babylon 5’ e foram a algumas pré-estreias dos filmes que fizemos sobre a série. Desde então sempre conversamos sobre a possibilidade de fazermos algo juntos para a televisão”, lembra.A aproximação entre os três aconteceu no início desta decada, quando começaram a discutir o impacto da tecnologia e da internet na vida das pessoas. Foi o ponto de partida para a nova série. “Nós três sempre gostamos de narrativas globais e da noção de que todos podermos estar conectados uns aos outros, de uma forma ou de outra. Nós somos politicamente divididos: marginalizados, faccionados e tribalizados por todas as nossas vidas e queríamos fazer um programa que dissesse que somos melhores juntos do que separados.

“O títuo “Sense8” é um trocadilho entre o número de protagonistas da série e a palavra “sensate”, que significa estar consciente de alguma coisa. A série acompanha a rotina destes oito personagens que começam a perceber a existência de outras pessoas em outros países do mundo, interferindo, inclusive fisicamente, na realidade uns dos outros.Straczynski continua contando sobre a origem da série: “A partir disso pensamos na ideia que dois personagens pudessem se reconhecer como se estivessem no mesmo cômodo, embora cada um deles estivesse em um país e a partir dessa ideia começamos a desenvolver a série, chegando em oito personagens, entendendo quem eles eram e como eles poderiam se aproximar e quais seriam cada um dos arcos deles.”O grupo é composto por oito personalidades bem distintas vividas por atores desconhecidos do grande público.

Brian J. Smith vive Will, um policial de Chicago, nos EUA; Tuppence Middleton é Riley, uma DJ islandesa em ascensão; Bae Doona é Sun, uma executiva coreana que também é mestre em artes marciais; Tina Desai faz Kala, uma farmacêutica de Mumbai casada com um homem que não ama; Aml Ameen como Capheus, um motorista de ônibus no Quênia; Max Riemelt faz Wolfgang, um arrombador de cofres alemão; Jamie Clayton é Nomi, uma transexual em São Francisco e Miguel Ángel Silvestre é Lito, um ator mexicano que é gay apenas da porta para dentro. De todos eles, apenas Silvestre (de “Os Amantes Passageiros”, de Pedro Almodóvar), Riemelt (do alemão “A Onda”) e Doona (de “A Viagem” e “O Destino de Júpiter”, ambos dos Wachoswskis) tiveram alguma popularidade, ainda que pequena.

Irmãos Wachowski e criador de "Babylon 5" se reúnem em produção do Netflix
Cena de Daryl Hannah e Naveen Andrews

Outros personagens secundários são vividos por atores mais conhecidos, como a musa dos anos 80 Daryl Hannah, que vive um personagem que funciona como ponto de partida para a série, e Naveen Andrews, que vivia o iraquiano Sayid no seriado “Lost”, e em “Sense8” age como uma figura que sabe da conexão entre os personagens e os ajuda a perceber isso. Como o personagem Morpheus (Laurence Fishburne) na trillogia “Matrix”.A história percorre oito cidades diferentes (São Francisco, Chicago, Londres, Nairóbi, Berlim, Seul, Cidade do México e Mumbai) e, mesmo com todos os personagens falando em inglês entre si, houve uma preoupação em fugir dos clichês relacionados a cada uma das localidades.

“O importante para a gente era capturar a autenticidade destas culturas. Como parte do processo de criação, nós viajamos para todos estes países e conversamos com as pessoas de lá sobre suas vidas, suas esperanças, sonhos”, explica o produtor. “Normalmente há uma abordagem ocidental quando as pessoas contam histórias que acontecem em locações distantes, mas nós queríamos fazer histórias que fossem autênticas para aquele país e tornar aquele país uma espécie de personagem para a história.

Não importa se era Mumbai, Seul ou Naibori, você tinha que ter a sensação de estar lá.”Assim, os produtores adotaram linguagens diferentes para cenas diferentes: um pedido de noivado foi filmado como um musical de Bollywood e uma perseguição de carros entre gangues ficou mais intensa ao ser filmada nas ruas de terra do Quênia. “Acho que o programa é tanto sobre as diferenças quanto as semelhanças entre estas culturas. Às vezes parece que não dá pra relacionar a vida de uma pessoa que mora em Chicago ou na Islândia com a de alguém que mora em Nairobi, mas no fundo todos nós queremos a mesma coisa: queremos a felicidade, o sucesso, melhorar nossos padrões, queremos um futuro melhor para nós mesmos e para as pessoas que amamos e portanto talvez não sejamos tão diferentes quanto pensamos que somos. Dito isso, também queríamos que personagens diferentes culturalmente, em termos de religião, idioma, etc. e celebrar estas diferenças. Pois é isso que nos torna tão legais”, teoriza Straczynski.A premissa da série parece sobrenatural, mas aos poucos revela elementos científicos que podem transformá-la a longo prazo. Mas pelo menos nos três primeiros episódios “Sense8” apenas instiga o que ela pode se tornar, embora não atice tanto a curiosidade como outra série de semelhante natureza e que confrontava uma estranha coincidência que envolvia pessoas de todo o mundo: “Lost”.Ao mesmo tempo, a série sofre da megalomania e senso de missão dos projetos de Andy e Lana Wachowski. Tudo parece feito para passar uma mensagem para o público e a maioria das cenas ou diálogos sofrem de uma pseudo-auto-ajuda transformada em narrativa cinematográfica para facilitar o consumo.

Divulgação

Irmãos Wachowski e criador de "Babylon 5" se reúnem em produção do Netflix

“Sense8” marca a estreia de Andy e Lana Wachowski, os criadores de “Matrix”, no NetflixResta saber como será a sobrevida da série, uma vez que Straczynski é conhecido por ter sido um dos pioneiros da narrativa transmídia e da interação do público via internet, ações que desbravou ainda nos anos 90 com sua série “Babylon 5”. “Sense8″ foi projetada para sobreviver por cinco temporadas, uma história a ser contada em cinco anos e pensando na reação que o público teria em cada uma das temporadas. A primeira, que estreia com seus doze episódios ao mesmo tempo no dia 5 de junho, traça a premissa básica da série.”Planejei um arco de história de cinco anos porque ‘Babylon 5’, minha primeira série, também teve um arco de cinco anos”, continua o produtor.

“Mas queríamos estruturá-la de uma forma que não fosse apenas uma história de origem. Pensamos em toda a temporada de forma que o primeiro episódio cogitasse várias perguntas, que poderiam ser respondidas no segundo episódio. Mas o segundo episódio cogitaria ainda mais perguntas que puderiam ser respondidas no terceiro, de forma que quanto mais você assiste mais você consegue entender. Nós observamos tudo isso como um grande filme global.”Nisso, o fato de ser produzida pelo Netflix e pular etapas de distribuições nacionais para estar em todo o mundo ao mesmo tempo foi visto como uma vantagem. “Isso obriga a história a ser guiada pelos personagens e não por mercados. Desde o começo queríamos fazer uma série com um parâmetro planetário, como ninguém havia pensado nisso antes e isso só fazia sentido se todo o planeta pudesse ver ao mesmo tempo”, conclui.

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