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Estrelas de “Youth”, Michael Caine e Jane Fonda falam da velhice em Cannes.

por Bibi Toledo / Publicado em quarta-feira, 20 maio 2015 07:48 AM / / 958 views

cinema

Depois do Oscar por “A Grande Beleza”, o italiano Paolo Sorrentino decidiu voltar a filmar em inglês. Quem curte o clima barroco e as situações bizarras do primeiro talvez aprecie “Youth” (Juventude), em que o diretor reúne pela primeira vez três estrelas do primeiro time: Michael Caine, Harvey Keitel e Jane Fonda.

Caine e Keitel vivem Fred e Mick, um maestro e um cineasta hoje aposentados num hotel de luxo nos Alpes, na Suíça. Enquanto Fred se recusa a tocar sua sinfonia mais famosa para a rainha da Inglaterra, Mick se empolga preparando o seu filme-testamento. A personagem de Jane Fonda, Brenda Morel, é uma grande estrela que põe o dedo na ferida da crise do cinema: ela trabalhou com Mick em 11 filmes, mas agora recusa um papel em seu último filme porque fechou um contrato de três anos numa série de TV. “Você não vê, Mick? A TV é o futuro. Na verdade, ela já é o presente”, diz, em dado momento.

“A idade é uma questão de atitude. Quando você sabe o que quer e tem paixão pela vida, permanece jovem”, disse Fonda, linda aos 77 anos, durante a entrevista coletiva no Festival de Cannes, onde “Youth” concorre à Palma de Ouro.

Conhecido pelo humor britânico, Cane, 82, fazia os jornalistas rirem a cada dois minutos. Ao ser perguntado se o incomodava viver personagens velhos, rebateu: “A única alternativa a fazer papel de velho é fazer papel de morto. Entendi que estava ficando velho quando meu agente uma vez me deu um roteiro e disse: não é para você ler o personagem do amante, é pra ler o do pai. Mas o seu corpo também vai envelhecer, então não se sinta tão esperta em me perguntar isso”, brincou.

Caine deu ainda a melhor definição do ofício de filmar: “É como ser soldado. Você entra em uma situação de risco junto com todo mundo, e se a gente não se ajudar, todo mundo pode ser morto”, disse. “Fazer cinema é a mesma coisa em qualquer lugar. A única diferença é que, em Hollywood, você faz com muito dinheiro.”

Ele também falou sem problemas sobre ter uma carreira desconhecida das novas gerações: “Há garotos de 12 anos que me param na rua para pedir autógrafo porque eu sou só o mordomo do Batman”.

Fazia 49 anos que Caine não pisava no Festiva de Cannes. A última vez foi com “Alfie – Como Conquistar as Mulheres”(1966), premiado no festival. “O filme foi premiado, e eu não. Por isso não voltei mais”, brincou.

O diretor Paolo Sorrentino se interessou pelo tema da velhice e da passagem do tempo. “Gosto da ideia de que o futuro nos dá liberdade, e que a liberdade nos confere um sentimento de juventude. A relação que temos com o futuro na nossa juventude é a mesma que temos com a juventude quando somos velhos”, filosofou.

É preciso dizer que “Youth” decepciona bastante, talvez porque Sorrentino não seja tão sincero ao filmar em inglês quanto no retrato que faz da Itália. Com exceção de Mick e Fred, os outros personagens são meras caricaturas em um filme que tem até momentos divertidos, mas não resiste na memória.

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